Já sabia que tinha ouvido muita música este ano. Mas de facto surpreendeu-me ser capaz este ano de organizar um top10 extra heavy metal, o género que normalmente domina. E dominou também em 2008, tanto assim é que o top10 heavy metal está a ser algo difícil de fazer. Portanto, para já, aqui vai o meu top10 non metal.
#10. THE HOLD STEADY - "Stay Positive:
Banda americana, de Brooklyn, se bem me lembro. É o quarto álbum e é muito bom. A música é rock e é, sem sombra de dúvidas, música americana. Rock indepentende americano, para quem gosta de labels. A composição é, depois de dada a devida atenção, mais complexa do que aparenta. Cada canção é uma história em si, um hino, uma trova que encontra ainda algumas raízes num Dylan ou num Springsteen, mas com mais guitarras. A voz do vocalista Craig Finn é estranha a princípio, mas depois entranha-se. Só a "Constructive Summer" que abre o álbum é fantástica ao dar o tom do que se segue: "Me and my friends are like/the drums on "Lust for Life"/we pound it out on floor toms/our psalms are sing-a-long songs".
"Stay Positive": http://www.youtube.com/watch?v=FY3V4ObYRsA
#9. TRAVIS - "Ode to J. Smith"

E ao sexto álbum, eis que os Travis se fartaram de escrever aquelas melodias memoráveis e desgraçadamente pop que sempre lhes ficara tão bem, e se viraram para o rock, para uma abordagem mais agressiva, mais guitar driven e ecreveram umas melodias agradáveis e desgraçadamente pop/rock que lhes ficam a matar. Pois é. Um álbum curto, gravado em poucos dias, mais directo e in your face. Desde o primeiro álbum que os Travis não eram assim tão "eléctricos"A mudança foi relativamente grande, mas estes gajos, para mim, ainda não fizeram asneira. São excelentes compositores, excelentes músicos e têm ar de gajos porreiros e simpáticos. E low profile também. Mais outra coisa que lhes fica bem.
"J.Smith": http://www.youtube.com/watch?v=W8ufd7HcKkc
#8. ELBOW: "The Seldom Seen Kid

A primeira vez que ouvi falar destes fulanos, foi através de (mais) uma comparação com os Radiohead. Assim, também estes britânicos, contemporâneos dos Radiohead, seriam, afinal, também eles, filhos do "The Bends". Sinceramente não acho que baste uma voz suave e algumas descargas de electricidade enre alguns momentos mais calmos, para comparar uma banda aos Radiohead. Ok, estou a ser mau, reconheço que há um pou outro ponto de contacto. Mas a verdade é que, bem vistas as coisas, são duas bandas tão diferentes. Os Elbow continuam a progredir com este quarto álbum...e é-me difícil encontrar comparação cabal para a música deles. Eu gosto. Basta isto, pronto.
"The Bones of You": http://www.youtube.com/watch?v=-DwFjqt-Wk4
#7. BOSS MARTIANS - "Pressure in th S.O.D.O."

Rock! É tão simples como isso. Os Boss Martians têm aqui canções tão orelhudas, mas ao mesmo tempo tão 'loud' e 'catchy' que só apetece ir aumentando cada vez mais o volume. "Pressure in the Sodo" está repleto de guitarras, solos, canções memoráveis e muita energia, do princípio até ao fim. Simples e directo, sem appelo nem agravo. Aqui e ali pontuam umas teclas e uns sintetizadores, mas a força está nas guitarras, na bateria e na voz. "Mars is for martians" foi escrita de propósito pelo Iggy Pop, que acabou por decidir participar ele próprio na canção em dueto. É bom sinal.
"Mars is for martians": http://www.youtube.com/watch?v=SJ9ZFP9K86E
#6. The Killers - "Day & Age"

Pop. Sem qualquer vergonha, pop assumidíssima. Encontramos traços de Roxy Music, Pet Shop Boys, U2, entre outros. Mas, inegavelmente, com uma personalidade muito própria e singular. Para banda americana, e de Las Vegas, ainda por cima, soam tão britânicos que se diriam dessa nacionalidade mesmo. O single de avanço "Human" é daquelas pérolas pop de que uma banda se pode orgulhar. Infelizmente é de tal maneira assim que as rádios nacionais se têm dedicado a "matá-la" com um incessante e repetido airplay. Não retira qualidade à canção, mas que pode acabar por chatear, pode (ver The Story da Brandi Carlisle). No meio de toda esta vasta panóplia de influências dos 80's, é a última canção que realmente se destaca. Os quase 8 minutos de duração, a parede de guitarras e o ambiente doom e gloomy, tornam "Goonight, Travel Well", o verdadeiro marco deste álbum.
"Human": http://www.youtube.com/watch?v=d97XFGR_IP0
#5. THE GASLIGHT ANTHEM - "The '59 Sound"

