Tenho visto muitos concertos, demasiados para me lembrar de todos. Mas certamente que já tive a minha dose de concertos péssimos, concertos mauzitos, concertos chatos, concertos bons, concertos muito bons, concertos excelentes mesmo. Concertos especiais é que já são mais raros. Especiais no sentido de se tornarem algo que é um privilégio, quase uma honra poder ver, ouvir e sentir. Um momento especial, um concerto que, por acaso, porque todos os factores e requisitos convergem, porque todos os planetas estão alinhados ou o que quer que seja, não será apenas mais um concerto para cumprir calendário, mas sim, algo único. Estes são mesmo raros.
É claro que concertos de Iron Maiden são sempre especiais à sua maneira. Mas são diferentes. O tipo de sentimentos e emoções são diferentes. É uma situação totalmente diferente daquela que ontem tivémos o real privilégio de assistir na Incrível Almadense.
Ontem os Anathema surpreenderam-nos e, acima de tudo, surpreenderam-se connosco. Um concerto digno de figurar numa eventual lista dos "10 Melhores Concertos da Minha Vida".
É raríssimo ver um concerto assim, repito. Especialmente quando não se está à espera. Sim, gosto, e sim, os dois concertos deles que já vi foram muito bons, mas este foi, something else....que concerto fabuloso, extraordinário, único, brilhante, sei lá.
A surpresa começou logo com a quantidade de gente que estava na sala. Cheia, mas não demasiado (ainda assim o calor foi imenso) mas lotação praticamente esgotada, plateia e primeiro friso. Não contava com tanta gente.
Quando os Anathema iniciaram o concerto ninguém esperava o que por aí vinha...foi nítido que as pessoas presentes eram, na sua maioria, fãs da banda. Porém não se tratou daqueles casos em que a banda tem o público na mão desde o primeiro minuto. Fãs sim, mas o que veio depois à medida que o concerto se desenrolava, foi algo construído de parte a parte.
A interacção e partilha da música e do espaço entre a banda e o público foi gradual, em crescendo, de tal forma que o público, nós, fizémos efectivamente parte da banda, como nunca tinha visto ou experimentado. É raro também ver e fazer parte duma audiência assim.
A surpresa da banda foi evidente. Nas primeiras canções, quando repararam que boa parte da sala cantava as letras em uníssono ficaram espantados...mas foi com a "Lost Control" que eles se passaram de vez com o público.
Passados estes primeiros momentos de espanto foi extraordinário ver como uma banda profissionalíssima e com rodagem soube aproveitar o que lhes foi oferecido. Foi extraordinário ver a banda tomar consciência que podiam confiar plenamente neste público e explorar isso eficazmente, dando-nos espaço para participar activamente.
Porém, com a "One Last Goodbye", que foi escrita sobre a morte da mãe dos três irmãos Cavanagh da banda o concerto tornou-se algo de irrepetível e único. Foi o 'descalabro' emocional. Vincent Cavanagh, o vocalista, deixou espaço para o público cantar um verso e a resposta foi tão avassaladora, total e arrepiante que o gajo limitou-se a parar de cantar e ficou ali a olhar para nós de olhos arregalados e de mão a tapar a boca em total perplexidade e de tal maneira emocionado que lágrimas lhe escorriam pela cara. Acabou por 'fugir' para perto da bateria e mais tarde gozou com o facto, mas naquele momento foi a emoção pura e dura.
E estamos a falar duma banda que já anda aí desde os anos 90! O gajo simplesmente emocionou-se tanto que não conseguiu cantar o resto da música, pelo que foi o público que a acabou, palavra por palavra, em úníssono e bem alto, para total surpresa da banda.
Daí a raridade do concerto. A banda deu tanto como o público, e quanto mais este foi dando, mais a banda dava ainda até ao final apoteótico. Só não tocaram mais porque já não podiam, e já tínhamos mais de duas horas em cima. Duas horas muito intensas e emotivas. Era notória a relutância do público em abandonar a sala, e da banda em abandonar o palco.
E no fim, tornou-se evidente que a noite tinha sido diferente, especial, quer para nós, como para eles. Os agradecimentos foram muito contidos e breves em palavras, e ainda bem. Não havia necessidade dos costumeiros "vocês são o melhor público de sempre" ou "este foi o melhor concerto de todos". Não. Less continua a ser more. Bastou ver as caras de felicidade, o comportamento, a relutância em sair do palco, o pedido para que todos se dirigissem à after party e um singelo agradecimento emocionado de Vincent pela "noite muito especial".
