domingo, abril 19, 2009

E seguiu para bingo

Sim, estava cansado. O corpo estava cansado, depois de uma mega noite de heavy metal prá carola. A que acresceu as míseras 4 ou 5 horas de sono. Mas a verdade é que se o corpo estava cansado, a mente ainda pedia mais. É muito chato isto. Não sei realmente explicar o porquê, mas parece-me que, de vez em quando, o cérebro quer continuar a ser estimulado, apesar do corpo já estar mais que estoirado. Daí o sono leve dos últimos tempos, o custar a adormecer nalgumas noites e, uma ou outra insónia.
Repito: não sei explicar a razão disto. Sei que há um par de meses andava assim, mas tinha uma razão específica para tal. Agora nem por isso. Talvez seja só a vontade de alimentar o espírito. De pedalar continuamente porque, como todos sabem, a bicicleta cai se deixarmos de pedalar. Whatever. É chato porque fico cá com a impressão que não devia andar a forçar o belo do corpinho sem lhe dar o merecido descanso. Mas pronto. Domingo serve para isso mesmo. Assim, ontem, após uma manhã dedicada a um electrodoméstico, e uma tarde inteira para uma cozinha (isso está a ficar catita A.!), estava pronto para mais estímulos. Aparentemente perfilava-se no horizonte mais um concerto dos Banda Gástrica. Mas não. Num daqueles momentos completamente fruto do momento, "spur of the moment", como diriam os bifes, ou um "Goddamnit, i'm going!", acabei por ir sim. Claro que após sugestão do F. Acabei por comprar os dois últimos bilhetes disponíveis. A isto se chama A Fézada! Besides, o heavy metal será sempre a minha música de eleição, mas, de vez em quando sabe bem variar.
E pronto, Dead Combo, Camané e José Mário Branco, no Music Box. E é assim, com decisões de última hora, impulsivas e baseadas em gut feelings, que se acabam por assistir a grandes concertos. E a prova mais que provada que isto foi mesmo decisão de última hora é que nem levei a câmara. Serviu o telemóvel, mas com pouquita qualidade. Já digo que gostava de ter algo mais forte que a minha fiel NYTech, mas desta vez tive saudades dela.
Tinha alguma curiosidade em ver os Dead Combo e o Camané. Só conhecia este último, ao vivo, nos Humanos e gostei. Dos primeiros confesso que não gostei assim muito quando ouvi há uns largos tempos. Mas desde então acabei por mudar de opinião. Criam ambientes interessantes, muito "Morriconeanos", sem perderem a portugalidade.
Do Camané só posso dizer que tem um vozeirão impressionante!!! Juntos cantaram o tema que gravaram para a compilação UPA! no ano passado, "O Vendaval" que é excelente.
Quanto ao José Mário Branco era mais que a mera curiosidade. Sendo a figura insigne que é na música portuguesa, achei que era quase um dever vê-lo, nem que fosse uma vez. Para conhecer, para saber, para dizer que vi e ouvi. E em boa hora o fiz. É um senhor. Sim, em certa medida vindo directamente dos tempos do punho erguido, do cravo e da viola às costas. Mas, por outro lado, um homem, cantor, autor e compositor de hoje. Ainda bem que fui. Obrigado F.







Inquietação
A contas com o bem que tu me fazes
A contas com o mal por que passei
Com tantas guerras que travei
Já não sei fazer as pazes

São flores aos milhões entre ruínas
Meu peito feito campo de batalha
Cada alvorada que me ensinas
Oiro em pó que o vento espalha

Cá dentro inquietação, inquietação
É só inquietação, inquietação
Porquê, não sei
Porquê, não sei
Porquê, não sei ainda

Há sempre qualquer coisa que está pra acontecer
Qualquer coisa que eu devia perceber
Porquê, não sei
Porquê, não sei
Porquê, não sei ainda

Ensinas-me fazer tantas perguntas
Na volta das respostas que eu trazia
Quantas promessas eu faria
Se as cumprisse todas juntas

Não largues esta mão no torvelinho
Pois falta sempre pouco para chegar
Eu não meti o barco ao mar
Pra ficar pelo caminho

