Humm. O filme é um bom filme efectivamente. Agora, o que ele não é, na minha humilde opinião (tão humilde quanto possível a um esférico negro com um '8' pintado) é um filme para 10 nomeações para os Óscares (se bem que nem sei quais são as categorias para as quais foi nomeado...se calhar até são justificadas). Não é um filme que justifique tanta excitação. E também não é um filme que seja possível de comparar com a "Cidade de Deus" ou outros filmes de cariz mais brutalmente realista. Sim, "Slumdog Millionaire" mostra uma Índia diferente das fantasias quase burlescas de Bollywood. Mostra a pobreza nos bairros de lata de Mumbai, as perseguições religiosas, crime e sujidade em geral. Mas isso, quando comparado com a brutalidade do "Cidade de Deus" é meramente acessório. Porque, na verdade, "Slumdog Millionaire" é também ele uma fantasia moderna, uma história de amor, romântica até mais não, pintalgada aqui e ali com algumas doses de realidade, mas, se formos ver bem, é uma fantasia.E com isto não se pretende dizer que é um filme mau, ou aborrecido, ou que não vale a pena ver. Não antes pelo contrário. É um filme muito bom, tipicamente Danny Boyle (isto é, desde que não esteja a realizar filmes de zombies ou de FC...ehehe), que prende desde o início o espectador pela maneira original de contar a história que pretende transmitir.
Jamal Malik, um órfão de 18 anos dos bairros de lata de Mumbai, está a apenas uma pergunta de ganhar 20 milhões de rupias na versão indiana do concurso Quem Quer Ser Milionário?. Mas o apresentador do jogo denuncia Malik à polícia por suspeita de fraude. Como conseguiu ele chegar à pergunta dos vinte milhões? Fez batota? É um génio? Teve sorte? Será o destino? E o que está a fazer no concurso se o dinheiro não o interessa? Jamal conta então à polícia a história da sua vida nas ruas e todas as suas aventuras para reencontrar a rapariga que sempre amou. Mas como é que ele sabe as respostas? E o que está a fazer no concurso?
É à medida que Jamal explica ao inspector como ele conhece as respostas às questões, ele, que mal tem instrução, que a história se vai desenrolando.
Agora, se por um lado não é um dos melhores filmes de Boyle, se não justifica tantas nomeações, por outro devo dizer que também não acho de todo justo as críticas mais negativas que têm atingido o filme. Poderá não ser o melhor dele, poderá não ser brilhante ou uma obra prima, mas é um bom filme, que conta uma história de maneira inteligente e cativante. E onde raio vamos nós parar se neste mundo um filme que conta uma boa história, é criticado? Não é esse afinal um dos objectivos principais do cinema? Contar uma história e contá-la bem. E este filme conta muito bem a história que apresenta, com uma fotografia excelente, boa banda sonora, bons actores, boa realização em suma. What more? Acho que o filme sofreu de hype desproporcionado. Dizer que, por causa disso, é um filme menor é um erro crasso. É, na verdade, um filme que se vê muito bem, com belos momentos e encantador mesmo.
Sinceramente gostei do filme. Apenas me deixei levar pela história. E é isso que eu quero e gosto de experimentar numa sala de cinema. Ya, sou um lamechas.
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