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quarta-feira, janeiro 22, 2020

Mr. Terry Jones.


 

Nos idos de 13 de dezembro de 2007, armado de muita paciência e muito tempo livre, enfrentei o caos do trânsito de um final de dia em época natalícia e rumei à FNAC do Chiado, onde suportei horas num auditório mínimo, ultra abafado e a rebentar pelas costuras, apenas pelo raro privilégio de ver e ouvir o Sr. Terry Jones. Não era por qualquer um que faria tal sacrifício.

O senhor estava por cá a preparar a estreia mundial da sua ópera “Evil Machines”. E não parou quieto, qual velha gaiteira (pun intended). Não só teve tempo de assistir à peça "Os Melhores Sketches dos Monty Python" (sobre a qual disse ser melhor que a homóloga francesa), participar na leitura, reposta em cena, dos seus "Contos Fantásticos", como ainda participou no lançamento da tradução em português do livro "The Pythons Autobiography by The Pythons", suportando o mesmo auditório que eu e as outras largas dezenas de pessoas.

Fez, e faz, parte intrínseca da minha vida encontrar-me no meio de outras pessoas a ouvir outra pessoa, mais ou menos importante, regra geral muito entediante. Não foi o caso naquele fim de tarde, felizmente. Raras foram as vezes em que senti que podia ficar mais umas 3 horas a ouvir falar alguém sem correr o risco de me aborrecer de morte.

Realmente o homem ficou um pouco atrapalhado quando chegou ao café da FNAC e se deparou com aquilo mais cheio que um ovo. Mas logo descontraiu. Contou histórias, respondeu às perguntas de Nuno Markl, Nuno Artur Silva e do público, tudo com uma modéstia, simpatia, humor e boa disposição, que fizeram dele, pelo menos naquela hora privilegiada, efectivamente o homem mais simpático da Terra.

Sei bem que o que se segue é um chavão, um lugar comum, uma frase feita, etc, mas em boa verdade foi uma suprema honra e privilégio ter podido partilhar uns breves minutos com uma tal personalidade que, no fundo, estava tão deslumbrada como nós. No fim ainda se disponibilizou para dar autógrafos ao pessoal. Não tenho muito jeito para estas coisas, mas consegui que me pusesse o rabisco em dois itens (prescindi da dedicatória) e desejei-lhe uma boa estadia. 
Por mais cliché que seja novamente, foi um momento inesquecível poder estar na presença de um génio tão modesto e terra-a-terra. É que, mesmo sendo fã do homem e dos Monty Python, mesmo tendo-me deslocado de propósito para partilhar uns momentos com uma das lendas do humor mundiais, mesmo assim não estava à espera de encontrar uma alma tão aberta e divertida. É que apetecia mesmo dizer, quando acabou a sessão e se preparavam para ir jantar, "Opá, eu vou jantar consigo também!".

Talvez o mais discreto dos Python, era dos mais prolíficos nos bastidores e no processo criativo. Que descanse agora em paz, na companhia do Graham Chapman e, de preferência, com uma provisão eterna de Spam! 

No...it was a surprise. I'm very surprised to realize that we're in a room, in Lisbon, in Portugal, 40 years later and we're talking about this show...i mean, it's extraordinary. We just wanted to write good comedy. We never thought about the idea that it would still be talked about 40 years later. 

(Terry Jones respondendo à pergunta de Nuno Markl sobre se os Python tiveram consciência que estavam a fazer uma espécie de revolução na comédia)

I don't know what Python actually achieved. I would say the best thing it ever achieved was when i was talking to a friend who was a teacher in an inner comprehensive [school] in the 70's, and he said that since Python they'd noticed a change in the adolescent boys. Whereas in the old days the boys would tend to go round bullying and fighting, they were actually now going round being silly. He thought that was the effect of Python doing that. For a brief moment in time, it became fashionable to be silly rather than to be threatening, and i think that's probably all that Python ever achieved, just a slight change in behavior in a few adolescent boys in an inner city over a brief span of time in the 70's. What more can you hope for? 