Cá dentro inqueitação, inquietação
É só inquietação, inquietação
Porquê, não sei
Porquê, não sei
Porquê, não sei ainda

Há sempre qualquer coisa que está pra acontecer
Qualquer coisa que eu devia perceber
Porquê, não sei
Porquê, não sei
Porquê, não sei ainda

Cá dentro inqueitação, inquietação
É só inquietação, inquietação
Porquê, não sei
Mas sei
É que não sei ainda

Há sempre qualquer coisa que eu tenho que fazer
Qualquer coisa que eu devia resolver
Porquê, não sei
Mas sei
Que essa coisa é que é linda


José Mário Branco
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sábado, abril 18, 2009

Heavy Metal: tão simples como isso.

Bem. Que noite! Três excelentes concertos de heavy metal puro e duro, precedidos de uma mega jantarada com montes de doidos (doidos, mas afinadinhos sim senhor!).
Foi um grande espírito, de cumbíbio, camaradage e amizade! Quem diria que com esta idade andaria nestas andanças. Era "suposto" já estar noutro lado. Mas que se lixe! Continuam a ser estes momentos que um gajo leva para a cova. Como alguém me disse, neste ano que passou parece que troquei uma namorada por uma série de guedelhudos agarrados a uma guitarra. Mas é o que há, e o que há é mesmo bom. Assim, vale a pena. Continua a valer a pena. Fez no dia 12 de Abril um ano em que decidi ir ao Fest da I.M. em Cascais, depois de um dia muito complicado e difícil para mim. Fui para estar com pessoas, divertir-me e ouvir uma ou outra música. Não esperava grande coisa. Concertos underground portugueses, até então, não tinham deixado grande impressão em mim. Até aquela noite. Conheci então bandas que hoje sigo dedicadamente. Desde essa noite que tenho assistido a tantos mas tantos concertos que já custa a lembrar (valha-me o Bola-Oito), e cada vez têm sido melhores. É bom saber que o heavy metal tradicional renasceu cá no nosso burgo. É bom saber que eu também renasci ao mesmo tempo.

De resto, o Transmission foi, pela primeira vez, apertado para tanta gente que queria ver os Midnight Priest, Shivan e, principalmente, Gargula. Midnight Priest abriram as hostilidades em apoteose completa. Quem visse aquilo, e não soubesse, diria que já eram uma banda com anos de existência tal foi a calorosa recepção que tiveram e a grande participação do público. Cantar em português acabou por ser, aqui, uma mais valia. Foi uma verdadeira celebração.


Seguiram-se os Shivan. E já nem sei quantos concertos assisti deles, desde o primeiro naquela famosa noite de 12 de Abril de 2008. Só isso já fala por si. Espera-se ansiosamente o produto gravado que, segundo consta, está para breve. Trouxeram uma surpresa, o vocalista dos velhinhos V12, que não é nada "velhinho", o que ainda deu à noite um maior cariz de verdadeira celebração. Com um tema dos V12 e um dos Iron Maiden levaram ainda mais o pessoal à loucura



E finalmente, os Gargula. O concerto esperado há muito pela maioria das pessoas, uma vez que assinalava o regresso aos palcos da herança Alkateya, outra mítica banda dos anos 80. E, para primeiro concerto destes veteranos não está nada mau. Claro que foram os temas de Alkateya que levaram o público ao rubro, mas os novos originais são muito bons. Era bom que metessem mais uma guitarra, mas para já tásse bem!




NEXT!
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sexta-feira, abril 17, 2009

Shivanzada

Vamos lá a ver no que isto dá...enfim. Para já, grande expectativa em relação a Gargula.

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quarta-feira, abril 15, 2009

Silas Kpanan'Ayoung Siakor

"Human Rights & Sustainable Development"
Ciclo «Um Alerta para o Planeta» - Culturgest

"Our struggle for the environment is not about trees. It is a campaign for social justice and respect for human rights. It is about our right to have a healthy and safe environment".

