quinta-feira, novembro 06, 2008

Quero ir a Bruges!

Às vezes sabe bem ir ver um filme sem saber nada acerca dele. É uma espécie de roleta russa cinematográfica. Felizmente, por vezes, acerta-se na mouche. Deste "In Bruges" só tinha visto uma ou outra cena na TV, lido um ou outro comentário na internet e pouco mais. Só mais tarde vi o cartaz que, de facto, deu-me vontade de ver o filme e só aí é que vi que o filme é realizado por Martin McDonagh, o autor da peça "The Pillowman" que vi há uns largos tempos encenada no Maria Matos, e da qual gostei bastante.
Bom, havia tantos factores a puxarem que consegui mesmo ultrapassar o complicado problema de o filme contar com o inenarrável Colin Farrell, actor que não está definitivamente no meu top10 (e isto é ser simpático). Lamento, mas acho o rapaz um actor sobrevalorizado e os filmes que vi dele...enfim...não gostei. Ok, não vi o "Cassandra's Dream" do Woody Allen, mas ainda assim, o nível de aprovação do rapaz por estes lados andava baixo.
Mas como nem sempre só de actores se faz um filme, resolvi dar ao moço uma oportunidade. E não é que a mereceu?
"In Bruges" conta a história de dois capangas dum mafioso londrino que são "despachados" para Bruges depois de um servicinho ter "corrido mal". Enquanto mantém o "low profile" aproveitam para visitar a cidade (e aproveito para reiterar: QUERO IR A BRUGES, nem que seja sozinho!) e fazer turismo. E se Ken (Brendan Gleeson) aprecia imenso a oportunidade, Ray (Colin Farrel) odeia até mais não ("Ken, I grew up in Dublin. I love Dublin. If I grew up on a farm, and was retarded, Bruges might impress me but I didn't, so it doesn't".). O próximo "serviço" que lhes chegará vai se revelar mais complicado do que seria de esperar. Não vale a pena contar mais porque grande parte da piada que eu achei ao filme deveu-se ao facto de realmente não saber de nada.
Os dois actores principais fazem uma dupla excelente, um, mais velho e ponderado, o outro completamente imatur, inexperiente e atormentado. A cereja no topo é dada mesmo pela aparição do Ralph Fiennes, no papel do chefe da dupla, um gajo extraordinariamente rude que se transfigura fora do ambiente normal familiar. Uma personagem muito diferente do habitual nele.
Quanto ao Farrell, está mesmo de parabéns, pois a personagem politicamente incorrecta cai-lhe a matar. É, sem dúvida, o melhor desempenho da carreira dele, não só a nível de diálogo, mas de pura representação física e de expressão (aquela quase-monocelha afinal serve para alguma coisa).
É realmente politicamente incorrecto o filme, com piadas dirigidas aos americanos, aos turistas em geral, aos gays, aos negros, aos brancos, gordos e até anões. É de um humor negro muito apurado, mais ainda que o "Destruir Depois de Ler" dos Coen. E violento. Sim, bastante violento. Mas vale a pena ver, especialmente pelos diálogos mirabolantes entre os três principais protagonistas. Guy Ritchie e Quentin Tarantino: beware!



Ah e caso não tenha dito antes: vou a Bruges. Eventualmente.
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