(In "The Pythons Autobiography by the Pythons")

quarta-feira, dezembro 23, 2015

F**k Xmas!



Fuck Christmas!
It's a waste of fucking time
Fuck Santa
He's just out to get your dime,
Fuck Holly and Fuck Ivy
And fuck all that mistletoe
White-bearded big fat bastards
Ringing bells where e'er you go
And bloated men in shopping malls
All going Ho-Ho-Ho
It's fucking Christmas time again!
Fuck Christmas
It's a fucking Disney show
Fuck reindeer And all that fucking snow
Fuck carols
And fuck Rudolph
And his stupid fucking nose
And fucking sleigh bells tinkling
Everywhere you fucking goes
Fuck stockings and fuck shopping
It just drives us all insane.
Go tell the elves
To fuck themselves
It's Christmas time again!


lol

segunda-feira, novembro 23, 2015

quarta-feira, dezembro 28, 2011

Porém!

Porém, nem tudo foi mau. No canal mais óbvio e adequado a ter passado completa e criminosamente despercebido, e no horário ainda mais propício a que tal acontecesse, a melhor coisa que vi na neste Natal foi este belíssimo e brilhante documentário de Stephen Walker:



E confesso que o vi, apenas porque não tinha já saco para o resto. E afinal revelou-se uma grande e boa surpresa. O documentário é sobre o coro "Young @ Heart", cujos membros andam pela bela média de idade dos 80 anos. Sim, 80 anos. E como se isso por si só não bastasse e fosse já um feito digno de nota, estes senhores e senhoras de tão vetusta idade cantam, à sua maneira, claro, versões de música pop e rock modernas.Modernas no sentido Jimi Hendrix, The Clash, Talking Heads, James Brown, Radiohead, Sonic Youth, etc etc. Enfim, tudo aquilo que NÃO esperariamos ver os nossos avós trautearem, quanto mais cantarem e em público.
Depois de ver o coro ao vivo em Londres, Stephen Walker decidiu realizar o documentário e seguiu os Young@Heart, sediados em Northampton, no Massachusetts, durante 6 semanas, durante as quais o coro preparou a digressão "Alive & Well".
Um dos momentos mais fortes e comoventes do documentário é a actuação do coro numa prisão pouco depois de saberem da morte de um dos membros do grupo na noite anterior, dedicando-lhe a canção "Forever Young". É absolutamente demolidor e é preciso ter um coração de pedra revestido a aço para não ficarmos comovidos com a prestação do coro. E também com a força, energia, humor e imensa boa disposição que cada um deles demonstra. Caso para dizer, "quem me dera poder chegar lá assim...". Embora a idade avançada não seja encarada como uma limitação por estes cantores séniores, a morte está mesmo ao virar da esquina – o facto é incontornável para todos pois, só para ali estarem, têm de ultrapassar um conjunto assinalável de adversidades clínicas. No entanto, aconteça o que acontecer, the show must go on.
Absolutamente brilhante, divertido, triste e muito comovedor.





Fix You (Coldplay):
Fred Knittle canta uma poderosa, se bem que simples, versão da canção de Coldplay. Dedicada a Joe Benoit, com quem era suposto ter cantado em dueto, mas que entretanto faleceu, vítima de cancro, apenas uma semana antes...

