Vamos lá a ver uma coisa. Há aqui duas experiências muito diferentes. Dois vectores separados, no que diz respeito a este filme. Em primeiro lugar temos a experiência visual, quase sensorial que nos é dada pelo uso eficaz da tecnologia 3D. E aí sim, compensa e muito ir ver este filme. As cores, a fotografia, a verdadeira experiência que é estar "quase" dentro da acção é realmente uma maravilha. Todas as imagens do filme ganham imenso com o 3D e os restantes efeitos especiais. Especialmente quando a maior parte do filme se passa numa luxuriante e ultra colorida floresta. Realmente uma maravilha para o olhar e para os sentidos que vale a pena experimentar. Mas, tomada a decisão de experimentar há que estar preparado para o outro vector, a outra experiência (um segundo enquanto vou buscar um bastão e afio o machado).
É que o filme, enquanto filme, não tem nada de interessante. É chato, aborrecido, demasiado longo, cheio de clichés vergonhosamente sacados a outros filmes (e, ao que consta, a jogos de computador, o que é, à sua maneira irónico) e sem qualquer argumento ou história inovadora.
Nos idos de 1991 lembro-me de ter ido às Amoreiras, com uma série de amigos da escola, ver o "Terminator 2", também de John Cameron. Quando saí do filme, sim senhor, gostei e via-se bem e os efeitos especiais (quem não fica impressionado com um actor feito de crómio líquido?) eram espantosos. Mas no fim de tudo...pouco mais havia que um puto e o tio Arnaldo a fugir de um robot ainda mais mauzão que o primeiro, numa acção desenfreada que se desenvolvia por vários níveis ou plataformas, qual jogo de computador. E tinha eu na altura 17 anos!
O James Cameron tem, efectivamente poucos filmes realizados (cada um que realiza é sempre uma mega filme há que reconhecer), mas na minha opinião tem apenas 4 filmes bons: o "Terminator" original de 84, o segundo "Aliens" de 86, "The Abyss" de 89 e o "True Lies" de 94 (um filme realmente engraçado e interessante).
Depois veio a catástrofe, e em mais do que um sentido! "Titanic" o verdadeiro filme catástrofe. Sim, a "melhor" parte desse filme era ver o barquito a naufragar. Mais uma vez: efeitos especiais. De resto aquela parte do Leo na proa a gritar "I'm the king of the world" ainda me provoca pesadelos (já para não falar da celinedionzada...).
O "Avatar" segue exactamente a mesma linha. Muitos e bons efeitos especiais, sem os quais o filme se tornaria uma experiência muito penosa. A parte de não ser uma história nova não é, aviso desde já, um defeito que seja sempre de apontar. Há N filmes que não inovam ou repetem ideias, mas que ainda assim trazem qualquer coisa. Ora, a única coisa que este traz é a experiência 3D. Que é muito gira sim senhor, mas e daqui a 10 anos? Quem, pergunto eu, ainda fica HOJE deslumbrado com o exterminador feito de crómio do "T2"? Poucos...porque hoje em dia aquilo já é por demais corriqueiro. Daqui a 10 anos, o "Avatar" terá apenas no seu CV o facto de ser pioneiro no 3D. Mesmo o facto de ser o filme mais caro e o que rendeu mais de sempre está condenado a ser ultrapassado. Portanto é pouco meus senhores. Muito pouco. E isto suscita-me esta verve toda só pelo facto de se ter criado a histeria colectiva em relação ao filme. Sim, vale a pena ver, sim é um colírio para os olhos, mas nada mais. É um doce de filme, e o povo gosta de doces. Mas não podemos comer só doces. É preciso alguma “sustança”, coisa que o filme, nitidamente não tem. E nem me vou referir à série de momentos e diálogos ou frases que, enfim, me deixaram constrangido. Momentos que só consigo afastar com uma sonora gargalhada.
Enfim, “The Last Samurai”, “Dances With Wolves”, “The New World” (ver figura abaixo), etc etc, tudo isto são filmes que já trouxeram o conceito “ocidental/humano mauzão infiltra-se em civilização indígena; acaba por apreciar e aprender os seus costumes; torna-se seu defensor e, pasme-se, o Escolhido”.
Aliás, a comparação com “The New World”(o Pocahontas) é por demais evidente a vários níveis: objectivamente porque é assustador a similitude de argumento entre um e outro. É só retirar os índios americanos e meter os estrumpfes alongados e voilá. E subjectivamente porque, e isto é apenas a minha opinião, tanto o “The New World” como o “Avatar” são aborrecidos de morte com tanto misticismo e conceitos etéreos e, perdoem o palavreado, tanta lamechice xaroposa pegada. A última vez em que me senti assim foi mesmo com o “The New World”. Não deixa de ser irónico que, no fundo sejam dois filmes iguais. Ambos têm pretensões místico-ecológicas e ambos foram alvo dos mais rasgados elogios pela sua poesia (visual ou não). Pois a mim não me convencem. É muito bonito de ver e tal, mas tanta coisa bonita para os olhos só serve para tapar o que vem a seguir. O melhor é ir ver este filme como quem vai ver um espectáculo visual state of the art, um documentário sobre um planeta, uma floresta distante e aproveitar ao máximo as visões realmente belas que surgem perante nós. É isso mesmo: é um espectáculo visual esmagador, não um filme.
