quinta-feira, março 26, 2009

Happy Go Lucky

Digamos que uma destas Segundas-Feiras passadas estava a fazer jus aos seus aspectos mais caracteristicamente negros, depressivos e neuróticos. Felizmente a cura surgiu, primeiro com os esforços incansáveis e inestimáveis de uma princesa que eu cá sei e depois com este filme. "Happy Go Lucky", ou "Um Dia de Cada Vez" na tradução portuguesa. Perde um pouco de força esta tradução. Por um lado, tem algum sentido de facto, mas acaba por ser uma tradução demasiado séria, o que contrasta com o tom geral, e a ideia, do filme. Não, não é uma comédia, mas é um os melhores feel good movies de sempre.
Poppy é uma professora primária sempre bem disposta, sempre optimista, sempre com um sorriso nos lábios para toda a gente, amigos ou desconhecidos. Sempre pronta a aceitar as coisas menos más da vida como algo inevitável por vezes e capaz de ver o lado bom em tudo o que surge. Alguém, no fundo, com uma crença inabalável na alegria de viver e uma esperança refrescante na felicidade simples.
Tudo isto vimos nós a saber à medida que o filme se desenvolve, porque à partida (e falo por mim) Poppy aparece-nos como uma rapariga algo desmiolada, despreocupada, meio destravada e semi irresponsável. Alguém que parece estar constantemente pedrada, tal é a felicidade que tem em viver. Não parece ter qualquer preocupação nem problemas. Está-se a ver o género, uma cabeça no ar. Do género IRRITANTE. Aquele tipo de pessoa que poderiam meter conversa connosco, de repente e do nada, e que nos pareceria imediatamente uma 'maluquinha alegre'. É precisamente essa a primeira impressão com que ficamos. Exactamente como o empregado da livraria onde ela entra no início do filme e com quem tenta meter conversa, apenas para receber olhares aborrecidos e monossílabos enfadados. Nós somos esse empregado. Consigo perfeitamente imaginar-me no lugar desse empregado, ocupado com os seus afazeres e problemas e sem a mínima paciência para estar a dar conversa a uma pessoa aparentemente metediça e alucinada que não se conhece de lado nenhum. Uma maluca desajustada do resto do Mundo.
Mas, e aqui reside um dos pontos interessantes do filme, assim que vamos avançando na história e à medida que vamos conhecendo a personagem, concluímos que não podíamos estar mais enganados e torna-se difícil não ser conquistado pela alegria de Poppy. Principalmente quando se concluí que não é ela a 'desajustada', mas sim os outros que preferem arrastar-se em poças de auto comiseração e negativismo em geral.
Poppy revela-se, afinal, uma pessoa ponderada, contemplativa e cuidadosa, consciente das suas responsabilidades e, acima de tudo, feliz por ser exactamente quem é e por se manter fiel a si mesma. E é exactamente por isso que é ela que acaba por ganhar mais. Por saber quem é, e saber esperar pelo que a vida lhe traz. Inspirador. E romântico também.
Sim, realmente é impossível sair deste filme com outra sensação que não a de total boa disposição e esperança.



1 comentário:

Anna disse...

Thanks for another great review! Vou ver este filme no Domingo! :-)