quinta-feira, janeiro 22, 2009

Die Welle

"Die Welle" é um filme que praticamente iria passar despercebido por mim. Não sabia do que tratava, mas assim muito por alto, atentei nas palavras "escola", "alunos", "professores", "experiência", etc. Tendo visto "A Turma" no mês passado, sinceramente não me senti com disposição de "voltar a entrar numa sala de aula" para observar a costumeira dialéctica aluno/professor.
Eis senão quando, por obra e graça de uma recomendação duplamente "fernandiana", lá fui ver o dito cujo. E em boa hora.
O filme passa-se numa escola alemã. E, realmente, tem alunos, professores, etc e tal. Mas não é um filme sobre isso.
Rainer Wenger, um relativamente jovem professor de Ciência Política, ainda meio punk/rebelde vê-se obrigado a debater, durante uma semana, o tema da Autocracia com a sua turma. Nada apela menos a um professor que teria preferido ensinar a Anarquia, mas trabalho é trabalho. Para tal, e perante a nítida repulsa dos alunos pelo tema e suas óbvias ligações ao passado alemão, bem como à afirmação categórica dos mesmos que tal nunca poderia se repetir na Alemanha, Rainer opta por um método de ensino...diferente. Uma experiência que, enfim, digamos, fica fora de controle.
Aquela turma acaba por se tornar uma micro autocracia, um mini regime totalitário e autoritário, completo com símbolos, uniformes, disciplina rígida e culto ao líder.
É interessante que os alemães já estejam preparados para fazer um filme destes, com uma temática destas. Mais interessante ainda quando se conclui que se tratou de uma experiência verídica realizada nos anos 60 num liceu californiano e que um alemão a adapte para a sua pátria acometida ainda de culpa.
Sim, várias críticas poderiam ser apontadas ao filme. Que não há uma ideologia verdadeiramente política no grupo; que é demasiado esquemático e simplificador do que é um verdadeiro regime fascista; que parece ser mais fácil justificar este "fascismo de meia tijela" quando se trata de um grupo de adolescentes obviamente desorientados e desajustados em diferentes graus; que, como tal, se trata de um fenómeno similar ou próximo aos gangs juvenis ou mesmo ao hooliganismo.
Sim, talvez, porém, a meu ver, isso não tretira qualquer força e interesse ao filme, nem sequer desvaloriza a experiência didáctica que ocorreu e que agora nos é mostrada actualizada aos dias de hoje. Não. Apesar de tudo, o filme mostra que o Homem não é só um animal gregário, mas também um animal de grupos, de sentimento de pertença e, dadas as condições adequadas, um animal hostil a outros grupos.
Muitíssimo bom.

Eis o trailer, embora deva dizer que só o vi após o filme. Aliás, vi o suficiente do trailer para me convencer a ir. Mas optei por não ver mais. Foi uma boa escolha. Maior efeito surpresa.

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