segunda-feira, fevereiro 09, 2009

Der Baader Meinhof Komplex

Mais um filme 'documento', mais um filme histórico, mais um filme político, mais um filme sobre um episódio sobre o qual pouco sabia. Claro que conhecia o grupo terrorista alemão Baader-Meinhof que assolou a Alemanha nos anos 70. Sabia apenas que os nomes derivavam de um homem e de uma mulher e, em certa medida, tinha tendência para os ver como uma espécie de Bonnie & Clyde europeus. Obviamente não seriam tal, mas confesso a minha inércia em saber mais.
Portanto, este filme alemão, candidato aos Óscares 2008, veio suprir com uma eficiência germânica (eheheheh) essa lacuna.
A Facção Exército Vermelho (em alemão, Rote Armee Fraktion ou RAF), também conhecida como Baader-Meinhof, foi uma organização guerrilheira e terrorista alemã de extrema-esquerda, fundada em 1970, na antiga Alemanha Ocidental, e dissolvida em 1998. Recebeu a alcunha Baader-Meinhof, depois de Andreas Baader ter escapado da polícia graças à ajuda de uma jornalista de esquerda, Ulrike Meinhof.
Iniciada nos anos 60, no seio dos movimentos estudantis de protesto contra a instituição universitária, cedo se viraram para objectivos mais políticos como a guerra do Vietname, a pobreza no Terceiro Mundo, a energia nuclear, o capitalismo, e, acima de tudo, o "avanço imperialista americano" no Mundo.
O filme acompanha todo este processo, desde a criação do primeiro grupo, dito de primeira geração, até à subsequente prisão dos membros fundadores, e a continuação das actividades dos outros membros.
Gostei. Sinceramente gostei do filme. Talvez me tenha sido mais fácil gostar uma vez que os meus conhecimentos disto eram praticamente nulos, mas pronto, é assim. Um filme longo, acima das duas horas e meia, mas mesmo assim conseguiu manter-me interessado até ao fim. Por um lado, compreendo que deveria, provavelmente, ser mais longo, pois deve ser difícil resumir tanto acontecimento num filme, mesmo que tenha mais de duas horas e meia. Há a caracterização extraordinária dum punhado de personagens principais, mas depois, há toda uma vasta plêiade de pessoas que vão aparecendo sem sequer lhes conhecermos o nome. Brigitte Mohnhaupt (desempenhada pela yummy Nadja Uhl) é um bom exemplo disso. É notória a posição de liderança da segunda (ou terceira?) geração do RAF, mas não se sabe muito bem de onde vem. Outros personagens aparecem apenas incidentalmente, etc etc. Todavia, isto é um pormenor de somenos importância, especialmente para quem quer apenas aprender o que se passou.
E nisso o filme cumpre totalmente. Mais uma vez...para mais conhecimentos faça o favor de ir procurar.
A única crítica que faço ao filme é realmente o final abrupto que tem. Fiquei com a impressão que se tinha acabado a "fita", ou o "guito" e tiveram de ficar por ali. Alguma informação adicional sobre o que aconteceu depois com o RAF seria interessante, para uma obra mais completa.
Mas fora isso, é um filme altamente recomendável e que, acima de tudo, não toma partidos. Não apresenta o Estado como uma máquina de repressão brutal, nem pretende dar uma imagem glamourosa e heróica dos guerrilheiros urbanos. Não. As inépcias, defeitos, falhas e razões de ambas as partes estão ali bem (e apenas) expostas.





Red Army Faction

Andreas Baader

Ulrike Meinhof

Baader Meinhof e os tempos de terror (in DN Online)

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