Se, actualmente, há filmes que vou ver automaticamente, sem querer saber da história, das críticas, dos trailers, ou dos actores, são os filmes do Woody Allen. E a máxima "Woody não erra" é, sempre complementada pela "Mesmo o menos bom de Allen é muito bom". E eis um bom exemplo disto mesmo. "Midnight in Paris" não irá conquistar fãs novos. Quem não gosta da obra de Allen não passará a gostar agora. Woody Allen é, actualmente, um realizador instituído, com traços e manis bem vincadas já. 99% dos filmes dele são imediatamente reconhecíveis como material Woody Allen. E Allen está-se, pura e simplesmente, a borrifar para isso. Tal como, aparentemente, se está a borrifar para o ambiente americano nos últimos filmes. Espelho quiçá do cansaço de ser visto de forma menos "reverente" pelos seus compatriotas, ao contrário dos europeus, que o adoram. Como tal, porque não filmar onde o querem? Há uma certa lógica. Tal como há já uma lógica inelutável nos trademarks de cada um dos seus filmes.
E este não é excepção. A abertura é um verdadeiro "postal com movimento" de Paris. A música, a luz, o ambiente, os locais filmados, tudo aponta para uma Paris idealizada, pelo Mundo, mas principalmente, pelos americanos, com Hemigway à cabeça.
Cabe a Qwen Wilson, desta feita, fazer as vezes de Woody Allen na acção, mais um alter ego carregado com todos os traços, neuroses, fobias e manias que habitualmente se reconheciam nos personagens desempenhados por Allen.
Wilson é um escritor americano, de férias em Paris com a sua mulher. O seu drama chama-se bloqueio criativo e o anseio por descobrir a PAris menos turística, e mais "antiga". É assim que, por um passo inexplicável e inexplicado, de magia, volta atrás no tempo e conhece uma série de escritores e artistas que pululavam pela Paris dos anos 20/30. E à medida que se vai perdendo por esses meandros, aliena-se cada vez mais do seu presente, que vê, cada vez mais como um tempo perdido e inútil.
Contar mais seria estragar o filme, mas há que dizer que, em boa verdade so consegui apreciar verdadeiramente o filme, depois de sair da sala, e depois de reparar que, várias vezes, sem razão aparente, o mesmo me vinha à memória.
Uma obra interessante sobre o recorrente sentimento de suposto desajustamento ou desfasamento com a realidade presente, a insatisfação crónica e a nostalgia obsessiva com o "antes"....
quarta-feira, novembro 30, 2011
Midnight in Paris
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