segunda-feira, fevereiro 16, 2009

Valkyrie


Há, de facto, cartazes muito mais interessantes do que os que normalmente chegam a Portugal. Mas adiante. Mais uma vez pouco sabia dos pormenores desta história, para além do facto de ter havido uma grande conspiração (senão a maior) para matar Adolf Hitler num dos seus bunkers, que a bomba tinha sido colocada pelo Coronel Stauffenberg, e que a tentativa falhou devido a vários factores, nomeadamente o psocionamento dos explosivos em si. O que eu não sabia era extensão da conspiração e o que aconteceu nos momentos seguintes em que Hitler se presumiu morto. Um verdadeiro golpe de Estado.
E o filme de Singer mostra exactamente isso, sem tirar nem pôr, com um rigor histórico pormenorizado (vim a saber depois), com uma frieza e calculismo extremamente realistas. Porque, se por um lado, estamos todos carecas de saber que o tio Adolfo era o proverbial "mau", a verdade é que isso não faz dos conspiradores propriamente os "bons", se assim se pode dizer. É que aquela frieza e secura do filme deixa espaço mais que suficiente para mostrar que as motivações dos conspiradores não se prenderam exclusivamente com razões de moral ou humanitárias. "Só se pode servir o Fuhrer ou a Alemanha, não ambos", diz a dada altura Stauffenberg. E a verdade é que as suas motivações derivaram mais do desejo de evitar a iminente derrota total da Alemanha, provocada pelas patéticas decisões militares de Hitler e do seu Estado Maior. As preocupações de Stauffenberg e cia prendiam-se totalmente com evitar a desonra que seria ver uma Alemanha esmagada debaixo da bota Aliada. Como militar de carreira e, acima de tudo, aristocrata, não era objectivamente contra o nazismo enquanto ele continuasse a servir o propósito de levar a Alemanha à vitória e trazer glória e honra aos militares. É certo e sabido que a Wehrmacht desprezava totalmente a Gestapo, as SS e as SA, vendo-os como um mal menor e necessário e as atrocidades cometidas por estes eram intoleráveis sim, não por qualquer preocupação humanitária, mas sim pela desonra que isso trazia à suposta civilização superior alemã, perante a comunidade internacional.
Daí ser realmente verdade que este não é o típico filme "anti-nazi" a que já nos habituámos.
Inicialmente o Tomás das Cruzes parece ser um erro de casting...não me parece que tenha o porte necessário para fazer de oficial alemão, mas a verdade é que as lentes das câmaras fazem maravilhas, e em momento nenhum nos lembramos do pigmeu que é. E, há que reconhecer, faz um bom trabalho. Bem como o restante séquito de actores que o rodeiam, Tom Wilkinson, Bill Nighy, Eddie Izzard, Terence Stamp, etc etc.
Vale a pena sim senhor.
E sim...este filme é como o "Titanic" ou, qualquer filme sobre a vida de Jesus Cristo....isto é: não terá um final muito surpreendente para quem esteja minimamente informado.




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