sexta-feira, novembro 28, 2008

Redemption


Há 10 anos atrás, mais ou menos, quase (eu disse quase!) que se falava de Heavenwood e Moonspell como dos The Beatles e dos The Rolling Stones nos anos 60/70. Uma espécie de competição não declarada, proporcionada pela excelência das duas bandas que se destacavam no panorama metálico nacional. É algo exagerado talvez, mas era essa a minha percepção. Os Moonspell já estavam a iniciar a sua ascenção ao topo quando os Heavenwood lançam o brilhante álbum de estreia "Diva", em 1996. Os ingredientes não eram novos, mas o resultado final (e a qualidade do mesmo) eram pouco usuais na altura.
Na mesma altura os Moonspell enveredaram por caminhos mais "góticos" com o "Irreligious" e a comparação era inevitável. Porém, por muito bom que o "Irreligious" fosse (e é), sempre preferi a sonoridade mais gélida do "Diva". Gótico? Não sei, mas era arrastado e melódico, diferente do resto.
Em 1997, com o "Swallow" os Heavenwood surpreendem ao contar com dois convidados de peso: Kai Hansen (aka Deus) e Liv Kristine. E desta vez não tive qualquer dúvida. Apesar de ainda mais gótico, o "Swallow" era consideravelmente melhor que o "Butterfly Effect" dos Moonspell.
Os Heavenwood eram assim considerados como a "next big thing" do metal português, com dois álbuns extremamente "exportáveis".
Porém, a isto tudo seguiu-se o silêncio. Um hiato de 10 anos, quebrado apenas agora com este "Redemption" que me está a sair um álbum do caraças.
E, se por um lado, a qualidade elevada deste disco, evolução lógica dos outros dois, quase que faz esquecer estes 10 anos de espera, por outro é inevitável a pergunta: onde estariam osd Heavenwood hoje se não tivesse havido este hiato?
Talvez não valha a pena perder tempo com esta questão. A verdade é que com este "Redemption" eles estão de volta e com qualidade suficiente para chegarem longe outra vez. E bem merecem esta segunda oportunidade, porque qualidade musical assim nem sempre aparece com tanta consistência.
"Redemption" é não só uma continuação do que ficou para trás, mas também um disco que consegue refinar ainda mais essas qualidades e virtudes dos dois álbuns anteriores. Não tão Death/Doom como o "Diva", não tão Gothic como o "Swallow", este álbum condensa bem aquelas duas vertentes. Sim, as raízes não são novas, mas é mais uma vez o resultado final,a apresentação, que contam. "Redemption" mostra uma banda que sabe bem o que quer e para onde quer ir.
Aquele Doom/Death melódico do primeiro álbum cntinua presente, bem como os tais elementos mais góticos do do segundo, mas surgem aqui muito bem mesclados, criando uma sonoridade, mais uma vez, única entre nós. O Gus G. dos Firewind, Jeff Waters dos Annihilator e Tijs Vanneste dos Ocean of Sadness, entre outros, devem concordar, e dão excelentes contribuições no álbum.
A música continua bastante dark e soturna, mas o ritmo mais pesado equilibra-se na perfeição com a melodia, da mesma maneira que as vozes mais rasgadas do vocalista se combinam bem com a voz melódica do guitarrista.
Enfim...foram, se bem me lembro, a primeira banda portuguesa a tocar no Wacken Open Air em 1998. Eu vi-os num singelo showcase na Fnac do Colombo, há mais de 10 anos. Agora, finalmente, um concerto como deve ser. The redemption after all.


Bridge to Neverland ("Redemption"):




Emotional Wound ("Diva"):


Season '98 ("Swallow"):




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2 comentários:

Anónimo disse...

eu vi os gajos ha 3 uns anos em alenquer. estva para sair o album desde então. n sei o que se passou entretanto.

Qtº a comparações com Mooonspell. Estes, como sabes,gravaram por um francesa muito cedo, e depois pela century. Heavenwood foi a 1º banda tuga a tocar em wacken. De resto, n é comparavel, porque Moonspell qd gravou o irreligious, já tinha lançado o melhor album de metal portugês de sempre. Tu sabes qual é.

De resto, caro amigo, gótico é arquitectonico, literario, musicalmente não vejo qualquer parecença de Monnspell ou Heavenwood com Bauhaus ou Sister of Mercy

Bola Oito disse...

LOL

Eu já calculava que a referência ao "gótico" te ia chamar a atenção! :)

É claro qe sim, que tens razão. E quem me conhece sabe bem que não tenho paciência para etiquetar as coisas. Mas confesso que é uma "muleta" assaz tentadora e de fácil acesso e uso. Às vezes dá jeito.
Portanto, a referência ao gótico é apena para dar um certo tipo de enquadramento. Nao é um dogma.

Quanto ao resto, sim, é verdade, tb me deu a sensação que estava a exagerar um pouco na abordagem do assunto, mas olha, não tato pelo que eu penso hoje, mas mais como um "recuerdo" do que eu pensava na altura. Não são de todo comparáveis de facto, no entanto, na altura eram um pouco, nem que fosse por serem as bandas emergentes de maior nota.

Seja como for, é realmente o que eu sentia na altura. E lembro-me de discutir isto com os Matias Bros no café da Fnac e haver uma gaja que se vira para mim e diz exactamente isso: "Pq é que se tem de estar a comparar? Não são comparáveis!"

LOL

Memories.....

:)