http://youtu.be/W_n0zvoHlVk


Road To Nowhere (Talking Heads)

http://youtu.be/-wgrM-R6yfY



terça-feira, dezembro 27, 2011

(in)Feliz Natal

Um Natal passado numa casa com um núcleo familiar pequeno e cristalizado há já alguns anos e sem crianças é, por força, um Natal onde ainda se vê alguma televisão. Quando esse Natal se passa numa casa onde haja apenas os 4 canais básicos, pouca escolha há na verdade.
Ao que parece, este ano, o Natal foi consagrado ao Circo. Não sei quantos Circos o raio da TV passou naquele fim de semana, porra. Cada vez que se ligava o aparelho lá estava um raio de equilibrista, os sacanas dos camelos e o raio que os parta dos palhaços. Já para não falar da omnipresente Catarina a ser desenrolada num lençol gigante ou lá o que era. Fora isso, foram os gordos do costume, os mongolóides habituais do segredo e as notícias que tiveram uns dias em grande com a tragédia dos incêndios urbanos, com os almoços de caridade e com o Natal da Crise. De resto enfardem lá com as telenovelas e os inenarráveis filmes de Natal que, este ano, primaram pela total desinspiração e adormecimento (literal!).
Para alegrar a coisa ainda tivémos o PM (Primeiro-Mongolóide) a debitar uma críptica e labiríntica mensagem de Natal, na qual se referiu às "estruturas económicas e outras que impedem os portugueses de realizar os seus sonhos" (devia querer referir-se a ele próprio e à sua verdadeira corja de mal feitores), e ainda ao necessário "apoio aos jovens e restante população activa de Portugal" (mas não era suposto emigrarem daqui para fora??). De repente percebo a necessidade de passarem tantos circos na TV...a temática "camelos, palhaços e equilibristas" repete-se na vida real. Enfim.

quarta-feira, abril 06, 2011

Song of Ice & Fire



Ok, é oficial e "dou o braço a torcer": estou viciadíssimo na majestosa obra de George R.R. Martin. Embora, em bom rigor, "dar o braço a torcer" seja algo exagerado, porque nunca neguei o potencial da obra. Mas tudo tem o seu tempo e altura acho eu. E decidi que haveria tempo, mais tarde, para a "Song of Ice and Fire". E maior adiamento teria sido, não fosse o caso de ter sido contagiado violentamente pelos jovens Fernando, Mário e Luís. Em boa hora o fiz, no ano em que se prepara para estrear a série baseada no primeiro volume e meses mais tarde, o lançamento do quinto volume, tão antecipado e aguardado. Yummy. A comparação às obras de Tolkien é natural, eu próprio a fiz e assumi, mas em bom rigor são criações com bastantes diferenças. Em ambas as obras encontramos um mundo imaginário, imensas personagens, enredos intrincados e entrecruzados, desenrolando-se sobre um pano de fundo épico e majestoso. Mas enquanto Tolkien mergulha profundamente na fantasia e no sobre natural, Martin coloca o pouco de sobrenatural que existe na sua narrativa num ponto muito secundário (pelo menos até ao que li). Existe o elemento sobre natural, mas a pedra de toque é, sem sombra de dúvida, a luta política, o desejo de poder tão característica dos homens. O enredo é manifestamente político e toda a história gira à volta do Poder: a luta por, a manutenção do mesmo, as intrigas e lutas de bastidores.
Os tempos de crise levaram-me a optar pelas edições de bolso originais. São verdadeiros "tijolos", mas pelo menos são portáteis. E a portabilidade, numa obra desta natureza e qualidade é absolutamente essencial. A escrita é estranhamente leve e absorvente. A narrativa é complicada e entrecruzada, mas, curiosamente, nunca se perde o fio à meada, de tal forma nos absorve. Sim senhor.










quinta-feira, novembro 25, 2010

Top Gear in the Rainforest



Para quem, como eu, não é assim tão grande aficionado do mundo automóvel e de todos os seus complexos e motorizados meandros, não deixa de constituir uma surpresa o elevado grau de entretenimento que este programa da BBC me proporciona, sempre que, por algum acaso, o consigo "apanhar" no Discovery Channel.
Aprecio sinceramente o tom humorístico e altamente corrosivo dos três apresentadores. Em especial a tendência para fazerem pouco uns dos outros, bem como tecerem comentários um tanto ou quanto cáusticos a algumas conhecidas marcas. E aprecio ainda mais os, se assim se pode dizer, "episódios especiais", nos quais aos apresentadores é dado um desafio. E nenhum deve ter sido mais interessante e enorme que este, atravessar a floresta da Amazónia em três jipes comprados ao acaso.