Silas Siakor, liberiano. A prova viva de que "one man may make a difference". Com apenas 39 anos conseguiu parar a destruição da maior floresta tropical da África Ocidental situada na sua Libéria natal; denunciou os graves abusos de direitos humanos no seu país, contribuindo para o julgamento do ex-presidente da república por crimes de guerra e crimes contra a humanidade; e por tudo isto ajudou a pôr termo a uma guerra civil que grassava naquele país há mais de uma década. Em 2006 recebeu o prestigiado "Goldman Environmental Prize". Belo currículo, não haja dúvida.

TIME: Heroes of the environment 2008

Goldman Environmental Prize

A CGD trouxe-o cá para explicar como se faz tudo isto, o que ele passou a explicar, de forma bastante simples e humilde. Chegou a ser estranho ouvir depois o outro orador, João Ermida, falar sobre o mundo financeiro e sobre as causas da actual crise financeira, quando o povo da Libéria luta ainda por questões tão básicas como electricidade, água potável e saneamento básico.
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terça-feira, abril 14, 2009

Waiting

The waiting is the hardest part, sang Mr. Petty through the speakers into Charlie's ears sinking deep in the back of his mind. He wondered how meaningful those words were to Mr. Petty, or indeed any words of any given pop/rock song with a personal depth, to its author.
"Do these goddamned bastards really mean it? Do they really know? Or are we, the somewhat unaware audience, just playing the fool?" The ever so gullible tormented public always in search of answers and explanations. Were the Sex Pistols really that annoyed and angry as that prick Rotten seemed to be? Were The Smiths the desperate souls they seemed to be in their records? Did Thom Yorke really thought he was a creep? Or was it all part of an elaborate marketing scheme to give the audience and the fans what they want to hear, because the fans are real people, and real people do feel tormented, sad, lonely, lost, angry and, sometimes, like real goddamned creeps?.
In this very moment Charlie realized he was at it again. "For fuck's sake! Here i go again into the ever so typical god forsaken downward spiral of an ever so typical late Sunday afternoon, this time complete with an added flavour of extra cinicism. Snap out of it! Yes Mr. Petty, the waiting is indeed the hardest part".
Waiting is one of the most important occupations of human kind. We even created "waiting" rooms to that effect. Now that's really calling things by their real names! Go figure!
We do seem to be constantly waiting for something. For the end of the morning, for the end of the day, for the end of the week, for the end of the month and the sweet pay day. Waiting for vacations, waiting for the end of the year in order to get monumentally pissed because the long wait is finally over and a new year has arrived. A new year which we hope and wait for better things.
Basically i guess that everyone simply isn't satisfied both with time and space where they're living in. That's the tragedy of our times.
A tragedy that becomes more and more hard to bare as the Lost Art of Waiting is becoming more and more lost through these Mach speed times in which we live. The gentle art of knowing where and how to wait, just waiting with confidence seems to be condemned to disappear indeed. "We want it, and we want it now", seems to be the common motto for these days. And it's really quite difficult to be able to escape this train of thought, because it is indeed a train, and it's riding fast.
So fast that Charlie felt he too was caught in it. Sometimes it seems that one can't afford to stop or else one will be left behind forever.
Gunther Dünn



The waiting is the hardest part
Everyday you get one more yard
You take it on faith, you take it to the heart
The waiting is the hardest part
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segunda-feira, abril 13, 2009

Rise of the Lycans

Ou, "Romeo & Juliet meets Spartacus"

