
Ainda não consegui apanhar o queixo do chão desde que começei a ouvir este álbum. Como tal ainda não foi possível organizar um qualquer esboço de
review. Porém, esse trabalho foi-me retirado dos ombros pelo Pedro que o fez de maneira brilhante. Não consigo fazer melhor. Pelo que aqui fica o texto, com os créditos devidos ao seu escriba.
AQUI podemos encontrar a fonte do texto.
A Matter of Life and Death
Ouvir um álbum novo de Iron Maiden pela primeira vez causa sempre algum receio nestes ouvidos e coração de fã acérrimo da banda há mais de 20 anos, 22 para ser mais preciso. Será que é desta que me vão defraudar? Será que as minhas expectativas foram elevadas com tudo o que li sobre o álbum antecipadamente e que afinal não soa nada aquilo que os outros profetizavam? 72 minutos com músicas muito longas, será que não é demais? Tornar-se-ia num álbum chato e vazio de conteúdo? Será que todos aqueles que querem fazer o enterro a esta banda mítica terão finalmente razão para o fazer?
Com todas estas dúvidas na minha mente e, depois de já ter ouvido algumas músicas nessa coisa fantástica chamada Internet, lá coloquei o CD na aparelhagem e carreguei no PLAY. Mal eu sabia o que me esperava...
Desde o grito do Nicko, antes do início da Different World, até aos últimos acordes da The Legacy, canção que encerra o álbum, escutei com o máximo de atenção possivel, ás vezes nem ousando respirar tal era a concentração e...o espanto. Não pode ser, já passaram 72 minutos? Não acredito!!!! Durante esses 72 minutos atravessei um sem número de emoções que me deixaram perplexo.
Sinceramente não estava à espera de ser surpreendido, quanto mais completamente abismado, com uma revelação de mestria, de musicalidade, de raiva, de poder, enfim, de puro génio que é o que nos revela este A Matter of Life and Death.
Não é um album de fácil digestão, pode-se gostar logo à primeira, mas não se sente logo à primeira, tem tantas nuances, tantos ambientes, tantas coisas escondidas de uma primeira audição que tenho a certeza que daqui a muitos anos ainda se irão estar a descobrir coisas novas sobre este disco.
Após mais algumas rodagens posso agora fazer uma apreciação mais conclusiva...espero eu.
DIFFERENT WORLD
é realmente a musica mais diferente do album, numa onda mais hard rock e com alguma parecença com Thin Lizzy nas linhas vocais do refrão e no solo dobrado das guitarras. Embora esta seja uma imagem de marca de Maiden, nesta canção em particular soa a uma mistura entre Lizzy e Wishbone Ash, muito interessante mas completamente diferente do resto do album
THESE COLOURS DON'T RUN
Começa mais calma, como aliás grande parte do album, mas depressa cresce para um refrão imenso onde o Bruce canta com uma raiva espantosa a excelente letra.
BRIGHTER THAN A THOUSAND SUNS
Será que Maiden alguma vez soaram tão pesados como nesta música? Na minha opinião nem mesmo na ultra-pesada Where Eagles Dare a banda teve esta intensidade. Peça musical espantosa, com um ambiente fantástico e muito audaciosa. O baixo bem saliente, como aliás no resto do disco, marca a canção com um excelente trabalho de bateria. O riff por trás do solo é simplesmente genial.
THE PILGRIM
Grande início, fez-me logo pensar num concerto ao vivo com toda a gente a gritar os ohohos. Grande canção com um refrão bem orelhudo, muito melódico mas sem nunca passar a linha do cheesy.
THE LONGEST DAY
Mais uma peça musical interessantíssima, extremamente ambiental e muito emotiva, ou não estariam a falar do desembarque na Normandia, o Dia D.
Ao vivo vai ser um estrondo com este refrão.
OUT OF THE SHADOWS
A mais calma e com um ambiente mais característico dos albuns a solo do Bruce.
Nesta altura já estou completamente de queixo no chão com a performance dos 6 magníficos, mas a do Bruce e do Nicko sobressaem aos ouvidos de todos.
THE REINCARNATION OF BENJAMIN BREEG
O começo é tipicamente Maiden e ainda bem que é o unico tema no disco que soa como tal. Excelente música, muito groovy e com um riff magnífico o que a torna tão diferente do resto das musicas de Maiden, que normalmente são mais baseadas em sucessão de acordes do que propriamente em riffs.
FOR THE GREATER GOOD OF GOD
Introdução de baixo mas a não soar nada como todas as introduções de baixo de àlbuns anteriores. Grande melodia de voz numa musica fantástica. A bridge é ENORME e ao vivo vai deitar a casa abaixo.
LORD OF LIGHT
Não foi fácil de perceber esta musica, entrou-me à primeira mas como uma musica normal, mas depois de a ouvir várias vezes com atenção redobrada fiquei fã incondicional. O inicio é fantasmagórico, tão diferente para a banda, a letra é muito boa, como todas aliás.
THE LEGACY
No ultimo album tinha sido Journeyman a espantar o mundo, esse sentimento recai sobre The Legacy desta vez. Mas que coisa magnífica, que voz, que composição, que som, tantas emoções numa musica só.
Excelente maneira de encerrar o album.
Em conclusão, podemos afirmar que é claramente Maiden, estão lá todas as coisas que nos fazem amar esta banda há muitos anos, mas estão habilmente disfarçadas que quase nem percebemos que lá estão.
Não sei se me faço explicar, ouvimos o álbum e dizemos, isto é Maiden, mas porquê, se as guitarras dobradas em melodias não estão tão salientes, porquê se não existem praticamente ritmos galopados, porquê se não existem refrões mais comerciais, porquê se não existem canções rapidas??
Porque sim, porque é Maiden, mas soa a fresco, não soa a uma banda com 30 anos de carreira, soa a uma data de rapazes novos a quererem quebrar barreiras de preconceito contra o Heavy Metal.
Embora com muito mais maturidade do que nos anos 80 este álbum soa a uma banda que soube sempre se reeinventar e mais do que nunca conseguiu-o com um album fantástico que se tivesse saído em 1982 em vez do Number of the Beast, hoje as pessoas que não souberam evoluir com a banda estariam a dizer "nunca hão-de fazer nada como o A Matter of Life and Death, esse sim, grande àlbum". Se o album a editar em 2006 se chamasse The Number of the Beast com o mesmo alinhamento esses fãs iriam criticá-lo à mesma, porque vivem no passado e esperam em todos os albuns que venha uma musica chamada Run to the Hills - Revisited, ou The Trooper - Viewed by the russian soldiers, ou mesmo que fizessem um Seventh Grandchild of a Seventh Grandchild - The Return.
Percebo aqueles que continuam a preferir os àlbuns do passado mas que saibam apreciar e criticar construtivamente os àlbuns do novo milénio pois eles são bons, e nunca o foram tão geniais com este A Matter of Live and Death.
Iron Pedro