http://www.landrovergeeks.com/videos/four-wheeling/great-topgear-episode-boliva-rain-forest-pacific-ocean-old-range-rover-land-cru

http://www.streetfire.net/video/Top-Gear-Season-14-6_726818.htm

quarta-feira, março 10, 2010

Cavacolândia

O Cavaco acabou de dar uma entrevista à Judite de Sousa (é impressão minha ou este tipo apareceu mais nos últimos meses, dos que nos três primeiros anos de mandato? Ai eleições, eleições a quanto obrigam...). Não vi. Não tenho pena. Na RTP N, minutos depois, começaram a "recordar" a entrevista. A que tinha acabado há minutos, para não dizer segundos. E um painel de não sei quantos preparava-se para analisar, interpretar, dissecar a intervenção de S.Exa. Cavaco. Mas antes, directo para a Assembleia da República para obter reacções dos partidos. O primeiro que sai na rifa é o palermóide do Aguiar Branco (a estas horas na AR? É só trabalho...ai eleições, eleições...), o qual refere que a entrevista do firme e hirto Presidente deixou mensagens importantes à Nação, e, em especial ao Governo. Este deve, assim, governar eficazmente, e apresentar soluções cabais ao povo português, orientando o país para fora desta situação. Mensagem importante não haja dúvida. É uma obrigação, uma competência inusitada e de todo inesperada para um Governo....Ai ai, tanto se fala, e tão pouco se diz. E o que é pior, tanto se fala das declarações de S.Exa. Cavaco, quando ele próprio ainda menos diz ou sabe, ou pode dizer.

terça-feira, março 09, 2010

O Óscar, sempre o Óscar....

I - A Regra

Nunca liguei muito aos Óscares, confesso. Não, não tenho nada contra, nem sequer acho que é uma palermice pegada feita por americanos e para americanos. É uma cerimónia que, apesar de tudo, celebra a 7ª Arte e, à boa maneira americana, junta todo um folclore colorido e explosivo à sua volta. Tudo muito bem. Mas, de facto, nunca perdi muito tempo com a transmissão da coisa em si. Lembro-me de há muitos muitos anos, numa galáxia bem distante, ter ficado a ver a transmissão em directo. Foi quando o Billy Crystal iniciou a série de apresentações da cerimónia, coisa que fez ainda durante uns bons anos. Era o que mais apreciava: a apresentação do espectáculo, verdadeiro exercício de stand up comedy (mas mais soft), onde o Crystal realmente se superava. E gostava de ver as imagens dos filmes candidatos, pois em tempos de “não-internet”, era um meio privilegiado para poder ver essas imagens. Mas devo dizer que nunca ficava até muito tarde; os comentários em directo (e as, por vezes, traduções simultâneas obtusas) impediam-me de ouvir o que realmente estava a ser dito, o que me aborrecia. Portanto, fui desinteressando-me da cerimónia em si. Mantive um ligeiro interesse de saber quem ganhou o quê, quem perdeu, etc e tal. Mas era (e é) uma curiosidade superficial, apenas por uma questão de cultura geral. Só para saber. O resultado final, em bom rigor, não me aquece nem me arrefece. “Ganhou o filme X. Ainda bem”. “Ganhou o realizador ou actor Y”. Ainda bem, parabéns”. Portanto há alguma dose de indiferença. Indiferença q.b., mas indiferença ainda assim.

