domingo, outubro 19, 2008

My Enemy's Enemy



O Doc Lisboa está aí. E desta vez com muita coisa realmente interessante. É como eu já disse...entre filmes normais, os ciclos da Cinemateca (Carpenter yeah!) e os documentários do Doc Lx, tinha programa para todos os dias e noites. Não fazia mais nada. Mas pronto, seja como for, já me fizeram o favor de esgotarem o filme de encerramento, "Maradona" do Kusturica, pelo que, com esse já não tenho de me preocupar. Enfim, mas é melhor ir por partes.
Hoje deu para ir ver este, "My Enemy's Enemy", um documentário sobre Klaus Barbie, o oficial da Gestapo, mais onhecido como o "Carniceiro de Lyon".
Mas mais do que isso, mais do que acompanhar resumidamente os feitos infames de Barbie, o documentário mostra a hipocrisia moral e política a que o fim da Segunda Guerra Mundial deu lugar. Dois blocos em confronto, histéricos, histriónicos e permanentemente desconfiados. Se é verdade que a Segunda Guerra Mundial pode, um pouco ingenuamente claro, ser vista como uma batalha fundamental contra o Mal encarnado e personificado, a verdade é que ainda mal tinha acabado e o Mundo já tinha mudado. A hipocrisia dos "fins justificam os meios" (afinal, também uma parte da ideologia nazi) foi adoptada pelos Aliados vencedores, mais concretamente, claro, pelos americanos.
Isto tudo para dizer que o documentário mostra como no final da Segunda Guerra, Klaus Barbie foi ostensivamente protegido pelos americanos, não só pela sua suposta experiência e conhecimentos sobre os comunistas, mas também pela sua confirmadíssima experiência em técnicas de interrogatório e tortura. No meio do histerismo do início da Guerra Fria qualquer coisa valia para deter o maléfico império vermelho. Até dar guarida ao antigo inimigo. Mais ou menos o que os americanos fizeram com os iraquianos na Guerra Irão Iraque, ou com os afegãos aquando da invasão russa do Afeganistão. O inimigo do meu inimigo meu amigo é, lá diz o adágio. É uma grande verdade, mas neste caso, foi levado a níveis de extrema hipocrisia.
Barbie acabou por trabalhar para o CIC, uma espécie de pré-CIA, e quando as coisas apertaram, fugiu, com a ajuda de uma organização católica, comandada por um cardeal do Vaticano, para a Bolívia, onde viveu 30 anos. Os suficientes para se imiscuir na política nacional boliviana, prestar auxílio e aconselhamento variado à polícia secreta, e praticamente prganizar os primórdios de um IV Reich nos Andes. Já para não falar -por não ser confirmado- no auxílio importante prestado por ele na busca, apreensão e morte de Ernesto 'Che' Guevara.
Um documentário impressionante, sobre a frieza dos homens....não só dos que assassinaram indiscriminadamente, mas sobretudo, sobre os que tiveram a capacidade de pôr esses eventos para trás, e trabalhar com tais assassinos.

Sem comentários: