quarta-feira, maio 20, 2009

Mood of these days

Dont want to be a richer man
Just gonna have to be a different man
Time may change me
But I cant trace time


As pessoas entram e saem da nossa vida a um ritmo assustador. Umas saem, outras entram, outras desapontam-nos e desiludem-nos, outras simplesmente tornam-se indiferentes a nós. É mesmo estranho. Felizmente umas quantas, poucas, vão ficando. Poucos mas bons, lá diz o ditado. Um dia, há muitos anos, numa aula de Trabalhos Manuais (sim, chamava-se assim no Pré-Cretáceo) o professor, na aula de apresentação, disse-me que eu tinha a cara das pessoas que quando se tornam amigos de alguém o serão lealmente para sempre. Lembro-me deste episódio algumas vezes. Obviamente que é um elogio, mas dou comigo a pensar se será sempre assim. É claro que há os que são meus amigos há anos e anos e, pelo que tudo indica, continuarão a sê-lo até nos encontrarmos no lar de terceira idade a trocar bengaladas e a atirar arrastadeiras uns aos outros. No entanto, parece que são mais as pessoas que vão ficando para trás (ou serei eu que vou ficando para trás?) e que os vários grupos onde me fui inserindo à medida que a vida discorria foram-se dissolvendo. Não deixa de ser estranho por vezes, pensar em A ou em B e lembrar-me do tempo que passámos juntos e das situações porque passámos e que nos ligavam então, para agora, tudo se ter desvanecido como se de sonhos se tratasse. O que diabo me ligava a esta ou àquela pessoa e que agora não me liga de todo? Isto a propósito dum telefonema dum amigo, já de anos, com o qual vou mantendo um contacto esporádico via telefone. Falámos a propósito do seu iminente casório e pouco mais havia a dizer a não ser os costumeiros "Então, e de resto? Está tudo bem?", "E que tal o trabalho?". E não, não sou o tipo de pessoa que quer saber quanto custa uma lua de mel para o sítio X e que é uma "pipa de massa", mas pelo menos é diferente. Sim! Fiquei feliz por alguém ter escolhido um sítio que eu escolheria em detrimento de um outro para onde toda a gente vai. Mas que diabos, não era preciso falar tantas vezes do dinheiro. Não me interessa e, francamente, não me impressiona de todo. Já me deviam conhecer. Mas vai daí, penso que há cada vez menos pessoas que me conhecem.
Anyway, divago. Este caso até nem é dos piores, porque, apesar de afastados, um contacto mínimo foi mantido e se esse contacto é aguentado neste últimos anos, apenas e só com base num passado comum (que o presente já é tão diferente), já não é mau; pior é mesmo um outro caso, em que o contacto cessou pura e simplesmente. Fiquei a saber que um outro amigo foi pai há dois dias. Fiquei feliz por saber que correu tudo bem. Mas já é praticamente um estranho. Que nem sequer informou do nascimento do seu petiz. E eu não lho levo a mal. Este tipo de afastamentos não é unilateral regra geral.
É isso. As pessoas mudam, transformam-se, deixam de querer isto para passar a querer aquilo; deixam de viver assim, para passar a viver assado. As pessoas mudam. Eu mudei, claro. Mas não posso deixar de pensar: será que mudei assim tanto? É que há certas coisas que continuo a ver de determinada maneira, certas opiniões que continuam a ser as minhas, determinada maneira de ver a vida e vivê-la que já trago comigo há muitos anos. Uma espécie de "esqueleto espiritual". É verdade que estou comigo todos os dias, o que dificulta a percepção destas coisas. Albergarei eu tantas mudanças como aquelas que eu vejo nestes amigos? Será que ainda vou mudar tanto que me dedique exclusivamente a falar de dinheiro, de carros, de mobiliário, de trabalho e de ambições? Não sei mesmo. Por outro lado, será isto "eu"? Não é que me queixe, gosto cá do "je", em traços largos....mas é como o outro dizia.: estranha forma de vida, por vezes.

Time may indeed change me
But i can't trace time....



CHANGES

Still don't know what I was waiting for
And my time was running wild
A million dead-end streets and
Every time I thought I'd got it made
It seemed the taste was not so sweet
So I turned myself to face me
But I've never caught a glimpse
Of how the others must see this faker
I'm much too fast to take that test

Ch-ch-ch-ch-changes
(turn and face the strain)
Ch-ch-changes
Don't want to be a richer man
Ch-ch-ch-ch-changes
(turn and face the strain)
Ch-ch-changes
Just gonna have to be a different man
Time may change me
But I can't trace time

I watch the ripples change their size
But never leave the stream
Of warm impermanence
So the days float through my eyes
But still the days seem the same
And these children that you spit on
As they try to change their worlds
Are immune to your consultations
They're quite aware of what they're going through

Ch-ch-ch-ch-changes
(turn and face the strain)
Ch-ch-changes
Don't tell them to grow up and out of it
Ch-ch-ch-ch-changes
(turn and face the strain)
Ch-ch-changes
Where's your shame
You've left us up to our necks in it
Time may change me
But you cant trace time

Strange fascination, fascinating me
Ah changes are taking the pace I'm going through

Ch-ch-ch-ch-changes
(turn and face the strain)
Ch-ch-changes
Oh, look out you rock n rollers
Ch-ch-ch-ch-changes
(turn and face the strain)
Ch-ch-changes
Pretty soon now you're gonna get a little older
Time may change me
But I can't trace time
I said that time may change me
But I can't trace time

.

5 comentários:

Poser´s Hunter disse...

O teu professor tinha razão.És um bom amigo.Genuíno!

Abraço.

maria condado disse...

não mudes muito !

Bola Oito disse...

Obrigado...

shandaya disse...

Incrível,como conseguiste escrever o que se passa tão claramente, á nossa volta e que todos acham normal, percebo exactamente do que falas e também me pergunto se sou só eu que me sinto a mesma e o mundo é k muda ou sou eu que estagnei.gostei de ler...

Bola Oito disse...

Obrigado shandaya.... obrigado.

:)