A ver, portanto, pelo 3D definitivamente, mas preparem-se para soltar umas gargalhadas pelo meio, sob pena de enlouquecerem.
É que o filme, enquanto filme, não tem nada de interessante. É chato, aborrecido, demasiado longo, cheio de clichés vergonhosamente sacados a outros filmes (e, ao que consta, a jogos de computador, o que é, à sua maneira irónico) e sem qualquer argumento ou história inovadora.
Nos idos de 1991 lembro-me de ter ido às Amoreiras, com uma série de amigos da escola, ver o "Terminator 2", também de John Cameron. Quando saí do filme, sim senhor, gostei e via-se bem e os efeitos especiais (quem não fica impressionado com um actor feito de crómio líquido?) eram espantosos. Mas no fim de tudo...pouco mais havia que um puto e o tio Arnaldo a fugir de um robot ainda mais mauzão que o primeiro, numa acção desenfreada que se desenvolvia por vários níveis ou plataformas, qual jogo de computador. E tinha eu na altura 17 anos!
O James Cameron tem, efectivamente poucos filmes realizados (cada um que realiza é sempre uma mega filme há que reconhecer), mas na minha opinião tem apenas 4 filmes bons: o "Terminator" original de 84, o segundo "Aliens" de 86, "The Abyss" de 89 e o "True Lies" de 94 (um filme realmente engraçado e interessante).
Depois veio a catástrofe, e em mais do que um sentido! "Titanic" o verdadeiro filme catástrofe. Sim, a "melhor" parte desse filme era ver o barquito a naufragar. Mais uma vez: efeitos especiais. De resto aquela parte do Leo na proa a gritar "I'm the king of the world" ainda me provoca pesadelos (já para não falar da celinedionzada...).
O "Avatar" segue exactamente a mesma linha. Muitos e bons efeitos especiais, sem os quais o filme se tornaria uma experiência muito penosa. A parte de não ser uma história nova não é, aviso desde já, um defeito que seja sempre de apontar. Há N filmes que não inovam ou repetem ideias, mas que ainda assim trazem qualquer coisa. Ora, a única coisa que este traz é a experiência 3D. Que é muito gira sim senhor, mas e daqui a 10 anos? Quem, pergunto eu, ainda fica HOJE deslumbrado com o exterminador feito de crómio do "T2"? Poucos...porque hoje em dia aquilo já é por demais corriqueiro. Daqui a 10 anos, o "Avatar" terá apenas no seu CV o facto de ser pioneiro no 3D. Mesmo o facto de ser o filme mais caro e o que rendeu mais de sempre está condenado a ser ultrapassado. Portanto é pouco meus senhores. Muito pouco. E isto suscita-me esta verve toda só pelo facto de se ter criado a histeria colectiva em relação ao filme. Sim, vale a pena ver, sim é um colírio para os olhos, mas nada mais. É um doce de filme, e o povo gosta de doces. Mas não podemos comer só doces. É preciso alguma “sustança”, coisa que o filme, nitidamente não tem. E nem me vou referir à série de momentos e diálogos ou frases que, enfim, me deixaram constrangido. Momentos que só consigo afastar com uma sonora gargalhada.
Enfim, “The Last Samurai”, “Dances With Wolves”, “The New World” (ver figura abaixo), etc etc, tudo isto são filmes que já trouxeram o conceito “ocidental/humano mauzão infiltra-se em civilização indígena; acaba por apreciar e aprender os seus costumes; torna-se seu defensor e, pasme-se, o Escolhido”.
Aliás, a comparação com “The New World”(o Pocahontas) é por demais evidente a vários níveis: objectivamente porque é assustador a similitude de argumento entre um e outro. É só retirar os índios americanos e meter os estrumpfes alongados e voilá. E subjectivamente porque, e isto é apenas a minha opinião, tanto o “The New World” como o “Avatar” são aborrecidos de morte com tanto misticismo e conceitos etéreos e, perdoem o palavreado, tanta lamechice xaroposa pegada. A última vez em que me senti assim foi mesmo com o “The New World”. Não deixa de ser irónico que, no fundo sejam dois filmes iguais. Ambos têm pretensões místico-ecológicas e ambos foram alvo dos mais rasgados elogios pela sua poesia (visual ou não). Pois a mim não me convencem. É muito bonito de ver e tal, mas tanta coisa bonita para os olhos só serve para tapar o que vem a seguir. O melhor é ir ver este filme como quem vai ver um espectáculo visual state of the art, um documentário sobre um planeta, uma floresta distante e aproveitar ao máximo as visões realmente belas que surgem perante nós. É isso mesmo: é um espectáculo visual esmagador, não um filme.
A ver, portanto, pelo 3D definitivamente, mas preparem-se para soltar umas gargalhadas pelo meio, sob pena de enlouquecerem.
Pocahontas Vs. Avatar
PS: E não, não há qualquer hipótesem nem remota nem mínima, de comparar este filme à excelência suprema que é a trilogia "Lord of the Rings".


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