Este Renaissance, felizmente, não teve o mesmo destino do A Scanner Darkly e consegui, ainda que in extremis apanhá-lo na única sessão diária da única sala que ainda o tinha disponível. E bem que compensou. Nunca tinha ouvido falar deste filme até há umas semanas atrás quando vi o final duma pequena apresentação no Cartaz de Cinema da RTP2 (não também não sabia da existência de um tal programa).
Para quem gosta do género era impossível não ficar atraído pelo conceito. Um filme original, na apresentação, com uma história que combina o melhor da ficção científica à lá Blade Runner com o melhor dos film noir de mistério e detectives. E o mais interessante: se neste tipo de filmes estamos habituados a ver uma New York ou uma Los Angeles futurista, agora temos a possibilidade de ver Paris. Paris em 2056. O que é sempre mais interessante pela quantidade de moumentos marcantes que a cidade tem. Lá pelo meio dos cenários (CGI claro) de tirar o fôlego lá está a Torre Eiffel, a Notre Dame, Montmartre, etc etc. Isto porque, facto pouco usual também, se trata de um filme francês. Embora a cópia que circule seja a distribuída pela Miramax, dobrada em inglês por uma série de actores conhecidos, como o Daniel Craig, Jonathan Pryce, Catherine McCormack, etc. Por estranho que pareça, preferia ter ouvido em françês, mas pronto.
Outro facto curioso é que este filme, embora apenas lançado em 2006, é muito anterior ao Sin City, o primeiro tão propagado filme de transposição fiel de graphic novel para o ecrã. É curioso porque este "Renaissance" vai para além do Sin City, e do mais recente 300. E ainda por cima, é o único destes três que não se baseia numa graphic novel.
O tratamento quase exclusivamente preto e branco (não há intermédio, não há menos branco, ou cinzento ou menos preto) é totalmente original e obriga a uma maior concentração para que se possa perceber e absorver tudo o que se passa no ecrã. É tudo feito a computador claro, menos o trabalho de actores que existiu e foi depois "digitalizado" dando um efeito de animação quando não o é, pelo menos completamente.
E apesar de tudo isto, de todos os efeitos visuais e digitais, apesar dos cenários enormes que nos são oferecidos, apesar de toda esta festa visual, temos uma história. Um argumento que prende a atenção e se torna a peça central do filme, como sempre deveria ser. Foi o que falhou a meu ver no "300". Um excelente filme, mas que vale mais pelo visual. Aqui ficamos prendidos mesmo pelo desenrolar dos acontecimentos e queremos saber como irá aquilo acabar.
A coluna vertebral da história não é nova, afinal trata-se de uma história policial, uma história "detectivesca", mas a verdade é que é uma história propriamente dita. Apresentada numa moldura rica sim, mas com conteúdo. Muito bom.
Letsa luk to da traila:
Um pequeno clip:
PS: até fiquei com vontade decomprar um Citroën!



















