quinta-feira, maio 14, 2009

The Machinist

Bem. Por norma tenho-me escusado a mencionar aqui filmes vistos em DVD. Apenas e só pela simples razão de ter mais que fazer. Se aqui se relatassem todos os filmes que vejo, em cinema e em DVD, bom, digamos que isto seria algo fastidioso. Mas, por vezes, há que abrir excepções. Já aconteceu para o excelente "Saints & Soldiers", para o "Metal: A Headbangers Journey" e para o "Global Metal". E agora para este estranho "The Machinist".
Perdi-o no cinema na verdade. Fiquei com curiosidade principalmente por ter o Christian Bale e pelo facto de o homem ter perdido umas largas dezenas de quilos para fazer o papel. E de facto perdeu...até assusta. Segundo li, passou dias a comer apenas uma lata de atum e uma maçã por dia. Até ficar naquele estado deplorável. A piada é que a seguir fez o "Batman", e calculo que o caminho tenha sido o inverso para ganhar massa muscular. Mas adiante.
Que-filmão-do-caraças-! Calculava que fosse um filme estranho, e é-o de facto. Um filme misterioso, durante o qual pouco percebemos o que está acontecer, tão pouco como o protagonista, diga-se de passagem. Um filme escuro, obscuro, sinistro mesmo e uma verdadeira manta de retalhos desconcertantes, tal qual um filme do David Lynch. A diferença é que em "The Machinist" chegamos ao fim do filme e acabamos por perceber o sentido, tudo nos é revelado, e percebemos o que se passou e a razão de ser dos eventos; e, num processo mental rápido,juntamos todas as peças do puzzle que nos foram "atiradas" e tudo fica na sua devida ordem. E não, isto não lhe retira força nenhuma. Continua a ser um filmão.
Realmente, "The Machinist" parece-me um filme do David Lynch, meio misturado com o "Memento" e com traços do "Vanilla Sky". Um filme estranho e intrigante, com um ambiente soturno e sombrio, e com um desenrolar narrativo constantemente desconcertante e insondável. Porém, ao contrário do "Vanilla Sky", "The Machinist" é um filme bem feito, com um propósito, ainda que simples. Um filme mais apelativo no sentido em que nos puxa à medida que nos intriga. Ao contrário de "Memento" não se revelou um filme tão comercial, talvez pelo ambiente mais sombrio, mas em comum partilham o aspecto interessante de colocar o espectador realmente na pele do personagem principal. Sabemos tanto como ele, e as revelações serão tidas simultaneamente.
E sim, o Christian Bale. O "puto do Império do Sol" cresceu e tornou-se num excelente actor sim senhor. A transformação física a que o homem se submete é uma coisa quase inexplicável. Sim senhor, grande filme.



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segunda-feira, maio 11, 2009

