"District 9", um filme do (pelo menos para mim) desconhecido Neill Blomkamp. Grande, mas grande surpresa. Um gajo sai do trabalho numa qualquer Segunda-Feira e está-lhe a apetecer ver um filme para espairecer. O "District 9", mesmo trazendo o peso pesado (agora já menos, parece que fez dieta lol) do Peter Jackson, pareceu-me ser um bom filme para descansar as meninges. Com bichos a calcorrearem a Terra, violência, tiros e porrada em geral! Mas e esta hem? É isso tudo e MUITO mais!
Um filme surpreendentemente inteligente, que prende imediatamente o pessoal ao ecrã. Muito bem imaginado o argumento que, parte duma premissa conhecida e batida: a presença de alienígenas na Terra, mas dá-lhe uma reviravolta completa. Assim, os alienígenas desta história não querem conquistar o planeta, ou destruir a raça humana. São meros náufragos com um aspecto nojento que recebidos pelos humanos, acabam por ser relegados para bairros de lata, verdadeiros ghettos e campos de concentração, visando retirá-los do convívio com os seres humanos. São considerados seres inferiores dignos, no mínimo, de pena e dó. E o mais ironicamente interesante de tudo: o filme deixa as paisagens urbanas dos EUA (já farta) e centra o filme em Joanesburgo, África do Sul, outrora a capital do...pois, Apartheid. "Ah, pois, isso é tão óbvio e o camandro a sete". Pois, será óbvio, mas nunca ninguém o fez, nem se lembrou. Portanto, a ideia é, a todos os níveis, brilhante.
A estrutura de documentário que apresenta o filme também não será original, mas diabos me levem se não é a maneira de apresentação mais eficaz. A história desenvolve-se por meio de entrevistas a pessoas, e bocados de reportagens, entrecortadas com a narrativa que o tal suposto documentário pretende reportar. Complicado? Parece mas não é. A ironia de ver africanos a falarem de forma insultuosa e derrogatória em relação aos "aliens" continua a ser pouco subtil, mas, ainda assim, original. E se há coisas que me fazem tilintar as sinapses são ideias originais bem feitas.
Por fim, a ironia da desumanidade da humanidade também já foi por demais explorada, mas nunca levada até este extremo: o protagonista só encontra a sua humanidade espiritual ou interior, quando começa a perder a sua humanidade exterior e a transformar-se num monstro. Qual o maior monstro, aquele que o aparenta, ou aquele que disfarça, etc e tal. Tudo isto bem regado com uma boa dose de efeitos especiais, acção, violência e emoção a rodos. Em suma: um filme quase perfeito.
Como curiosidade acrescida, eis algo que deve constar dum extra dum futuro DVD: o filme foi baseado numa curta feita pelo mesmo realizador, onde as premissas básicas do filme foram pela primeira vez apresentadas:
Trailer
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6 comentários:
concordo com...bem, basicamente, com tudo o que disseste! saí do filme com a nítida sensação de que, se um dia naufragar cá alguém, será tratado exactamente assim! e a falta de nomes sonantes acaba, de alguma forma, por ser uma mais-valia
Pois é. Dá uma ar ainda mais de "documentário" à coisa.
Man, this seems like an awesome movie. I gotta see it!
Staffan, i'm pretty sure you'll like the movie. The idea is quite original, and it's well made, docummentary style, with no stars whatsoever. It feels real. And the irony of setting it in South Africa is very cunning! :)
I wonder if this is a sort of spin-off from Bessons "Distric 13" (well, he produced it) movie?
A spin off? Hmmm. I wouldn't say so. The only thing they have in common is the word "district" on the title. I may be wrong, because i haven't seen District 13 (Banlieu 13), but from the trailer it seems a different kind of movie. :)
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