Americanos, de New Jersey e este é o segundo álbum. Responsáveis pelo reavivar do chamado "Jersey Shore Sound", do qual Bruce Springsteen talvez seja o mais representativo. Como tal, a temática da música tem um feeling algo industrial, dedicado ao homem comum, o trabalhador, o underdog e à vida quotidiana. A isto adiciona-se umas pitadas de punk rock (Joe Strummer e Manic Street Preachers de início de carreira) e obtém-se um álbum brilhante, dito o "Darkness on the edge of town" do novo milénio. Eu diria mais o "Born To Run", pois ambos estão pejados de uma energia quase impotente, uma energia que está contida, mas prestes a explodir. Aqui sim, encontramos a veia de contadores de histórias, de trovadores urbanos que encontrámos em Springsteen. Vi-os pela primeira vez no final de um "Conan O'Brien". Pergunto-me o que terá achado deles Max Weinberg.
"The '59 Sound": http://www.youtube.com/watch?v=bOBb13yDnz
#4. THE VERVE - "Forth"

Ei-los de volta. Reunidos pela segunda vez. Os Verve nunca foram propriamente mais uma banda de brit pop, e com este álbum provam esse facto inegavelmente. Em boa verdade de pop este álbum não tem assim muito. Sim, é claro que não se tornaram uma banda electrónica ou de heavy metal, ou apenas rock. Há uma amálgama que se espalha pela longa duração destes disco (demasiada segundo alguns) e pelas canções, as quais, na sua maioria, ultrapassam a marca dos 5/6 minutos. De facto, é difícil qualificar este álbum. Tem elementos pop, tem elementos rock, tem elementos psicadélicos, orquestrais etc etc. Em geral é um álbum bastante dark e soturno. Quer nas letras, quer nas músicas. O single inicial, "Love is Noise", cumpre efectivamente a função: é uma canção rock, relativamente rápida e com o necessário para "prender" e atrair a atenção. Mas em geral o resto do disco é mais mid tempo e hipnotizante.
"Love is noise": http://www.youtube.com/watch?v=PmRJo8RQ5sA
#3. THE PINEAPPLE THIEF - "Tightly Unwound"

Parece que os TPT também são comparados frequentemente aos Radiohead. Até certo ponto compreendo a comparação. A voz de Bruce Soord é, em determinados momentos, parecida com a de Thom Yorke; a música comporta também aquele elemento "progressivo" (no sentido de evolução) que foi apanágio (e ainda é, embora já não muito do meu agrado) dos Radiohead, culminando no brilhante "OK Computer". Mas acho que são estes os únicos pontos de contacto: alguns tons vocais parecidos e a atitude perante a criação musical. Fora disto, os TPT mostram aqui (e confesso não conhecer os álbuns anteriores) uma postura arrojada, mais próxima duns Porcupine Tree e No-Man. Ou seja, uns Radiohead menos preocupados em manter uma estrutura pop, e mais descontraídos em deixar a música discorrer e fluir livremente. Daí as raízes prog. Muito interessante, aqui e ali de audição difícil, mas sem deixar de manter uma preocupação de coerência melódica e uma mistura eficaz de descargas eléctricas e momentos acústicos.
"Shoot First": http://www.youtube.com/watch?v=gN_f-ejifd8
#2. THE GUTTER TWINS - "Saturnalia"

Do Sr. Greg Dulli dos Afghan Whigs pouco conheço, a não ser a sua participação na banda sonora do "Backbeat", filme dos anos 90 sobre o início da carreira dos Beatles eem especial sobre o 5.º Beatle, Stuart Sutcliffe. Gosto da voz sim senhor. Quanto ao outro "twin", bom, Mark Lannegan dispensa apresentações. Os Screaming Trees são mais do que suficientes para apresentar o homem. Não contente com isso, ainda participou em três discos dos Queens of the Stone Age, "Songs For The Deaf" incluído. E continua a ter a voz certa no momento certo. Inicialmente duvidei da combinação, mas depois de ouvir é inegável que funciona a 100%. As duas vozes, diferentes, servem de contraponto uma a outra e, por vezes, de complemento. O que é uma boa surpresa. Rock muito in your face, muito introspectivo por vezes e algo duro noutros momentos. Aliás, o ambiente musical é, mais do que nunca, facilmente adivinhável só de olhar para a capa: uma rua deserta, abandonada debaixo de um céu negro e ameaçador. Sim, está em segundo lugar, mas poderia estar perfeitamente em primeiro. Passa-se apenas que o n.º1 teve direito a mais audições, pelo que aí vem ele.
"Idle Hands": http://www.youtube.com/watch?v=bOBb13yDnzo
#1. THE LAST SHADOW PUPPETS - "The Age of the Understatement"

