Devo assumir aqui a minha total solidão no que diz respeito a este filme. É verdade. Assumo. Não gostei. Não gostei enquanto filme, enquanto obra cinematográfica. Nada a fazer. Aborreceu-me. Sim, estou consciente que por vezes um gajo está cansado ao fim do dia, e estou também consciente do facto de nunca ter sido fã de filmes mafiosos. Mas seja como for, tenho de dizer que este me aborreceu de morte.O filme é baseado no livro de Robert Saviano, que actualmente se encontra sob forte protecção policial, exactamente por ter escrito o livro, revelando sem qualquer prurido a realidade da Camorra napolitana. O filme foi um sucesso em Cannes, premiado, e alvo de elogios magníficos por todo o lado.
Ok, sei bem ver quais as qualidades do dito. Filmado nuns subúrbios de Nápoles, com recurso a habitantes reais da zona, obviamente pertencentes à organização, o filme é sem dúvida excelente ao proporcionar um mergulho duro e cru nos meandros da Camorra. O filme tem tanto de ficção como de documentário e segue cinco histórias, a de Toto, um miúdo de 13 anos que ambiciona entrar na organização, sem saber o que isso lhe custará, Pasquale, um costureiro que por decidir ajudar concorrentes chineses (a mafia chinesa?) acaba por se meter em sarilhos, Roberto, um jovem empregado e iniciado nestes meandros que não se sente muito confortável, D.Ciro que distrbui dinheiro às famílias dos membros presos e Ciro e Marco, dois putos verdadeiramente desmiolados com ilusões cinéfilas do que é a Mafia.
Todas estas histórias passam-se num ambiente fechado, claustrofóbico e quase labiríntico dumas quantas ruas daquele arrabalde de Nápoles. Um local em guerra constante e quotidiana, onde os clãs se enfrentam diariamente e onde apenas a linguagem das armas, da violência e do "olho por olho" são válidas.
As personagens de Marco e Ciro, são as mais interessantes na medida em que se revêem em vários personagens mafiosos de Hollywood, almejando serem iguais a eles. Todavia, se há coisa que o "Gomorra" faz, é precisamente demonstrar que a Mafia real não tem a honra e o glamour que se vê em Hollywood.
Sim trata-se de um filme cruamente realista, sem contemplações, sem eufemismos ou suavizações. A realidade é dura. E Matteo Garrone, o realizador, quis fazer em filme o que Saviano já tinha feito em papel: expor a Camorra napolitana. Não tanto com um dedo apontador e denunciante, não tanto para provar que é uma coisa má e violenta, não tanto um filme abertamente contra a Camorra, mas antes um filme sobre a Camorra. E é nessa medida que o filme opta por não cair no facilitismo dos "bons e maus". Não. Ali são todos "maus", mas "bons" também, porque no fundo fazem parte do sistem inerente àquela vivência. Toto não é mau, como é óbvio, mas tem de viver nas condições que lhe dão. O mesmo se diga dos outros personagens.
Isto é, portanto, o interessante do filme. E é muito interessante de facto.
O problema é que estas reflexões são atingidas na primeira meia hora do filme. A partir daí, e falo por mim, ver o restante do filme tornou-se penoso. Simplesmente porque não tinha mais nada a retirar dali. Senti que o filme já não tinha mais para me oferecer. "Ok...já percebi!". Talvez seja demasiado grande. Nem sequer vou mencionar o problema que experienciei ao ver o filme e não perceber muito bem o que se passava (tive uma ideia geral de luta de clãs), e não perceber também muito bem o que motivava alguns personagens, especialmente a relação D.Ciro/Maria.
Bottom line: não gostei. Talvez tivesse demasiadas expectativas, talvez estivesse cansado. Mas a memória que trago do filme é de estar a olhar para o relógio de 15 em 15 minutos. Não me incomodou o realismo do filme, mas a partir de certa altura, realmente, já me tinha perdido. O trailer, porém, é bom.
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4 comentários:
filme visto já há uns dias, mas ficou-me atravessado... lol
Eu gostei!
Ah...isso é pq tu tens pinta de mafioso! eheheh
LOL
já me chamaram isso.. capiche?
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