Ontem à noite na RTP 1 foi transmitida uma reportagem interessante chamada "Nós e a Finlândia".
Depois de muito se ter falado, ao longo dos últimos meses, do modelo finlandês, do ensino finlandês, no sistema de saúde finlandês, da tecnologia finlandesa, e de como é que o país ultrapassou a crise dos anos 90, quisemos ver como é que afinal, funciona esta sociedade nórdica e compará-la com a sociedade portuguesa. Chegámos a conclusões extraordinárias:
- Os portugueses pagam mais impostos do que os finlandeses.
- O preço do passe social combinado é praticamente o mesmo em Helsínquia e em Lisboa.
- Os finlandeses não pagam menos do que 1000 euros a um trabalhador.
- Temos quase o dobro dos estudantes mas o nosso orçamento para a educação é menor do que o finlandês.
- Esperamos, em média, um mês para uma consulta no médico de família e os finlandeses não esperam mais do que três dias.
- etc.
Estas e outras conclusões são o resultado de um trabalho realizado ao longo de um mês, em Lisboa e em Helsínquia.
A reportagem “Nós e a Finlândia” é contada com base na experiência de uma finlandesa a viver em Portugal e de um português a residir na Finlândia. Ambos aceitaram colaborar neste trabalho.
Infelizmente só pude ver a parte final, mas pareceu-me realmente interessante. Talvez seja um pouco injusto comparar Portugal com aquele que é, provavelmente, o país mais avançado do Mundo presentemente, mas, seja como for chegam-se a conclusões interessantes. Muito me surpreenderam alguns dados estatísticos apresentados. As diferenças em termos de números são óbvias, claro, mas não são assim tão gritantes. E porquê? Porque a cultura e mentalidade própria de cada um dos povos faz toda a diferença. A abordagem à vida que cada um faz é tão diferente que é aí que reside a principal fonte do 'atraso' português em relação à Finlândia. Os finlandeses são ensinados desde crianças a adoptarem uma atitude de equipa, em prol dos 'outros' (embora individualmente sejam mais solitários); é-lhes inculcado desde cedo um certo sentido de dever para com os outros e para com o seu país que cá será quase impossível de adoptar. Para um finlandês, conforme disse o emigrante português só duas coisas são certas na vida: a morte e os impostos. Para um português é só a morte, porque quanto ao resto, vai-se dando um jeitinho, ou tentando.
E isso tudo vem de onde? Do sistema educativo. Os alunos finlandeses são os melhores a matemática em toda a Europa. Mostraram imagens de algumas crianças e tinham um ar normal, não eram aliens.
A emigrante finlandesa cá em Portugal expressou a sua total perplexidade com o funcionamento das coisas em Portugal. Para manter o nível de vida finlandesa em Portugal teve naturalmente de recorrer ao sistemas privados de saúde, educação, etc, etc. Algo que nunca faria na Finlândia.
Mentalidades e educações diferentes que fazem com que o português, como dizia o Miguel Esteves Cardoso noutro dia, nunca esteja bem com o que tem, queixa-se por tudo e por nada, nunca parando para apreciar o que já tem e o facto de poder ter o q tem.
O problema não é o que se não tem, é aproveitar ao máximo e usar o que se tem para melhorar. Parece ser isso o que os finlandeses fizeram, com os resultados óbvios.
Enfim, a reportagem acaba com um aviso interessante: se um português estiver a pensar em mudar-se para a Finlândia deve preparar-se para mudar também de estilo de vida. Tem de passar a chegar a horas a todo o lado, habituar-se a deitar-se cedo e a levantar-se cedo, tem de estar consciente que tem tantos deveres como direitos, tem de esperar pela sexta-feira para se ir divertir, tem de se habituar ao frio, tem de falar menos, etc etc. Ao que eu acrescento ainda o facto de ser o país por excelência do heavy metal mundial.
O que me leva a pensar que eu devia ter nascido finlandês. Mas ainda sou too much a fuckin' portuguese!