segunda-feira, março 17, 2008

'Jump' daqui para fora pá!

Epá, um gajo chega ao final de uma semana tramada , cheia de trabalho e coisas mil e só apetece descomprimir, esquecer o Mundo e entrar noutro. Para isso, ou se apanha uma granda buba, ou vai-se ao cinema ver um daqueles filmes de acção americanos, semi-blockbusters, cheios de efeitos especiais e o camandro ao quadrado. Filmes de entretenimento puro, portanto. Também têm o seu valor. Por isso fui dar uma vista de olhos a este:

E em boa verdade digo: não nada mais frustrante do que ir ver um filme deste género, em busca dum pouco de entretenimento e escapismo, e nem sequer isso o filme é capaz de nos dar.

A premissa básica (e suponho que, para não variar, o livro seja muito mais interessante) até é interessante: determinadas pessoas nascem ou desenvolvem a capacidade de se teletransportarem no espaço (quen não desejou já isso?). No caso concreto seguimos a história dum puto que é maltratado na escola e pelo pai até ao dia em que descobre o que pode fazer. Rapidamente pira-se de casa e anos depois vêmo-lo confortavelmente instalado em NY cheio de dinheiro e a viver uma vida completamente hedonista e egoísta. Até aqui a ideia é interessante, pois seria muito fácil e demasiado visto cair na tentação de se tornar um daqueles filmes "gajo descobre que tem poderes e sacrifica-se pondo-se à disposição da humanidade, blá blá". Não, o "herói", quase um sacanita insensível, utiliza o seu poder descaradamente para benefício próprio e fica desde logo estabelecido que não sente nenhuma inclinação para ajudar o seu semelhante. E isto é uma base interessante e realista porque, admitamo-lo, quem não gostaria de ter um poder assim, e quem é que não o usaria para seu próprio benefício? Ah pois é.
Mas depois, sinceramente, o resto da história é desenvolvida tão mas tão pobremente que eu dei comigo a pensar que se tivesse aquele poder teletransportava-me dali para fora. Há uma espécie de organização católica (!!? deve estar na moda) que persegue as pessoas com este dom para os matar, simplesmente porque a sua existência configura uma ofensa a Deus, pois só Deus pode ser ubíquo. Ora, se bem me lembro, o dom da ubiquidade é a possibilidade de estar em todo o lado ao mesmo tempo, coisa que estes 'jumpers' não faziam, como é óbvio. Mas pronto, assim se estabelecem os vilões (liderados por um Samuel L. Jackson cujo estado capilar lembrava um Abel Xavier nos seus 'tempos de glória'). O interesse romântico é também infantilmente criado com o regresso do puto à sua terra e re-descoberta da sua antiga paixoneta, uma rapariga que abandona tudo para ir viajar (de avião entenda-se) com um gajo que não via há mais de 15 anos (uau, credível à brava) e que se deixa arrastar pelo Coliseu de Roma sem nunca perceber nada do que está a acontecer à sua volta.
Ah, e claro, há ainda o 'jumper' mais experiente que apanha o rookie ainda verde que não sabe que uns maus quaisquer os querem matar, e que é muito hábil e mora numa caverna e aaaaaaaargh! Por favor. Não tem interesse. Que filme tão, mas tão falhado. Nem o Samuel L. Jackson salva aquilo. O Jamie Bell (o puto do "Billy Elliot") cresceu para se tornar um canastrão com um sotaque londrino, ou lá o que é, bem irritante. A miúda não tem qualquer relevância...o suposto interesse romântico entre o casal é tão credível como se retratasse o romance entre uma posta de bacalhau e um esferográfica.
E a cereja no topo continua a ser o Hayden Christiansen, o Darth Vader dos novos "Star Wars". Alguém me explica quem diabos disse ao rapaz que ele podia ser actor??Faz parecer o Van Damme quasi Shakesperiano.
Sim, eu vi que o realizador também fez aquela parvoíce esfarrapada que foi o "Mr. & Mrs. Smith"....mas dei-lhe o benefício da dúvida pelo "The Bourne Identity", que é realmente, um bom filme.
Enfim. Que desconsolo.



Letsnotlukatdetreiler:

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