quarta-feira, novembro 23, 2011

Tintin




Confesso que nunca fui "aquele" fã do Tintin. Gosto dos desenhos, das personagens, de algumas histórias e tal, mas sempre faltou ali qualquer coisa para fazer o clic. Talvez para isso tenha contribuído o primeiro livro que li como deve ser do Tintin, "As Jóias de Castafiore", onde, basicamente, não acontece nada, o que me aborreceu imenso. Só tempos depois, e graças ao Independente, que ofereceu uma série de volumes, em fascículos, que eu, depois, competenetemente mandei encadernar, tomei contacto com as histórias que realmente importavam. Ou algumas pelo menos. E, felizmente, o Spielberg também achou o mesmo e o seu filme abrange, precisamente alguns dos livros que eu aprecio do Tintin ("O Tesouro de Rakham o Terrível" e "O Segredo do Licorne"). Há referências a outros livros e a outras personagens (infelizmente o português Oliveira de Figueira ficou de fora). O próximo filme continuará a história onde este parou e, decerto, já andam a maquinar mais formas de adaptar outros livros. O manancial é, afinal, vasto.
Consta que o próprio Hergé afirmou que se havia realizador capaz de levar Tintin ao cinema, era Steven Spielberg, que, segundo li, já tinha adquirido os respectivos direitos desde que o seu "Raiders of the Lost Ark" foi comparado às Aventuras de Tintin. É uma comparação legítima, pois ambas as obras são pródigas na aventura pura.
Porém, a meu ver há coisas que não vale a pena adaptar ao cinema...já estão bem assim como estão. Não que o filme seja, em si, mau. Não, é bastante agradável e repleto de aventura e entretenimento puro. Há, naturalmente, algumas, poucas, diferenças em relação aos livros, mas, em geral, funcionam bem para o efeito. MAs, na verdade...enfim....que dizer...prefiro ler os livros. O que atrai nos livros do Tintin é também o traço carismático de Hergé, de uma bidimensionalidade realista que, a transposição para as imagens falantes não acrescenta nada. Não deixa de ser curioso e irónico a meu ver que, para filme feito em 3D, perde muito para o velho papel 2D ou 1D ou lá o que seja.
Por acaso vi a versão 2D (e em francês, o que é uma ideia digna de louvor dos promotores portugueses) e, estou certo que não vale a pena ver em 3D, essa praga monumental que se espalha pelas salas actualmente. É...demasiado, qdo pensamos nos desenhos simples, mas eficazes de Hergé. E vá lá que, felizmente o peter Jackson (produtor e realizador do próximo) conseguiu convencer Spielberg a abandonar a ideia de fazer um filme com actores reais....seria ainda mais constrangedor....
Enfim, seja como for, vale a pena ver, são momentos bem passados.


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