domingo, maio 10, 2009

This is England

Eis mais um filme discreto e despercebido que, provavelmente, nem teria ido ver (ou dado conta dele) não fosse o caso de ter apanhado numa destas Segundas-Feiras o "Cartaz" da RTP2, em grande parte dedicado a este filme. E mesmo assim, a Inglaterra dos anos 80 e a emergência do fenómeno "skinhead" não seria, à partida, um tema que me puxasse por aí além. Mas a verdade é que as imagens do filme deixaram-me interessado, bem como as entrevistas aos actores e ao realizador, Shane Meadows, o qual, segundo disse, fez aqui um filme basicamente auto-biográfico.
A história é simples: Shaun um puto de 11 ou 12 anos é constantemente gozado pelas mais pequenas coisas na escola. Um dia, ao regressar a casa, tem de atravessar um grupo de skinheads e prepara-se para ser gozado mais uma vez. Mas é Woody, o líder do bando, que mete conversa com ele, bem disposto e acaba por lhe dar apoio. Resultado, Shaun rapidamente se "enturma" com o bando.
E tudo corre bem até à chegada de Combo, libertado da prosão, um skinhead, mais velho e que vai provocar uma cisão no grupo devido aos seus ideais mais xenófobos e nacionalistas. Shaun decide alinhar com Combo, não só por ser facilmente influenciável, como também, e principalmente, por ver nele a figura paternal que não tem, uma vez que o pai foi morto na Guerra das Malvinas.
A premissa é simples, mas tudo o que revolve em torno desta é o que faz deste filme uma obra das mais interessantes do cinema britânico actual. O Tatcherismo, a vivência própria dos anos 80, a guerra, a emergência do nacionalismo como forma de combater a pobreza, etc etc, tudo é visto pelos olhos de um miúdo de 12 anos. Filmado de uma forma realista e dura, embora não tão violenta como se poderia supor, o filme é realmente excelente.
É um filme cheio de nostalgia pelos anos 80, pela cultura e música de então, e mostra ainda como a inicialmente inocente tribo skinhead, vinda da cena musical dos Mods e do Ska foi completamente subvertida pela introdução do elemento xenófobo e racista. O visual agressivo, as cabeças rapadas e as Doc Martens acabaram por ser aproveitadas pela National Front para os seus próprios fins.
A perda da inocência do movimento, tornado político e já não um mero movimento ligado ao visual ou à música, é também a perda da inocência de Shaun.
As interpretações são fantásticas, especialmente as de Shaun, que apenas procura um sítio onde se integrar e alguém que indique o caminho e de Combo, um homem violento e xenófobo, mas que acaba por ser a personagem mais trágica de todas com problemas pessoais que acabarão por tomar maior relevância que a "luta contra o estrangeiro".
Um filme trágico, violento aqui e ali, mas acima de tudo, muito nostálgico, feito com amor e, também, muito humor. British style, claro.

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quarta-feira, maio 06, 2009

Anathema @ Incrível Almadense - Videos

One Last Goodbye

Vocalist Vincent Cavanagh broke down in tears at the fans emotional singing of One Last Goodbye.



Inner Silence



Empty



Deep



Pressure



Fragile Dreams (excerpts)

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Anathema @ Incrível Almadense










Catarse suprema, arrebatadora e arrepiante!

