sexta-feira, maio 01, 2009

Che - The Argentine/Guerilla


Isto é "trabalho" atrasado. Enfim, é mais por completismo obsessivo-compulsivo, mas que se lixe, cá vai.
O novo filme de Steven Soderbergh é isso mesmo: um filme, repartido em dois. Estrearam com meras semanas de intervalo entre eles. E são, em certa medida, um bom complemento aos "Diários da Motocicleta" de Walter Salles, de aqui há uns anos. Mas são filmes em tudo diferentes. Até porque baseados em períodos diferentes da vida do mesmo personagem, Ernesto "Che" Guevara. Se, nos "Diários..." vemos a juventude de Che, e a construção paulatina dos ideais e princípios que nortearão a sua vida, nos filmes de Soderbergh vemos a aplicação prática dos mesmos. Diferentes ainda porque os "Diários..." têm maiores preocupações narrativas, de apresentação de personagens, de contar uma história, enquanto que em "Che", Soderbergh adopta um estilo quase de documentário, quase de diário do dia a dia, primeiro em Cuba e depois na Bolívia (ou não fossem ambos os filmes cada um baseado nos respectivos diários escritos por Che). São filmes em que "caímos" quase de pára-quedas. Exigem talvez um certo conhecimento da vida e andanças de Che (embora o desconhecimento não prejudique em nada o visionamento).
Gostava de poder dizer que adorei os filmes, mas não o posso fazer. São, inegavelmente bons, e o trabalho de Benicio Del Toro, só por si, justifica ir ver o filme, porém, há ali qualquer coisa que me impediu de me envolver no filme, algo que me fez um mero espectador. O filme parece-me ser a transposição fiel do próprio estilo literário de Che. Já tentei ler um dos seus diários (não me lembro qual) mas confesso que tive de desistir a dado passo. Era um diário na verdadeira acepção da palavra, muito descritivo e telegráfico. Muitas entradas com dados estratégicos e geográficos, etc etc. O filme de Soderbergh adopta o mesmo estilo em certa medida., em especial a segunda parte.
Todavia, não deixa de ser uma obra que se vê muito bem. A figura de Che Guevara, já se sabe, tem sido cada vez mais romanticizada, estilizada e apropriada. E gostei de ver que Soderbergh não entrou muito por esse caminho. O estilo "documental" ajudou a evitar cair nesse erro. Aliás, não deixou de surpreender que na primeira parte evita-se mostrar o maior triunfo que foi a tomada de Havana. Em suma, um filme interessante, especialmente para quem tenha curiosidade e vontade de conhecer.

The Argentine:



Guerilla:

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