É claro que concertos de Iron Maiden são sempre especiais à sua maneira. Mas são diferentes. O tipo de sentimentos e emoções são diferentes. É uma situação totalmente diferente daquela que ontem tivémos o real privilégio de assistir na Incrível Almadense.
Ontem os Anathema surpreenderam-nos e, acima de tudo, surpreenderam-se connosco. Um concerto digno de figurar numa eventual lista dos "10 Melhores Concertos da Minha Vida".
É raríssimo ver um concerto assim, repito. Especialmente quando não se está à espera. Sim, gosto, e sim, os dois concertos deles que já vi foram muito bons, mas este foi, something else....que concerto fabuloso, extraordinário, único, brilhante, sei lá.
A surpresa começou logo com a quantidade de gente que estava na sala. Cheia, mas não demasiado (ainda assim o calor foi imenso) mas lotação praticamente esgotada, plateia e primeiro friso. Não contava com tanta gente.
Quando os Anathema iniciaram o concerto ninguém esperava o que por aí vinha...foi nítido que as pessoas presentes eram, na sua maioria, fãs da banda. Porém não se tratou daqueles casos em que a banda tem o público na mão desde o primeiro minuto. Fãs sim, mas o que veio depois à medida que o concerto se desenrolava, foi algo construído de parte a parte.
A interacção e partilha da música e do espaço entre a banda e o público foi gradual, em crescendo, de tal forma que o público, nós, fizémos efectivamente parte da banda, como nunca tinha visto ou experimentado. É raro também ver e fazer parte duma audiência assim.
A surpresa da banda foi evidente. Nas primeiras canções, quando repararam que boa parte da sala cantava as letras em uníssono ficaram espantados...mas foi com a "Lost Control" que eles se passaram de vez com o público.
Passados estes primeiros momentos de espanto foi extraordinário ver como uma banda profissionalíssima e com rodagem soube aproveitar o que lhes foi oferecido. Foi extraordinário ver a banda tomar consciência que podiam confiar plenamente neste público e explorar isso eficazmente, dando-nos espaço para participar activamente.
Porém, com a "One Last Goodbye", que foi escrita sobre a morte da mãe dos três irmãos Cavanagh da banda o concerto tornou-se algo de irrepetível e único. Foi o 'descalabro' emocional. Vincent Cavanagh, o vocalista, deixou espaço para o público cantar um verso e a resposta foi tão avassaladora, total e arrepiante que o gajo limitou-se a parar de cantar e ficou ali a olhar para nós de olhos arregalados e de mão a tapar a boca em total perplexidade e de tal maneira emocionado que lágrimas lhe escorriam pela cara. Acabou por 'fugir' para perto da bateria e mais tarde gozou com o facto, mas naquele momento foi a emoção pura e dura.
E estamos a falar duma banda que já anda aí desde os anos 90! O gajo simplesmente emocionou-se tanto que não conseguiu cantar o resto da música, pelo que foi o público que a acabou, palavra por palavra, em úníssono e bem alto, para total surpresa da banda.
Daí a raridade do concerto. A banda deu tanto como o público, e quanto mais este foi dando, mais a banda dava ainda até ao final apoteótico. Só não tocaram mais porque já não podiam, e já tínhamos mais de duas horas em cima. Duas horas muito intensas e emotivas. Era notória a relutância do público em abandonar a sala, e da banda em abandonar o palco.
E no fim, tornou-se evidente que a noite tinha sido diferente, especial, quer para nós, como para eles. Os agradecimentos foram muito contidos e breves em palavras, e ainda bem. Não havia necessidade dos costumeiros "vocês são o melhor público de sempre" ou "este foi o melhor concerto de todos". Não. Less continua a ser more. Bastou ver as caras de felicidade, o comportamento, a relutância em sair do palco, o pedido para que todos se dirigissem à after party e um singelo agradecimento emocionado de Vincent pela "noite muito especial".
Assim é que é.

6 comentários:
Karammba! Quase me apetece ser metálica,pá. Não me perguntes porque li eu um texto inteiro sobre uma banda de metálicos alucinados...
Não tenhas duvidas que o metal é mesmo bom! e é com estes excelentes concertos que marcam a história de um excelente grupo. Eu estive junto ao palco e vi, emoção e muito mais, foi um espectáculo completo.
Ruy
Também lá estive. Foi mágico sem dúvida. Palavras para que
Ora Marques! Só fazes bem em ler, em especial textos de tão elevada lavra! lol
E obrigado Ruy e Ana.
Das melhores reviews que vi de um concerto.
Fica aqui a minha :-)
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