Tenho visto muitos concertos, demasiados para me lembrar de todos. Mas certamente que já tive a minha dose de concertos péssimos, concertos mauzitos, concertos chatos, concertos bons, concertos muito bons, concertos excelentes mesmo. Concertos especiais é que já são mais raros. Especiais no sentido de se tornarem algo que é um privilégio, quase uma honra poder ver, ouvir e sentir. Um momento especial, um concerto que, por acaso, porque todos os factores e requisitos convergem, porque todos os planetas estão alinhados ou o que quer que seja, não será apenas mais um concerto para cumprir calendário, mas sim, algo único. Estes são mesmo raros.
É claro que concertos de Iron Maiden são sempre especiais à sua maneira. Mas são diferentes. O tipo de sentimentos e emoções são diferentes. É uma situação totalmente diferente daquela que ontem tivémos o real privilégio de assistir na Incrível Almadense.
Ontem os Anathema surpreenderam-nos e, acima de tudo, surpreenderam-se connosco. Um concerto digno de figurar numa eventual lista dos "10 Melhores Concertos da Minha Vida".
É raríssimo ver um concerto assim, repito. Especialmente quando não se está à espera. Sim, gosto, e sim, os dois concertos deles que já vi foram muito bons, mas este foi, something else....que concerto fabuloso, extraordinário, único, brilhante, sei lá.
A surpresa começou logo com a quantidade de gente que estava na sala. Cheia, mas não demasiado (ainda assim o calor foi imenso) mas lotação praticamente esgotada, plateia e primeiro friso. Não contava com tanta gente.
Quando os Anathema iniciaram o concerto ninguém esperava o que por aí vinha...foi nítido que as pessoas presentes eram, na sua maioria, fãs da banda. Porém não se tratou daqueles casos em que a banda tem o público na mão desde o primeiro minuto. Fãs sim, mas o que veio depois à medida que o concerto se desenrolava, foi algo construído de parte a parte.
A interacção e partilha da música e do espaço entre a banda e o público foi gradual, em crescendo, de tal forma que o público, nós, fizémos efectivamente parte da banda, como nunca tinha visto ou experimentado. É raro também ver e fazer parte duma audiência assim.
A surpresa da banda foi evidente. Nas primeiras canções, quando repararam que boa parte da sala cantava as letras em uníssono ficaram espantados...mas foi com a "Lost Control" que eles se passaram de vez com o público.
Passados estes primeiros momentos de espanto foi extraordinário ver como uma banda profissionalíssima e com rodagem soube aproveitar o que lhes foi oferecido. Foi extraordinário ver a banda tomar consciência que podiam confiar plenamente neste público e explorar isso eficazmente, dando-nos espaço para participar activamente.
Porém, com a "One Last Goodbye", que foi escrita sobre a morte da mãe dos três irmãos Cavanagh da banda o concerto tornou-se algo de irrepetível e único. Foi o 'descalabro' emocional. Vincent Cavanagh, o vocalista, deixou espaço para o público cantar um verso e a resposta foi tão avassaladora, total e arrepiante que o gajo limitou-se a parar de cantar e ficou ali a olhar para nós de olhos arregalados e de mão a tapar a boca em total perplexidade e de tal maneira emocionado que lágrimas lhe escorriam pela cara. Acabou por 'fugir' para perto da bateria e mais tarde gozou com o facto, mas naquele momento foi a emoção pura e dura.
E estamos a falar duma banda que já anda aí desde os anos 90! O gajo simplesmente emocionou-se tanto que não conseguiu cantar o resto da música, pelo que foi o público que a acabou, palavra por palavra, em úníssono e bem alto, para total surpresa da banda.
Daí a raridade do concerto. A banda deu tanto como o público, e quanto mais este foi dando, mais a banda dava ainda até ao final apoteótico. Só não tocaram mais porque já não podiam, e já tínhamos mais de duas horas em cima. Duas horas muito intensas e emotivas. Era notória a relutância do público em abandonar a sala, e da banda em abandonar o palco.
E no fim, tornou-se evidente que a noite tinha sido diferente, especial, quer para nós, como para eles. Os agradecimentos foram muito contidos e breves em palavras, e ainda bem. Não havia necessidade dos costumeiros "vocês são o melhor público de sempre" ou "este foi o melhor concerto de todos". Não. Less continua a ser more. Bastou ver as caras de felicidade, o comportamento, a relutância em sair do palco, o pedido para que todos se dirigissem à after party e um singelo agradecimento emocionado de Vincent pela "noite muito especial".
Assim é que é.

terça-feira, maio 05, 2009

Anathema

Uma das três bandas da 'trindade' britânica do doom/death metal dos anos 90, juntamente com os Paradise Lost e os My Dying Bride. Todas elas mudaram imenso ao longo do tempo. Os primeiros viraram-se para um som mais pop e electrónico, aproximando-se demasiado duns Depeche Mode (mas sem o fôlego destes), mas progressivamente regressando às origens (embora nunca mais fossem os mesmos). Os segundos mantiveram-se mais ou menos fiéis ao estilo, embora também com muito experimentalismo pelo caminho. Já os Anathema, mudaram sim, mas nunca mais olharam para trás. Começando como uma banda de doom/death basicamente inaudível (para mim), rapidamente evoluíram para um heavy metal mais melódico, mas sempre melancólico, menos death e mais doom, algo dark e sombrio ("The Silent Enigma" é um dos melhores álbuns do género).
Quase de seguida começaram as experiências mais a sério com o rock progressivo e as aproximações a um estilo muito "pink floydiano" com o "Eternity" e o brilhante "Alternative 4".
Em 99, com "Judgement" deixaram o metal para trás, bem como as 'colagens' a Pink Floyd. Em 2001, num Paradise Garage cheio, Danny Cavanagh, o vocalista e guitarrista brinca com o público quando diz que para cantar uma canção mais antiga e, consequentemente, mais pesadota a nível vocal, tinha de fumar um cigarro para engrossar a voz. Coisa que fez lol.
Com o "Judgement" iniciaram o percurso que os afastou definitivamente do campo do metal, mas (ao contrário do que aconteceu com os Paradise Lost), souberam continuar a compor e lançar música interessante.
"A Fine Day To Exit", o álbum de 2001 cimentou por completo a nova personalidade da banda, determinada a tocar um rock progressivo, sereno e atmosférico, que alguns chegam a considerar influenciado pelos Radiohead.
O concerto do ano passado no Alliance Fest foi breve, muito breve. Festival oblige.
Agora sim, um concerto em nome próprio.












