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Diz-nos o Carlos Santos, baixista dos Artworx: "epá, vocês estão cá sempre, obrigado!" Replicámos: "De nada pá, mas esperamos um agradecimento especial no álbum ou EP ou o que for!" lol Grande banda.
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Diz-nos o Carlos Santos, baixista dos Artworx: "epá, vocês estão cá sempre, obrigado!" Replicámos: "De nada pá, mas esperamos um agradecimento especial no álbum ou EP ou o que for!" lol Grande banda.
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Ora aqui está um pequeno grande filme realizado por Tom McCarthy (autor do também excelente "The Station Agent" de há uns anitos atrás), condenado a passar completamente despercebido nas salas de cinema. Valha-nos o King. E ainda assim, duvido que o filme chegasse cá, não fosse o facto de Richard Jenkins (o eterno 'secundário' numa miríade de filmes - ultimamente o "Burn After Reading, por exemplo) ter recebido uma nomeação para Óscar de Melhor Actor. E merecida, diga-se de passagem. Sem grandes hipóteses de vencer claro, mas nestes casos, só receber a nomeação já é uma espécie de vitória.
A premissa é simples e devo dizer que o interesse me foi despertado pelo trailer. A personagem de Jenkins, aparentemente simples, intrigou-me. Por outro lado, há aqui dois tipos de filmes algo diferentes que, a dada altura, se encadeiam
Walter Vale é um professor de economia que perdeu por completo a paixão pela vida desde o falecimento da sua mulher. Preso a uma vida rotineira, tenta preencher o vazio da sua existência com o trabalho, com a escrita e com aulas de piano (para o qual não tem qualquer aptidão para sua tristeza).
Contra vontade tem de se deslocar a Nova Iorque para participar numa conferência e encontra no seu raramente visitado apartamento novaiorquino, dois emigrantes ilegais: Tarek, músico sírio e Zainab, joalheira senegalesa.
Esclarecido o mal entendido, aqueles apressam-se a sair, mas Walter acaba por os deixar ficar, talvez motivado por um misto de curiosidade e de excitação, pela novidade da situação.
Curiosidade também pelo djembé que Tarek toca e que este acaba por ensinar Walter a tocar. A nova amizade e o novo interesse musical operam um verdadeiro renascimento e reaprendizagem em Walter, bruscamente interrompidos pela prisão de Tarek.
E aqui começa a segunda parte, ou o "segundo filme" se assim se pode dizer. Se a primeira parte estava mais virada para o interior, para o "eu", agora assistimos a uma situação concentrada no exterior e nos "outros", ou melhor no "eu" contra "eles", se assim se pode dizer.
Walter inicia então uma verdadeira luta para salvar Tarek e impedir a sua extradição, percorrendo os meandros burocráticos duma América completamente paranóica e obcecada com os "aliens", com os terroristas, com a segurança, etc etc.
Ambas as "partes" são excelentes, embora deva confessar que a parte mais intimista e de renascimento pessoal me chamou mais. A crítica, não tão velada, à paranóia americana já é algo mais "corriqueiro", mas ainda assim é um bom corolário do que ficou para trás, e um ponto essencial no processo de renascimento para a vida de Walter.
Richard Jenkins é o ponto fulcral do filme, de ambas as "partes". Uma interpretação contida e sóbria, quase discreta. A mera expressão corporal é suficiente para vermos um homem abatido e derrotado. A relação que se estabelece entre ele e Tarek e entre ele e a mãe daquele é de onde ele retira a energia que precisa para se "puxar para cima". E, sem esquecer que é um filme, a verdade é que mais do que meras actuações, são pessoas reais que estamos a ver.
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A ideia é tão simples que até admira que ainda não tenha sido feita. Consiste tão somente em reunir músicos, de rua e não só, por todo o Mundo, filmando-os enquanto tocam, à sua maneira, clássicos incontornáveis a música popular do séc. XX. Cada um deles empresta um pouco da sua nacionalidade, se assim se pode dizer, à interpretação. Depois é um trabalho de edição, de "corte e cola" se quisermos, de modo a mostrar no final uma canção completa, executada à volta do Mundo.