E que melhor altura para começar a ver uma saga em três partes senão pela terceira e última parte? Ah pois. Realmente quando o primeiro e o segundo Underworld estrearam não liguei muito. Não sei porquê, mas vi estes filmes como mais uma adaptação de um qualquer jogo de computador (não que não aprecie este tipo de filmes, mas em boa verdade, há alturas em não apetece), e como tal, não prestei atenção. Nem me lembro sequer de ter visto trailers, ou lido comentários. Deixei pura e simplesmente passar.
Pois bem.
Desta vez vi o trailer sim. E gostei do que vi. E mais interessante: o terceiro volume é uma prequela dos dois anteriores, pelo que poderia ser facilmente visionamentalizado sem exigir muito dos neurónios moribundos e sem chatear as pessoas com o "quem é este?" ou "o que é que eles são mesmo?" ou ainda o "não percebo o que é que eles andam a fazer...".
Entretanto, graças ao Sr. Jumbo, adquiri os dois DVDs dos filmes anteriores por um preço irrisório, e acabei por ver a trilogia na ordem cronológica da narrativa. Aquilo que em "Underworld" e "Underworld:Evolution" era apenas mostrado superficialmente (a saber: a origem das personagens, e, principalmente, do conflito existente entre as duas raças) é aqui a peça central da trama. Como tal, eis-nos levados para a idade das trevas, onde os vampiros são nobres arrogantes em constante luta contra os seus "primos" lobisomens. Isto até ao nascimento de uma nova espécie de lobisomem ou lycans, capazes de reverter à forma humana e de manter a racionalidade, rapidamente escravizados pelos seus "donos" para trabalhos forçados e serviços de protecção.
E tudo corre bem até Lucien, o primeiro Lycan se apaixonar por Sonja, a filha de Viktor, o vampiro regente. Amor proibido, está claro. Cá está o "Romeu e Julieta".
Devido a vários eventos (entre os quais o amor proibido que vive não desempenha pequeno papel), Lucien acaba por se fartar do tratamento que ele e os seus suportam, e consegue inspirar os restantes escravos a iniciarem uma revolta pela sua liberdade ("Spartacus" anyone?). E assim acontece.
Surpreendeu-me imenso o filme. Sinceramente estava à espera de ter muita pancadaria e efeitos em barda. Mas, em boa verdade, o filme tem uma excelente história por trás, e personagens muito interessantes, dos quais, obviamente se destacam os (sim, devo dizê-lo) brilhantes Michael Sheen e Bill Nighy, como Lucien e Viktor. Realmente não esperava nada, habituado que estava a ver um a fazer de Tony Blair no "The Queen" e de David Frost no "Frost/Nixon" e o outro em incontáveis papéis, mas ultimamente no "Love Actually" e "Valquíria". Sem desprimor para os restantes, estes dois carregam o filme para outro nível.
Interessante como muitas vezes nos enganamos em relação a alguns filmes, baseados talvez em preconceitos, ou ideias pré concebidas, pelo menos. Este vale bem a pena.




E para completar e porque me apetece, os trailers do "Underworld" e "Underworld:Evolution":





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sábado, abril 11, 2009

bora nessa!

Added later:

Diz-nos o Carlos Santos, baixista dos Artworx: "epá, vocês estão cá sempre, obrigado!" Replicámos: "De nada pá, mas esperamos um agradecimento especial no álbum ou EP ou o que for!" lol Grande banda.

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The Dark

The dark is very dark indeed.
But it ain't so bad.
Nothing to be afraid of.

