Nos idos de 13 de dezembro de 2007, armado de muita paciência e muito tempo livre, enfrentei o caos do trânsito de um final de dia em época natalícia e rumei à FNAC do Chiado, onde suportei horas num auditório mínimo, ultra abafado e a rebentar pelas costuras, apenas pelo raro privilégio de ver e ouvir o Sr. Terry Jones. Não era por qualquer um que faria tal sacrifício.
O senhor estava por cá a preparar a estreia mundial da sua ópera “Evil Machines”. E não parou quieto, qual velha gaiteira (pun intended). Não só teve tempo de assistir à peça "Os Melhores Sketches dos Monty Python" (sobre a qual disse ser melhor que a homóloga francesa), participar na leitura, reposta em cena, dos seus "Contos Fantásticos", como ainda participou no lançamento da tradução em português do livro "The Pythons Autobiography by The Pythons", suportando o mesmo auditório que eu e as outras largas dezenas de pessoas.
Fez, e faz, parte intrínseca da minha vida encontrar-me no meio de outras pessoas a ouvir outra pessoa, mais ou menos importante, regra geral muito entediante. Não foi o caso naquele fim de tarde, felizmente. Raras foram as vezes em que senti que podia ficar mais umas 3 horas a ouvir falar alguém sem correr o risco de me aborrecer de morte.
Realmente o homem ficou um pouco atrapalhado quando chegou ao café da FNAC e se deparou com aquilo mais cheio que um ovo. Mas logo descontraiu. Contou histórias, respondeu às perguntas de Nuno Markl, Nuno Artur Silva e do público, tudo com uma modéstia, simpatia, humor e boa disposição, que fizeram dele, pelo menos naquela hora privilegiada, efectivamente o homem mais simpático da Terra.
Sei bem que o que se segue é um chavão, um lugar comum, uma frase feita, etc, mas em boa verdade foi uma suprema honra e privilégio ter podido partilhar uns breves minutos com uma tal personalidade que, no fundo, estava tão deslumbrada como nós. No fim ainda se disponibilizou para dar autógrafos ao pessoal. Não tenho muito jeito para estas coisas, mas consegui que me pusesse o rabisco em dois itens (prescindi da dedicatória) e desejei-lhe uma boa estadia.
Por mais cliché que seja novamente, foi um momento inesquecível poder estar na presença de um génio tão modesto e terra-a-terra. É que, mesmo sendo fã do homem e dos Monty Python, mesmo tendo-me deslocado de propósito para partilhar uns momentos com uma das lendas do humor mundiais, mesmo assim não estava à espera de encontrar uma alma tão aberta e divertida. É que apetecia mesmo dizer, quando acabou a sessão e se preparavam para ir jantar, "Opá, eu vou jantar consigo também!".
Talvez o mais discreto dos Python, era dos mais prolíficos nos bastidores e no processo criativo. Que descanse agora em paz, na companhia do Graham Chapman e, de preferência, com uma provisão eterna de Spam!
No...it was a surprise. I'm very surprised to realize that we're in a room, in Lisbon, in Portugal, 40 years later and we're talking about this show...i mean, it's extraordinary. We just wanted to write good comedy. We never thought about the idea that it would still be talked about 40 years later.
(Terry Jones respondendo à pergunta de Nuno Markl sobre se os Python tiveram consciência que estavam a fazer uma espécie de revolução na comédia)
I don't know what Python actually achieved. I would say the best thing it ever achieved was when i was talking to a friend who was a teacher in an inner comprehensive [school] in the 70's, and he said that since Python they'd noticed a change in the adolescent boys. Whereas in the old days the boys would tend to go round bullying and fighting, they were actually now going round being silly. He thought that was the effect of Python doing that. For a brief moment in time, it became fashionable to be silly rather than to be threatening, and i think that's probably all that Python ever achieved, just a slight change in behavior in a few adolescent boys in an inner city over a brief span of time in the 70's. What more can you hope for?
(In "The Pythons Autobiography by the Pythons")