O conceito também é simples: a música enquanto factor comum de agregação, de aglutinação, de partilha entre diferentes culturas, países, regiões, etnicidades. E não se trata de um projecto meramente académico.
A fundação Playing For Change, segundo li, construiu e mantém uma escola de música em Gugulethu, um centro de artes em Johannesburgo e centros para refugiados tibetanos na Índia e no Nepal.
Trailer:
"Stand By Me":
"One Love":
"Don't Worry":
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O Clint Eastwood é um actor/realizador que merece todas as homenagens possíveis, em vida e depois dela. É aquele tipo de realizador que, daqui a muitos anos, poderemos citar e chatear o juízo aos filhos, netos, jovens inconscientes em geral, da mesma maneira que os mais velhos se cansaram (e nos cansaram) a repetir que o John Ford é que era, o Frank Capra, o Otto Preminger, etc etc. Com o Clint Eastwood será a nossa vez! É, certamente, o último dos 'clássicos' no cinema americano. Quando desaparecer não será pequena a perda. Mas sempre se poderá referir a honra e o prazer em ter sido contemporâneo do homem, e ter assistido à sua ascenção, lenta talvez, mas certa, segura e cheia de qualidade.
E "Gran Torino" é apenas mais uma jóia na sua já valiosíssima coroa. É um grande filme, muito bom, daqueles que já pouco se vão vendo. Um clássico à nascença por completo.
O fim de uma era também, uma vez que o próprio Eastwood já disse que era a última vez que actuaria num filme. Dele pelo menos.
E que bela maneira de terminar a sua carreira na representação. O seu Walt Kowalski é a personagem mais dura, mais sacana e filha da mãe que já fez. Mas não, não tem nada a ver com o Dirty Harry ou outros papéis menos complexos. Aqui reside a excelência do filme, a excelência que o trailer, felizmente, não mostra. O que é um feito nesta era em que os trailers basicamente resumem os filmes quase de uma assentada só. Kowalski é muito, mas muito mais do que aquilo que se depreende ao ver o trailer. Surpreendentemente mais. Aliás, nunca suporia que um filme carregado à partida com uma temática tão 'negra', pudesse arrancar tantas gargalhadas honestas da audiência. Isto porque o filme traz também uma dose certa de humor, pelo próprio Eastwood, pasme-se.
A cena em que Kowalski tenta ensinar o jovem Thao a falar como um homem ("let's man you up") é altamente cómica. Mas não se trata de uma comédia. Nem de um filme de acção, nem um filme político ou social. Há elementos disso tudo, mas o filme é tão somente a história de um homem fechado, da sua redenção e contínua aprendizagem, apesar da sua vetusta idade. Os grunhidos guturais que Kowalski reptidas vezes deixa escapar são tão simples, mas tão reais, tão próprios de um homem intolerante e sem grande paciência. Um filme real. Brilhante.
Não ligo muito a isso..mas: Óscar!
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...não estreou por cá. Claro. Quem é que conhece o Scott Walker? Ninguém....Mas decerteza que se se falar em Antony and The Johnsons, David Bowie, Last Shadow Prophets, etc etc, já seria outra coisa. Enfim.
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Não, não tem nada a ver com os X-Men.
ÚLTIMA HORA!!
Muito bom! Não, não traz nada de novo em absoluto; sim, usa de expedientes narrativos já mais que usados e abusados; apresenta personagens relativamente "familiares" e desenvolvimentos no argumento que são típicos destes filmes; mistura elementos reconhecíveis de vários filmes também. Mas que diabo, fá-lo bem! Muito bem! Desde o "Aliens" que não sentia tanta claustrofobia numa sala de cinema, tanto nervosismo e palma de mão suada. É que apesar de tudo, não se sabe efectivamente o que vai acontecer, ou melhor, como vai acontecer.