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segunda-feira, maio 04, 2009

domingo, maio 03, 2009

Choke


Mais trabalho de casa atrasado. Aposto que a maior parte das pessoas que vai ver este filme vai, quase de certeza, atraída pelo facto de este ser um filme baseado em mais um livro de Chuck Palahniuck, escritor de "Fight Club". Ora, se o filme do mesmo nome foi tão brilhante, porque não este? Pois. Confesso que fui uma destas pessoas. Nunca li nenhum livro do homem, por isso, não sei. E julgo que a percentagem de pessoas que leu deve ser bem ínfima. Seja como for, antes de mais há que dizer que, NÃO, este filme NÃO é tão bom, brilhante ou interessante como o "Fight Club". Quem for vê-lo à espera de algo do mesmo calibre, sairá desiludido ou então consegue, a meio do filme, "adaptar-se" e esquecer a antecipação que levava consigo. É uma tarefa difícil esta, mas, sabe-se lá como, eu consegui.
Aliás, até sei. É tão simples como concluir que um escritor não tem de escrever sempre o mesmo livro, sempre no mesmo estilo ou sobre as mesmas coisas. "Choke", o livro e o filme, é completamente diferente de "Fight Club", livro e filme. Há elementos comuns, claro. Personagens neuróticas, comportamentos desviantes e pertubantes, vidas devassas em geral. Mas "Choke" aposta mais no humor, da mesma maneira que "Fight Club" apostava mais na violência, na psicologia, na sociedade e no twist final chocante. Nesse sentido, "Choke" é, talvez, mais divertido que "Fight Club" (embora também tenha aquele twist final desconcertante). É, um pouco mais soft, digamos.
Em ambos os filmes existe ainda um aspecto que, pelo que já percebi, aprecio imenso e que, só há pouco (quando estava a ler mais pormenor sobre um personagem do "Wolverine", o Deadpool) aprendi: o breaking of the 4th wall, que é, a saber, quando os personagens comunicam directamente com o público espectador; hã? ainda se aprende alguma coisa, vá lá.

Choke is the story of Victor, med-school dropout who takes care of his 70's radical mom now suffering from dementia and dying after years of drug use and mental instability. In order to pay for her upkeep, Victor pulls double duty at his two jobs, one as an employee at a Colonial American theme park, and two, choking on food in restaurant, so that those who save his life, will feel obligated to help him out with cash from time to time. Who would save someone's life, only to let them die, once you know their sad penniless (over exaggerated) story? Victor targets the wealthy and affluent, "You don't wanna get saved by some waiter", he says in one of many direct addresses to the audience.
In the hospital he meets, a young doctor, who assists him in translating his mother's diary, which leads to shocking questions about Victor's origins, and his father or lack there of.
In addition to this Victor goes to sex addict meetings usually just to have sex in the bathroom with fellow addicts. While his best friend Denny, a chronic masturbator, begins taking his first shaky steps to recover, which involves romancing a Stripper and collecting rocks for each day his sobriety, "idle hands are the devils playground". The sex addiction and the need to save his mom, are the twin turbines that propel this film, and by the end they are both so clearly intertwined it escapes being exploitative.

No fim é um filme estranho sim. Daqueles que não se sabe ao certo se se gostou, se é bom, se apenas "finge" ser bom, ou se é mauzito. Há que deixar assentar. E o meu veredicto é que é um filme bom. Pelo menos bom no sentido de proporcionar uns momentos divertidos e ser um filme com algumas soluções interessantes.E a carregar todo este filme está o sempre brilhante Sam Rockwell no papel principal, e Angelica Huston no papel da sua mãe verdadeiramente demente.



sábado, maio 02, 2009

goin' up

Da primeira, e última vez, que subi ao topo disto era tão pequeno de altura que a minha cabeça mal ultrapassava o parapeito. Resultado: um reduzidíssimo ângulo de visão. Pronto. Já resolvi o assunto.




