A Sofia Coppola fez, até à data, e que eu tenha conhecimento, dois bons filmes. Excelentes mesmo: "The Suicide Virgins" e "Lost In Translation" (de cujo argumento eu possuo uma cópia, all the way from New York, thanks to Maria, o que mostra bem como eu gosto do filme).O último filme dela foi o "Marie Antoinette" (sem hífen para efeitos deste filme e respectivo conceito), e vi-o, felizmente, em casa em DVD.
Felizmente porque, epá, há que dizê-lo sem medo caraças, não gostei do filme! Ok, concedo que o Óscar que ganhou pelo guarda roupa, etc e tal, foi merecido e que as filmagens em si estão muito boas (deve ter sido um privilégio único poder filmar na autêntica Galeria dos Espelhos), mas a história em si...nhé. Sim, a ideia é original e interessante: vamos mostrar a adolescente rainha e a vida que tinha no palácio estabelecendo uma comparação com a vida que uma actual adolescente terá, com as respectivas preocupações, parvoíces, etc etc (li algures no IMDB que numa das cenas foram propositadamente deixados à vista um par de All Star no quarto real da real moça, para dar aquele ar e não sei quê). Muito interessante e tal....mas na prática este filme não me interessa minimamente. E NÃO, não tem nada a ver com eu ser um fundamentalista da História real e autêntica. Não, porque quando se vai ver este filme, sabe-se de antemão que a principal preocupação do mesmo não é fazer um documentário sério e certo sobre a vida da Marie. É claro que há incongruências e erros, mas na perspectiva proposta pelo filme, isso não interessa. Há espaço para liberdade nesse campo. Aliás, a própria escolha das canções da banda sonora revelam a ideia proposta, pois, aquilo é basicamente pop e punk.
Mas a verdade é que fora isso, mesmo não estando eu preocupado com a História, preocupo-me bastante com a história. E, para mim, este filme não tem uma história interessante. Tirássemos o fausto todo, a imponência, Versalhes e as roupas, e teríamos um banalíssimo filme duma adolescente que é colocada numa situação algo incómoda, mas que acaba por se adaptar, encontrando amigas, comprando roupas e indo a festas. Enfim...nada que me levasse a ir porque não tem interesse.
Dito isto, devo dizer que a melhor parte do filme se encontra num extra do DVD, no qual o Rei Luís XVI (Jason Schwartzman) nos faz um tour pelo Palácio de Versalhes ao estilo daquele programazeco da MTV, MTV Cribs (Cribs: slang word for one’s residence, or where one normally hangs out), onde as estrelas da música, cinema e desporto se passeiam pelas suas mansões, mostrando os luxos que têm a nós, meros mortais. Tem a sua piada ver o "Rei" a mostrar Versalhes.
Foi realizado pelo irmão da Sofia, o Roman Coppola. Algo me diz que se não fosse por este apelido não teriam conseguido filmar em Versalhes. Ou não. Sei lá. Apenas estou a expressar os meus maus fígados provocados pelo facto de saber que o "28 Semanas Depois" NÃO vai estrear em cinema....pois já ontem vi o raio do DVD à venda. Enfim.
