quinta-feira, abril 09, 2009

O Visitante

Ora aqui está um pequeno grande filme realizado por Tom McCarthy (autor do também excelente "The Station Agent" de há uns anitos atrás), condenado a passar completamente despercebido nas salas de cinema. Valha-nos o King. E ainda assim, duvido que o filme chegasse cá, não fosse o facto de Richard Jenkins (o eterno 'secundário' numa miríade de filmes - ultimamente o "Burn After Reading, por exemplo) ter recebido uma nomeação para Óscar de Melhor Actor. E merecida, diga-se de passagem. Sem grandes hipóteses de vencer claro, mas nestes casos, só receber a nomeação já é uma espécie de vitória.
A premissa é simples e devo dizer que o interesse me foi despertado pelo trailer. A personagem de Jenkins, aparentemente simples, intrigou-me. Por outro lado, há aqui dois tipos de filmes algo diferentes que, a dada altura, se encadeiam
Walter Vale é um professor de economia que perdeu por completo a paixão pela vida desde o falecimento da sua mulher. Preso a uma vida rotineira, tenta preencher o vazio da sua existência com o trabalho, com a escrita e com aulas de piano (para o qual não tem qualquer aptidão para sua tristeza).
Contra vontade tem de se deslocar a Nova Iorque para participar numa conferência e encontra no seu raramente visitado apartamento novaiorquino, dois emigrantes ilegais: Tarek, músico sírio e Zainab, joalheira senegalesa.
Esclarecido o mal entendido, aqueles apressam-se a sair, mas Walter acaba por os deixar ficar, talvez motivado por um misto de curiosidade e de excitação, pela novidade da situação.
Curiosidade também pelo djembé que Tarek toca e que este acaba por ensinar Walter a tocar. A nova amizade e o novo interesse musical operam um verdadeiro renascimento e reaprendizagem em Walter, bruscamente interrompidos pela prisão de Tarek.
E aqui começa a segunda parte, ou o "segundo filme" se assim se pode dizer. Se a primeira parte estava mais virada para o interior, para o "eu", agora assistimos a uma situação concentrada no exterior e nos "outros", ou melhor no "eu" contra "eles", se assim se pode dizer.
Walter inicia então uma verdadeira luta para salvar Tarek e impedir a sua extradição, percorrendo os meandros burocráticos duma América completamente paranóica e obcecada com os "aliens", com os terroristas, com a segurança, etc etc.
Ambas as "partes" são excelentes, embora deva confessar que a parte mais intimista e de renascimento pessoal me chamou mais. A crítica, não tão velada, à paranóia americana já é algo mais "corriqueiro", mas ainda assim é um bom corolário do que ficou para trás, e um ponto essencial no processo de renascimento para a vida de Walter.
Richard Jenkins é o ponto fulcral do filme, de ambas as "partes". Uma interpretação contida e sóbria, quase discreta. A mera expressão corporal é suficiente para vermos um homem abatido e derrotado. A relação que se estabelece entre ele e Tarek e entre ele e a mãe daquele é de onde ele retira a energia que precisa para se "puxar para cima". E, sem esquecer que é um filme, a verdade é que mais do que meras actuações, são pessoas reais que estamos a ver.




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quarta-feira, abril 08, 2009

Poetas & Palermas

O Dr. Luxúria, justamente aquele que tinha mais curiosidade em ouvir, não pôde ir. No fim foi só o JP e o Fernando. Este último foi uma surpresa agradável. E não digo isto por ser fã de Moonspell. A verdade é que esperava um discurso mais pomposo e afectado, com mais palavras caras e frases arrrevezadas. E afinal não, nada disso. Um discurso natural, simples, escorreito e fluido. Um discurso de quem sabe do que está a falar, e de quem sabe remeter-se ao silêncio quando tal é necessário. Sim senhor. Ainda deu tempo para uma ou outra piada bem metida e para mostrar a boa educação necessária dando tempo para que o outro orador, o JP Simões, pudesse falar também.
Ah. Aqui está um defeito no discurso do Fernando Ribeiro: não devia, realmente, ter deixado o Sr. JP falar.
Em relação a este tótó, este palhaço apalermado, este ser com a consistência intelectual de uma gelatina deixada cair dum vigésimo primeiro andar para se estatelar e esfacelar por completo no asfalto, em relação a este sr. dizia...não faço comentários a não ser: PORQUÊ? MAS PORQUÊ MEU DEUS? COMO SE EXPLICA A EXISTÊNCIA DESTE SER? Que pobreza de espírito....mete dó a figurinha.
Mas pelo menos deu para fazer o pleno: não gosto das músicas dele, não gosto da voz dele, não gosto da figura dele, não gosto dele como compositor, mas ainda lhe dei o benefício da dúvida, "ah e tal, pode ser que até tenha alguma coisa interessante para dizer". Qual quê. É o vazio.

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terça-feira, abril 07, 2009

heute

6, 7 e 8 de Abril - Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa
"Rock e literatura", com Adolfo Luxúria Canibal, JP Simões, Fernando Ribeiro, Jorge Ferraz, Gonçalo Tocha e Regina Guimarães. 18h00, Anfiteatro III.