Quase que se pode dizer que há aqui dois filmes: a primeira parte contém o que é, para mim, a parte mais interessante do filme: num futuro longínquo a Humanidade luta numa verdadeira Guerra Planetária, dividida entre 4 facções, cada uma sob a bandeira da sua respectiva Corporação. Identificam-se facilmente os lados "americano", "oriental", "europeu" e (acho) "australásio". As cenas iniciais, antes da história propriamente dita arrancar são duras, remetendo-nos, paradoxalmente para a carnificina das trincheiras da I Guerra Mundial.
Ora, é uma destas batalhas têm o condão de despertar seres mais terríveis ainda que os humanos. Seres que acabam por unir as quatro facções contra um inimigo comum....até, praticamente, à aniquilição total.....e aqui começa a segunda parte do filme, mais normal, se assim se pode dizer. Muito surpreendente!
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A "arte pela arte" ou a "arte com conteúdo" é uma forma de resumir em poucas palavras esta exposição patente (odeio esta palavra) no Museu do Neo-Realismo em Vila Franca de Xira. O que me levou lá foi, em boa verdade, a exposição "Batalha pelas Sombras", uma exposição de fotografias dos anos 40 e 50 do Museu Nacional de Arte Contemporânea-Museu do Chiado. O que eu não fazia ideia era que esta exposição de fotografias portuguesas neo-realistas se inseria numa exposição muito mais vasta dedicada exactamente a este movimento cultural em Portugal.
O neo-realismo foi uma corrente artística de meados do século XX, com um carácter ideológico marcadamente de esquerda/marxista, que teve ramificações em várias formas de arte (literatura, pintura, música) mas atingiu o seu expoente máximo no Cinema neo-realista, sobretudo no realismo poético francês e no neo-realismo italiano. Em Portugal o cinema e a música apenas ligeiramente se deixaram contagiar por estes novos princípios, mas, em compensação, houve extensa produção literária, teatral, fotográfica e pintura.
Não me posso alcandorar a entendedor destas coisas, mas parece-me que este movimento pretendeu imbuir a expressão artística de algum conteúdo útil, a chamada "arte útil". Não bastava, portanto, produzir arte só porque sim, era necessário dar-lhe um significado real e útil. Era essencial dotar a arte de algum conteúdo. Usar a arte para chamar a atenção para certos e determinados pontos da sociedade de então. Só assim valeria a pena. Só assim seria útil. E nos anos 30 e 40, nada era mais útil e real do que olhar para as condições sociais e económicas dum povo. Características essas que tomaram em Portugal, como se pode imaginar, uma importância assaz relevante, chegando muitas vezes o neo-realismo a significar uma verdadeira oposição ao regime salazarengo. A inspiração era óbvia e notória: a revolução bolchevique e a enorme produção artística que esta potenciou, de onde se destaca, em primeiro plano, os filmes de Eisenstein, em especial "Outubro" e o "Couraçado Potemkine".
Bom, não costumo ir assim a tantas exposições como isso. Digamos que já fui a umas quantas. Mas devo dizer que foram raras as que vi com tanto interesse e vagar. Foram raras as que se tornaram tão apelativas e me fizeram dedicar-lhes realmente o meu tempo.
De facto o Museu em si é muito interessante, e a exposição do neo-realismo espalha-se por três andares, muitíssimo bem organizada, com recurso a todos os suportes visuais e auditivos que se possam imaginar, e leva-nos por uma viagem através do tempo e do espaço. Uma viagem que não aborrece nunca em momento algum.
A exposição de fotografias é a peça central e inicial, mas segue-se depois um percurso histórico e artístico que dá conta da génese, desenvolvimento e influência do neo realismo na pintura, cinema, música, literatura e, claro, na política. É uma exposição, acima de tudo, muito bem montada, muito dinâmica, apelativa e perceptível. Vale bem a pena. No fim tive de comprar o catálogo. 10 € não é muito dinheiro pelo trabalho que tiveram ali. E nem cobram a entrada. Achei que sim.