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sexta-feira, maio 01, 2009

Che - The Argentine/Guerilla


Isto é "trabalho" atrasado. Enfim, é mais por completismo obsessivo-compulsivo, mas que se lixe, cá vai.
O novo filme de Steven Soderbergh é isso mesmo: um filme, repartido em dois. Estrearam com meras semanas de intervalo entre eles. E são, em certa medida, um bom complemento aos "Diários da Motocicleta" de Walter Salles, de aqui há uns anos. Mas são filmes em tudo diferentes. Até porque baseados em períodos diferentes da vida do mesmo personagem, Ernesto "Che" Guevara. Se, nos "Diários..." vemos a juventude de Che, e a construção paulatina dos ideais e princípios que nortearão a sua vida, nos filmes de Soderbergh vemos a aplicação prática dos mesmos. Diferentes ainda porque os "Diários..." têm maiores preocupações narrativas, de apresentação de personagens, de contar uma história, enquanto que em "Che", Soderbergh adopta um estilo quase de documentário, quase de diário do dia a dia, primeiro em Cuba e depois na Bolívia (ou não fossem ambos os filmes cada um baseado nos respectivos diários escritos por Che). São filmes em que "caímos" quase de pára-quedas. Exigem talvez um certo conhecimento da vida e andanças de Che (embora o desconhecimento não prejudique em nada o visionamento).
Gostava de poder dizer que adorei os filmes, mas não o posso fazer. São, inegavelmente bons, e o trabalho de Benicio Del Toro, só por si, justifica ir ver o filme, porém, há ali qualquer coisa que me impediu de me envolver no filme, algo que me fez um mero espectador. O filme parece-me ser a transposição fiel do próprio estilo literário de Che. Já tentei ler um dos seus diários (não me lembro qual) mas confesso que tive de desistir a dado passo. Era um diário na verdadeira acepção da palavra, muito descritivo e telegráfico. Muitas entradas com dados estratégicos e geográficos, etc etc. O filme de Soderbergh adopta o mesmo estilo em certa medida., em especial a segunda parte.
Todavia, não deixa de ser uma obra que se vê muito bem. A figura de Che Guevara, já se sabe, tem sido cada vez mais romanticizada, estilizada e apropriada. E gostei de ver que Soderbergh não entrou muito por esse caminho. O estilo "documental" ajudou a evitar cair nesse erro. Aliás, não deixou de surpreender que na primeira parte evita-se mostrar o maior triunfo que foi a tomada de Havana. Em suma, um filme interessante, especialmente para quem tenha curiosidade e vontade de conhecer.

The Argentine:



Guerilla:

quinta-feira, abril 30, 2009

Wolverine

Há actores que se tornam mesmo a personagem que desempenham. Da mesma maneira que já é praticamente impossível desligar a imagem de David Suchet e de Jeremy Brett do Hercule Poirot e do Sherlock Holmes, também Hugh Jackman é a imagem cinematográfica do Wolverine.
Pois que ontem foi a ante-estreia e consegui ir ver. Obrigado pelo convite R.!
E o filme veio a revelar-se bastante bom. Seria difícil fazer um mau filme, um filme mesmo mau. Não só está focado na personagem mais interessante dos X-Men (e quiçá um dos mais interessantes de todo o Universo Marvel), como também havia toda a experiência anterior com os três "X-Men", quer positiva (os dois primeiros), quer a menos boa ("X3"). Mas, ainda assim, esperava algo mais corriqueiro. Um típico "super hero movie". A saber: muita porrada e muitos efeitos especiais. E sim, tem-nos de facto. Mas, felizmente, preocuparam-se em dotar o filme de algo mais, de uma profundidade maior, e de um desenvolvimento mais cuidado das personagens e argumento.
É mais uma prequela, no fundo. No início de "X-Men", Logan/Wolverine surge-nos como um homem sem passado, amnésico, em busca da sua memória e origens. Neste novo filme tudo isso nos é dado a conhecer, de onde vem, o que lhe aconteceu, o que lhe fizeram e o porquê da amnésia.
O Wolverine, a par do Daredevil, sempre foi dos meus personagens Marvel preferidos. Lamento, o Spider Man é divertido e tal, mas aqueles dois é que é. Personagens interessantes, dramáticos, e no caso do Wolverine, violento, dark e real. Epá, é um "nanico" que ferve em pouca água, cujo único poder é um factor ultra rápido de regeneração celular e que, graças à tecnologia, vê o seu esqueleto ser revestido com a substância mais dura do mundo. How cool is that? Um personagem em constante conflito, entre o seu lado mais humano e o lado mais bestial.
O filme segue impecavelmente as linhas mestras estabelecidas nos comics e graphic novels. Desde o mais recente "Wolverine:Origins" até ao mais antigo "Weapon X". Há, claro, as costumeiros lados menos bons de uma adaptação, mas são males necessários: como condensar uma história que se tem vindo a desenvolver há anos, décadas mesmo, num filme? É difícil, e mesmo assim, já é um filme bem grande.
Porrada e FX sim, mas ao serviço de uma história interessante.
E, mais uma vez, uma palavra especial para o Liev Shreiber, antes visto no "Resistance" com o Daniel Craig. Que actor tão subestimado.