Poéticas do Rock
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segunda-feira, abril 06, 2009

Fooling around II


Sometimes it's like this. Only the present is visible and somewhat understood. The past is a hazy road behind us...and the future is nowhere to be seen. That's the tragedy of mankind: condemned to walk forevermore on a road, forgetting where they came from, and not knowing where they are heading to...



Gunther Dünn

Fooling around I








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domingo, abril 05, 2009

Spirit

Man gets tired
Spirit don't
Man surrenders
Spirit won't
Man crawls
Spirit flies
Spirit lives
When man dies

Man seems
Spirit is
Man dreams
The spirit lives
Man is tethered
Spirit free
What spirit is
Man can be

sábado, abril 04, 2009

Playing For Change

PEACE THROUGH MUSIC

Playing for Change: Peace through Music

A ideia é tão simples que até admira que ainda não tenha sido feita. Consiste tão somente em reunir músicos, de rua e não só, por todo o Mundo, filmando-os enquanto tocam, à sua maneira, clássicos incontornáveis a música popular do séc. XX. Cada um deles empresta um pouco da sua nacionalidade, se assim se pode dizer, à interpretação. Depois é um trabalho de edição, de "corte e cola" se quisermos, de modo a mostrar no final uma canção completa, executada à volta do Mundo.
O conceito também é simples: a música enquanto factor comum de agregação, de aglutinação, de partilha entre diferentes culturas, países, regiões, etnicidades. E não se trata de um projecto meramente académico.
A fundação Playing For Change, segundo li, construiu e mantém uma escola de música em Gugulethu, um centro de artes em Johannesburgo e centros para refugiados tibetanos na Índia e no Nepal.

Trailer:



"Stand By Me":



"One Love":



"Don't Worry":

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quinta-feira, abril 02, 2009

Artworx

Pale Reality (live)



Under The Eclipse of God (live)



My Promised Land (live)



Enquanto se espera pelo próximo...estas pequenas doses vão ter de servir para controlar a ressaca.... que banda....
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Gran Torino

O Clint Eastwood é um actor/realizador que merece todas as homenagens possíveis, em vida e depois dela. É aquele tipo de realizador que, daqui a muitos anos, poderemos citar e chatear o juízo aos filhos, netos, jovens inconscientes em geral, da mesma maneira que os mais velhos se cansaram (e nos cansaram) a repetir que o John Ford é que era, o Frank Capra, o Otto Preminger, etc etc. Com o Clint Eastwood será a nossa vez! É, certamente, o último dos 'clássicos' no cinema americano. Quando desaparecer não será pequena a perda. Mas sempre se poderá referir a honra e o prazer em ter sido contemporâneo do homem, e ter assistido à sua ascenção, lenta talvez, mas certa, segura e cheia de qualidade.
E "Gran Torino" é apenas mais uma jóia na sua já valiosíssima coroa. É um grande filme, muito bom, daqueles que já pouco se vão vendo. Um clássico à nascença por completo.
O fim de uma era também, uma vez que o próprio Eastwood já disse que era a última vez que actuaria num filme. Dele pelo menos.
E que bela maneira de terminar a sua carreira na representação. O seu Walt Kowalski é a personagem mais dura, mais sacana e filha da mãe que já fez. Mas não, não tem nada a ver com o Dirty Harry ou outros papéis menos complexos. Aqui reside a excelência do filme, a excelência que o trailer, felizmente, não mostra. O que é um feito nesta era em que os trailers basicamente resumem os filmes quase de uma assentada só. Kowalski é muito, mas muito mais do que aquilo que se depreende ao ver o trailer. Surpreendentemente mais. Aliás, nunca suporia que um filme carregado à partida com uma temática tão 'negra', pudesse arrancar tantas gargalhadas honestas da audiência. Isto porque o filme traz também uma dose certa de humor, pelo próprio Eastwood, pasme-se.
A cena em que Kowalski tenta ensinar o jovem Thao a falar como um homem ("let's man you up") é altamente cómica. Mas não se trata de uma comédia. Nem de um filme de acção, nem um filme político ou social. Há elementos disso tudo, mas o filme é tão somente a história de um homem fechado, da sua redenção e contínua aprendizagem, apesar da sua vetusta idade. Os grunhidos guturais que Kowalski reptidas vezes deixa escapar são tão simples, mas tão reais, tão próprios de um homem intolerante e sem grande paciência. Um filme real. Brilhante.
Não ligo muito a isso..mas: Óscar!