II - A Excepção

Porém, em relação a esta regra, houve algumas excepções. Anos em que realmente me interessei pelo resultado final de algumas categorias, anos em que “torci” por este ou por aquele filme. Anos em que retirei um especial prazer por esta ou aquela vitória. Mais especificamente nas categorias “Melhor Filme” e “Melhor Realizador”, afinal, as categorias maiores.
E houve dois momentos em que realmente tive um especial prazer no resultado final. O primeiro foi em 1992 quando o “Unforgiven” de Clint Eastwood levou os Óscares de Melhor Filme e o de Melhor Realizador. Fiquei de facto contente, não só porque o filme era (e é) excelente, mas principalmente por ver chegar algum reconhecimento ao Eastwood, de que já era merecedor há anos. Sempre apreciei o trabalho do homem, e vê-lo ganhar foi assim como que uma confirmação da minha certeza.
Em segundo lugar, 2003: “Lord of The Rings – Return of the King” e o seu realizador Peter Jackson levaram ambos os prémios para casa. O que, mais uma vez, me deixou muito contente e com um refrescante sentimento de “justiça feita”, especialmente quando foi notório que o galardão foi entregue pela trilogia, e não apenas pela parte final. Mais uma vez, foi bom ver um filme que me entusiasmou tanto, ser reconhecido em geral. Não que houvesse necessidade de tal, mas, convenhamos, é sempre agradável.

III - A Vingança

E eis-nos chegados a 2010.
A vitória do “The Hurt Locker” traz um prazer duplo. Não só porque é um filme muitíssimo bom (e o meu preferido pessoal do ano), um bom filme de guerra mas que não se resume a meros tiroteios e violência em geral, mas também porque “sacou” os prémios todos ao “Avatar”. Ahahah. Bem feita! É que convenhamos, o “Avatar” ganhou os Óscares que merecia, a saber, os relativos a categorias técnicas. Porque é um prodígio tecnológico e de efeitos especiais. Um “colírio para os olhos”, uma experiência interessante e excitante. O único (e maior) defeito que tem é ter lá pelo meio das luxuriantes imagens 3D um arremedo de argumento, mal amanhado, vergonhosamente carente de ideias e que, quase toma o espectador por alguém que se contentará por ser bombardeado por belas imagens. É distractivo das tais imagens luxuriantes. “Argumento? Ninguém vai dar pela falta com tanta imagem fantástica que o filme vai ter!” Pois. Mas há quem dê pela falta. Seria, então, mais interessante fazerem uma espécie de documentário 3D, e terem-nos poupado às aventuras e desventuras algo obtusas das personagens tristemente 2D.
Nada tenho contra blockbusters americanos, e muito menos contra filmes cujo propósito assumido é o entretenimento puro (não foi esse o objectivo inicial e primordial do cinema?), mas que diabos, é preciso juntar mais alguns ingredientes para se tornar um prato realmente delicioso.
Não, não acho o filme assim tão horroroso. É merecedor de visionamento e de figurar numa nota de rodapé da história do cinema. Mas que diabos, não é DE TODO merecedor de ser considerado O melhor filme do ano. Porque não é. Como filme narrativo é bastante constrangedor. Por mais fantástica que seja…a tecnologia nunca vai substituir um bom filme, com uma história interessante, personagens com os quais o espectador realmente cria uma ligação, algo com mais densidade no fundo. O copy/paste, por mais state-of-the-art que seja, será sempre copy/paste.
A seu favor, e justificativo da tal futura e eventual referência em rodapé, apenas posso dizer que sim senhor, é uma maneira revolucionária de fazer cinema, talvez o futuro da indústria. Sim senhor, desbragou território. Agora é esperar que alguém pegue nesta primeira experiência e faça um filme a sério. Um filme propriamente dito.


domingo, outubro 04, 2009

Graham Chapman: 8 de Janeiro de 1941 - 4 de Outubro de 1989


From Wikipedia:
Mais tarde, nas suas digressões por universidades, Chapman disse que quando anunciou publicamente a sua homossexualidade, uma espectadora escreveu para os Monty Python a queixar-se que tinha ouvido dizer que um dos membros do grupo, que segundo ela não se tinha dignado a revelar a identidade, era gay. Juntamente com a carta, a espectadora enviou cerca de 20 páginas de orações que, se fossem repetidas todos os dias, poderiam salvar o membro em questão do Inferno. Eric Idle, ciente da orientação sexual do amigo, enviou uma carta à espectadora onde dizia “Descobrimos quem era e matámo-lo.” Mais tarde, no seu livro, A Liar’s Autobiography, Chapman escreveu, em tom de brincadeira que como John Cleese não entrou na temporada seguinte de Flying Circus, a mulher deve ter levado a carta a sério.