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segunda-feira, abril 27, 2009

Domingo? Avante! Mas com calminha....

Dez horas depois acordo meio estremunhado e cheio de sono ainda. Mas dormir mais, ou ficar ainda mais tempo na cama teria um efeito de 360º. Dormir e descansar sim, precisava imenso, mas já tenho idade suficiente para saber que este corpinho e, em especial, esta cabeça cheia de matéria cinzenta viva e pulsante (ah pois, enfardem esta!) não se dá muito bem com esse tratamento e, em bom rigor, acabaria por ficar pior do que já estava. Portanto, rabo fora da cama e duche. O gás estava a acabar, pelo que foi um duche mais fresquinho do que estava à espera, mas melhor me fez. Isto já se sabe: doidos tratam-se com duches frios!
Almoço e café e avante para o CCB com a A. A boa vontade era muita, mas realmente as filas na bilheteira e o desconhecimento das peças a serem tocadas nas poucas sessões ainda não esgotadas fizeram-nos desistir e enveredar na direcção do Museu do Bárbaro Madeirense.
BESPhoto, Peter Kogler e, em especial a exposição Arquivo Universal-O Documento e a Utopia Fotográfica, foram honradas e prestigiadas com a nossa presença. Esta última merecia uma visita mais demorada, mas o cansaço já era demasiado, e a hora de fecho já tinha sido ultrapassada. Ala para casa, para descansar, kemer e buer, não sem antes ter conseguido com bastante sucesso trancar o carro com a chave lá dentro (ai os neurónios...). Felizmente nada que não se resolvesse em alguns minutos.
E no fim de todas estas andanças que fica? Muito. Principalmente o dar-me conta que os últimos fins de semana têm-se pautado por várias actividades mais ou menos interessantes, mas sempre úteis para distrair a cabeçorra teimosa, úteis para continuar a pedalar e manter a bicicleta equilibrada e a andar para a frente. Não me posso queixar no fundo. Queria muito poder queixar-me, sinceramente queria, mas há pessoas com problemas tão mais importantes e de difícil resolução. Quem sou eu para me queixar. Não, não tenho o que quero na minha vida, aquilo que eu mais ou menos planeei (ainda) não se concretizou. Pode ser que venha por aí, pode ser que não. Entretanto o melhor é aproveitar o que tenho que, no fundo, não é assim tão pouco como isso.


Dorothea Lange
Destitute pea pickers in California. Mother of seven children, age 32

Capas variadas da Revista LIFE, em especial dos anos 30 e 40.



Em 24 de Junho de 1944 a capa era o alto comandante do exército italiano. Exibe um ar preocupado. Porque será? LOL


1938. Nem sequer faziam ainda ideia do que este senhor ia provocar pela Europa fora. Entretanto, dava uma bela foto de capa.



The Google Plane, de Miguel Palma
Avioneta P22 110, revestida por uma camuflagem dupla de vinil: azul na parte de baixo, confundindo-se com o céu; em cima, imagens do Google Earth, confundindo-se com a terra, como se tratasse de uma continuação do espaço terrestre.


E com tudo isto acho que me esgotei, não só fisicamente como em termos de inspiração. Um breve hiato surge no horizonte.
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