As imagens expostas são “representativas das dinâmicas da fotografia portuguesa ao longo da década de 50, momento particularmente interessante e mal estudado da sua história.(…) A “batalha de sombras” que estas imagem evocam, é a repercussão duma sociedade cada vez mais polarizada entre a perpetuação duma ilusão e o desengano, produzindo imagens ensombradas por uma cultura fotográfica e artística pouco debatida, ignorando-se mutuamente, e em que cada imagem é a expressão dum dilema entre a “arte pela arte” e as rupturas (im)possíveis em prol duma arte de dimensão e participação social e humanista.” Emília Tavares.
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Digamos que uma destas Segundas-Feiras passadas estava a fazer jus aos seus aspectos mais caracteristicamente negros, depressivos e neuróticos. Felizmente a cura surgiu, primeiro com os esforços incansáveis e inestimáveis de uma princesa que eu cá sei e depois com este filme. "Happy Go Lucky", ou "Um Dia de Cada Vez" na tradução portuguesa. Perde um pouco de força esta tradução. Por um lado, tem algum sentido de facto, mas acaba por ser uma tradução demasiado séria, o que contrasta com o tom geral, e a ideia, do filme. Não, não é uma comédia, mas é um os melhores feel good movies de sempre.
Poppy é uma professora primária sempre bem disposta, sempre optimista, sempre com um sorriso nos lábios para toda a gente, amigos ou desconhecidos. Sempre pronta a aceitar as coisas menos más da vida como algo inevitável por vezes e capaz de ver o lado bom em tudo o que surge. Alguém, no fundo, com uma crença inabalável na alegria de viver e uma esperança refrescante na felicidade simples.
Tudo isto vimos nós a saber à medida que o filme se desenvolve, porque à partida (e falo por mim) Poppy aparece-nos como uma rapariga algo desmiolada, despreocupada, meio destravada e semi irresponsável. Alguém que parece estar constantemente pedrada, tal é a felicidade que tem em viver. Não parece ter qualquer preocupação nem problemas. Está-se a ver o género, uma cabeça no ar. Do género IRRITANTE. Aquele tipo de pessoa que poderiam meter conversa connosco, de repente e do nada, e que nos pareceria imediatamente uma 'maluquinha alegre'. É precisamente essa a primeira impressão com que ficamos. Exactamente como o empregado da livraria onde ela entra no início do filme e com quem tenta meter conversa, apenas para receber olhares aborrecidos e monossílabos enfadados. Nós somos esse empregado. Consigo perfeitamente imaginar-me no lugar desse empregado, ocupado com os seus afazeres e problemas e sem a mínima paciência para estar a dar conversa a uma pessoa aparentemente metediça e alucinada que não se conhece de lado nenhum. Uma maluca desajustada do resto do Mundo.
Mas, e aqui reside um dos pontos interessantes do filme, assim que vamos avançando na história e à medida que vamos conhecendo a personagem, concluímos que não podíamos estar mais enganados e torna-se difícil não ser conquistado pela alegria de Poppy. Principalmente quando se concluí que não é ela a 'desajustada', mas sim os outros que preferem arrastar-se em poças de auto comiseração e negativismo em geral.
Poppy revela-se, afinal, uma pessoa ponderada, contemplativa e cuidadosa, consciente das suas responsabilidades e, acima de tudo, feliz por ser exactamente quem é e por se manter fiel a si mesma. E é exactamente por isso que é ela que acaba por ganhar mais. Por saber quem é, e saber esperar pelo que a vida lhe traz. Inspirador. E romântico também.
Sim, realmente é impossível sair deste filme com outra sensação que não a de total boa disposição e esperança.
Just a name. The first that stuck. If you don't like it... Tough luck.