Uma das minhas memórias mais antigas: a de ver o Graham Chapman a ser atormentado por um cruel e gozão John Cleese no sketch "Silly Job Interview":

RIP

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segunda-feira, agosto 10, 2009

RIP Raul Solnado

No meio de toda esta torrente vertiginosa de posts, não quero, não posso, deixar de dizer qualquer coisa para e pelo Raul Solnado que faleceu esta semana.
Não tenho idade suficiente para me lembrar do famoso "Zip Zip", aliás, não sou sequer desse tempo, pelo que ter qualquer memória seria de todo impossível.
Mas obviamente que, durante anos e anos, ouvi falar desse programa de televisão, quer da boca dos meus pais ou avós, quer na própria televisão.
E as imagens que vi, excertos mais ou menos longos, não me deixaram qualquer dúvida sobre a real importância desse programa na televisão de então e, acima de tudo, não me deixaram quaisquer dúvidas sobre o seu verdadeiro carácter revolucionário e inovador a todos os níveis. Carácter esse que o não torna num programa de televisão de forma alguma datado, mas sim num programa que ainda hoje seria actual e que facilmente bateria 99,9 % do entulho televisivo que actualmente entope os nossos aparelhos.
E grande parte desse carácter deveu-se, mais uma vez sem sombra de dúvida, ao talento do Raul Solnado.
A primeira memória que tenho dele remonta a uma longínqua sexta-feira em que eu, miúdo, banho tomado, pijama e roupão vestidos, fui autorizado pelo poder parental a ficar levantado até mais tarde a ver a representação televisiva da peça "Há Petróleo no Beato". Talvez por ser uma peça tenha obtido tal indulgência...sempre era melhor que o Rambo, ou qualquer outro filme de porrada.
Bom, a verdade é que hoje lembro-me menos da narrativa da peça do que da sensação de gozo e diversão que tive a ver aquilo. Mais do que a história em si, lembro-me de ter gostado imenso a peça e, em especial, o actor que fazia de chefe de família em cujo lar era descoberto petróleo.
Desde então o Raul Solnado sempre foi uma daquelas figuras queridas e simpáticas. Um tipo da televisão com piada e com uma cara, expressão, atitude e discurso de boa pessoa, de simpatia e de integridade.
Lembro-me, mais tarde, de estranhar vê-lo a fazer de inspector da PJ na "Balada da Praia dos Cães" e, hoje, é essa a memória mais viva que tenho do filme, curiosamente.
Desde então vi-o e ouvi-o em vários sítios e ambientes, sempre com grande prazer e respeito. Era difícil não simpatizar com a figura dele, com a cara de menino reguila e traquina que sempre teve mesmo nos últimos anos. Últimos anos esses que foram revelando uma fragilidade pungente e preocupante.
Agora que já não está entre nós vejo e oiço X e Y tecerem os costumeiros elogios e referirem o privilégio, o prazer e a honra que tiveram e sentiram por trabalhar com ele, ou por privarem da sua companhia.
E acredito verdadeiramente desta vez. Não consigo conceber que alguma daquelas personalidades diga tal "da boca para fora".
Seja como for, é como tudo na vida. Agora que se foi é que se sente a falta e importância dele. Mas a verdade é que antes não foi nada bem aproveitado pela televisão. Enfim. É assim a vida. Portugal ficou mais pobre definitivamente.

segunda-feira, maio 04, 2009