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quarta-feira, abril 01, 2009

Obviamente que este...



...não estreou por cá. Claro. Quem é que conhece o Scott Walker? Ninguém....Mas decerteza que se se falar em Antony and The Johnsons, David Bowie, Last Shadow Prophets, etc etc, já seria outra coisa. Enfim.


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segunda-feira, março 30, 2009

Pois é.

Denoto uma tendência assaz curiosa nos últimos meses neste diário de um rapaz solitário, como alguém já o descreveu. Posts irónicos, quase sarcásticos, fotos com títulos pomposos, reviews obsessivas de cinema, música, textos vários, nerdices generalizadas, o uso de palavreado caro (sim, o “assaz” no princípio do texto foi calculado), entre outras provas. Pois é. Qual poderá ser o ídolo dum trintão meio anafado, caixa de óculos, viciado em música (da qual 95% é rock e heavy metal), assíduo em concertos variados, obcecado com cinema, irritantemente conhecedor de banda desenhada, comics e factos inúteis sobre assuntos ainda mais inúteis e com pretensões a fotógrafo situacional? Já para não falar no interesse desmesurado em História e WWII. Pois, podia ser uma espécie de Rob do “High Fidelity" (aha, mais nerdices), mas como não há foto possível deste personagem (e não, não vale pôr o John Cusack), só me consigo lembrar de um. Apenas um. Pois é.







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domingo, março 29, 2009

MUTANT CHRONICLES


Iniciativa interessante do canal Sci-Fi, do qual nunca tinha ouvido falar, mas, segundo consta, faz parte do MEO. O canal é de ficção científica, mas curiosamente a mostra é mais abrangente, como o próprio nome indica. Cinema fantástico. Está bem. Dos sete filmes que compõem este festival, encontro dois realmente de ficção científica . Uma vez que ainda não é desta que há um verdadeiro festival de ficção científica, pelo menos um deles irei ver.
Portanto, hoje, se tudo correr bem e conforme o planeado, se não for raptado por alienígenas, atacado por lobisomens, sugado por vampiros ou cair num buraco negro, estarei a ver este filme que, com o John Malkovich, Ron Perlman e Thomas Jane, foi, sem dúvida, o que mais me interessou.






Não, não tem nada a ver com os X-Men.

ÚLTIMA HORA!!
Muito bom! Não, não traz nada de novo em absoluto; sim, usa de expedientes narrativos já mais que usados e abusados; apresenta personagens relativamente "familiares" e desenvolvimentos no argumento que são típicos destes filmes; mistura elementos reconhecíveis de vários filmes também. Mas que diabo, fá-lo bem! Muito bem! Desde o "Aliens" que não sentia tanta claustrofobia numa sala de cinema, tanto nervosismo e palma de mão suada. É que apesar de tudo, não se sabe efectivamente o que vai acontecer, ou melhor, como vai acontecer.
Quase que se pode dizer que há aqui dois filmes: a primeira parte contém o que é, para mim, a parte mais interessante do filme: num futuro longínquo a Humanidade luta numa verdadeira Guerra Planetária, dividida entre 4 facções, cada uma sob a bandeira da sua respectiva Corporação. Identificam-se facilmente os lados "americano", "oriental", "europeu" e (acho) "australásio". As cenas iniciais, antes da história propriamente dita arrancar são duras, remetendo-nos, paradoxalmente para a carnificina das trincheiras da I Guerra Mundial.
Ora, é uma destas batalhas têm o condão de despertar seres mais terríveis ainda que os humanos. Seres que acabam por unir as quatro facções contra um inimigo comum....até, praticamente, à aniquilição total.....e aqui começa a segunda parte do filme, mais normal, se assim se pode dizer. Muito surpreendente!