Trabalho fácil. É só fazer copy/paste do que escrevi em Novembro. E outros que me surpreenderam muito este ano. Estes foram recomendados pelo Zé Pedro. The Last Shadow Puppets. Super banda, ou melhor, super duo composto por Alex Turner dos Arctic Monkeys e Miles Kane dos The Rascals. A atenção é, naturalmente, atraída para o primeiro nome, mas quem já ouviu The Rascals penso que pode presumir que o Kane também é uma força compositora enorme neste duo.
Mas já as diferenças entre estes Puppets e os Artic Monkeys são muito maiores.
Ironicamente este disco é tudo menos um "understatement". Com orquestrações elaboradas, texturas complexas e acordes soturnos é um álbum de pop sinfónico muito ambicioso e por vezes mesmo "over the top". Respira anos 60 por todos os poros, misturado eficientemente com um ambiente "James Bondiano" (especialmente na faixa título). No fundo é disso que se trata, de uma viagem nostálgica, sem vergonha de se assumir como tal, com ecos do universo de Scott Walker e recantos interessantíssimos providenciados pelos arranjos grandiloquentes de Owen Pallett (pois, o dos Arcade Fire).
"The Age of the Understatement":

Trabalho fácil. É só fazer copy/paste do que escrevi em Novembro. E outros que me surpreenderam muito este ano. Estes foram recomendados pelo Zé Pedro. The Last Shadow Puppets. Super banda, ou melhor, super duo composto por Alex Turner dos Arctic Monkeys e Miles Kane dos The Rascals. A atenção é, naturalmente, atraída para o primeiro nome, mas quem já ouviu The Rascals penso que pode presumir que o Kane também é uma força compositora enorme neste duo.
Mas já as diferenças entre estes Puppets e os Artic Monkeys são muito maiores.
Ironicamente este disco é tudo menos um "understatement". Com orquestrações elaboradas, texturas complexas e acordes soturnos é um álbum de pop sinfónico muito ambicioso e por vezes mesmo "over the top". Respira anos 60 por todos os poros, misturado eficientemente com um ambiente "James Bondiano" (especialmente na faixa título). No fundo é disso que se trata, de uma viagem nostálgica, sem vergonha de se assumir como tal, com ecos do universo de Scott Walker e recantos interessantíssimos providenciados pelos arranjos grandiloquentes de Owen Pallett (pois, o dos Arcade Fire).
"The Age of the Understatement":
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10 comentários:
xxxiiiiiiiii
tou mesmo fora :P
deixa lá...amanhã ou dps meto o top metal.
Se metesse o meu top de filmes de 2008 no meu blog seria uma miseria LOL
Abraços
Pois. É preciso ir ao cinema! LOL
hum.. quanto aos Hold Steady, concordo! gosto mto deles, apesar de este último album me ter passado um pouco ao lado, fruto da muita e variada oferta que saiu no ano passado. mas se gostaste, penso que gostarás ainda mais do trabalho anterior.
quanto aos Gutter Twins, bom, de facto, os membros integrantes falam por si. mas ao contrário de ti, os Afghan Whigs são das minhas bandas preferidas. ainda esta semana tenho feito uma revisita caseira ao album "black love", quiçá o mais intimista. e aconselho-te a ouvi-los, porque no limite rock dos hold stedy, encontrarás o rasganço dos Afghan Whigs.
abraço
Gosto muito do anterior dos Hold Steady sim."Boys and Girls in America". É de 2006 salvo erro. Na altura não conhecia. Ete novo vinha muitíssimo bem cotado na revista "Classic Rock" e decidi conhecer.
Pois, confesso a minha ignorânci em relação aos Afghn Whigs. Não dá para cohecer tudo caraças. Bem tento, mas não dá. Que álbuns recomendas, para além dese "Black Love"?
E onde estão os James?! ;-) Eu adoro "Hey Ma".
Olha...pois é. Bom...é impossível realmente lembramo-nos e tudo.
O "Hey Ma" é um grande álbum. Mas seja como for não o ouvi assim muitas vezes para que pudesse entrar no top. Tenho mais memória das músicas novas quando as ouvi nos dois concertos que vi, do que ouvi-las no disco.
dude, quanto aos Afghan Whigs, recomendo o último de 1998 intitulado "1965". instrumentalmente é o mais acessível, e o mais impregnado com laivos daquele soul negro mto ao jeito de Soulsavours (tb com o Lannegan) ou Gutter Twins. o mais rocker e grunhido é o "Gentlemen", simplesmente genial.
by the way, tem vindo a chegar com alguma regularidade, uma publicação musical interessante: "Skyscraper" - arranjas na Tema
Gracias!!
Recomendações devidamente anotadas para posterior exploração. :D
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