Ok, é oficial e "dou o braço a torcer": estou viciadíssimo na majestosa obra de George R.R. Martin. Embora, em bom rigor, "dar o braço a torcer" seja algo exagerado, porque nunca neguei o potencial da obra. Mas tudo tem o seu tempo e altura acho eu. E decidi que haveria tempo, mais tarde, para a "Song of Ice and Fire". E maior adiamento teria sido, não fosse o caso de ter sido contagiado violentamente pelos jovens Fernando, Mário e Luís. Em boa hora o fiz, no ano em que se prepara para estrear a série baseada no primeiro volume e meses mais tarde, o lançamento do quinto volume, tão antecipado e aguardado. Yummy. A comparação às obras de Tolkien é natural, eu próprio a fiz e assumi, mas em bom rigor são criações com bastantes diferenças. Em ambas as obras encontramos um mundo imaginário, imensas personagens, enredos intrincados e entrecruzados, desenrolando-se sobre um pano de fundo épico e majestoso. Mas enquanto Tolkien mergulha profundamente na fantasia e no sobre natural, Martin coloca o pouco de sobrenatural que existe na sua narrativa num ponto muito secundário (pelo menos até ao que li). Existe o elemento sobre natural, mas a pedra de toque é, sem sombra de dúvida, a luta política, o desejo de poder tão característica dos homens. O enredo é manifestamente político e toda a história gira à volta do Poder: a luta por, a manutenção do mesmo, as intrigas e lutas de bastidores.
Os tempos de crise levaram-me a optar pelas edições de bolso originais. São verdadeiros "tijolos", mas pelo menos são portáteis. E a portabilidade, numa obra desta natureza e qualidade é absolutamente essencial. A escrita é estranhamente leve e absorvente. A narrativa é complicada e entrecruzada, mas, curiosamente, nunca se perde o fio à meada, de tal forma nos absorve. Sim senhor.



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