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sábado, março 28, 2009

NEO REALISMO

A "arte pela arte" ou a "arte com conteúdo" é uma forma de resumir em poucas palavras esta exposição patente (odeio esta palavra) no Museu do Neo-Realismo em Vila Franca de Xira. O que me levou lá foi, em boa verdade, a exposição "Batalha pelas Sombras", uma exposição de fotografias dos anos 40 e 50 do Museu Nacional de Arte Contemporânea-Museu do Chiado. O que eu não fazia ideia era que esta exposição de fotografias portuguesas neo-realistas se inseria numa exposição muito mais vasta dedicada exactamente a este movimento cultural em Portugal.
O neo-realismo foi uma corrente artística de meados do século XX, com um carácter ideológico marcadamente de esquerda/marxista, que teve ramificações em várias formas de arte (literatura, pintura, música) mas atingiu o seu expoente máximo no Cinema neo-realista, sobretudo no realismo poético francês e no neo-realismo italiano. Em Portugal o cinema e a música apenas ligeiramente se deixaram contagiar por estes novos princípios, mas, em compensação, houve extensa produção literária, teatral, fotográfica e pintura.
Não me posso alcandorar a entendedor destas coisas, mas parece-me que este movimento pretendeu imbuir a expressão artística de algum conteúdo útil, a chamada "arte útil". Não bastava, portanto, produzir arte só porque sim, era necessário dar-lhe um significado real e útil. Era essencial dotar a arte de algum conteúdo. Usar a arte para chamar a atenção para certos e determinados pontos da sociedade de então. Só assim valeria a pena. Só assim seria útil. E nos anos 30 e 40, nada era mais útil e real do que olhar para as condições sociais e económicas dum povo. Características essas que tomaram em Portugal, como se pode imaginar, uma importância assaz relevante, chegando muitas vezes o neo-realismo a significar uma verdadeira oposição ao regime salazarengo. A inspiração era óbvia e notória: a revolução bolchevique e a enorme produção artística que esta potenciou, de onde se destaca, em primeiro plano, os filmes de Eisenstein, em especial "Outubro" e o "Couraçado Potemkine".
Bom, não costumo ir assim a tantas exposições como isso. Digamos que já fui a umas quantas. Mas devo dizer que foram raras as que vi com tanto interesse e vagar. Foram raras as que se tornaram tão apelativas e me fizeram dedicar-lhes realmente o meu tempo.
De facto o Museu em si é muito interessante, e a exposição do neo-realismo espalha-se por três andares, muitíssimo bem organizada, com recurso a todos os suportes visuais e auditivos que se possam imaginar, e leva-nos por uma viagem através do tempo e do espaço. Uma viagem que não aborrece nunca em momento algum.
A exposição de fotografias é a peça central e inicial, mas segue-se depois um percurso histórico e artístico que dá conta da génese, desenvolvimento e influência do neo realismo na pintura, cinema, música, literatura e, claro, na política. É uma exposição, acima de tudo, muito bem montada, muito dinâmica, apelativa e perceptível. Vale bem a pena. No fim tive de comprar o catálogo. 10 € não é muito dinheiro pelo trabalho que tiveram ali. E nem cobram a entrada. Achei que sim.
As imagens expostas são “representativas das dinâmicas da fotografia portuguesa ao longo da década de 50, momento particularmente interessante e mal estudado da sua história.(…) A “batalha de sombras” que estas imagem evocam, é a repercussão duma sociedade cada vez mais polarizada entre a perpetuação duma ilusão e o desengano, produzindo imagens ensombradas por uma cultura fotográfica e artística pouco debatida, ignorando-se mutuamente, e em que cada imagem é a expressão dum dilema entre a “arte pela arte” e as rupturas (im)possíveis em prol duma arte de dimensão e participação social e humanista.” Emília Tavares.




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sexta-feira, março 27, 2009

ena

O Spike Jonze volta fazer das suas. E que belíssima música para o trailer. Só isso já me deu vontade de ver o filme.



O que me lembra que estes gajos já cá voltavam para mais um concerto.


A canção completa. Uma das mais pelas pérolas pop de sempre.

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Alfred, where are you?






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