"Cloverfield". Ora aqui está um objecto curioso. Há meses que se ouvia falar deste filme, graças a uma campanha laboriosa e estudada na internet (muito no género do "BlairWitch Project"), e também porque foi criado pelo nerd que engendrou a série "Lost" e "Alias". Mais um filme de terror/suspense/thriller que pretende ser um 'home made video' na perspectiva do personagem (muito ao estilo do citado "BlairWitch Project" também).Ora, acima citei vários argumentos que me levaram a olhar este filme com alguma desconfiança e a pensar duas vezes em ir vê-lo. Achei o "BlairWitch..:" algo ridículo, não suporto filmagens tremidas e rápidas e nunca me 'viciei' no "Lost" e muito menos no "Alias".
Mas a curiosidade foi maior, e a companhia existia, pelo que lá fui ver a coisa. Já me apetecia um filme destes. E não é que o sacana do filme é bom? Muito bom mesmo.
Entretenimento puro e duro, diversão total, saltos garantidos na cadeira(especialmente se a sala em questão for daquelas que agora opta por pôr o som no volume "rebentem-lhes com os tímpanos"). Um excelente monster movie, um filme série B, actualizado e renovado, que nos dá a dose requerida de suspense e emoção necessária para visionar este filme. Ah, sim, o ecrã grande de uma sala de cinema é uma condição essencial para usufruir deste filme.
Mas também é interessante pensar em que moldes este filme surge quase como que um exorcismo dos fantasmas do 11 de Setembro. A fita está repleta de imagens estranhamente familiares àquelas que foram e são repetidas quase até à exaustão dos atentados de 2001: explosões, prédios a ruir, pó, muito pó, pessoas cobertas dele a deambularem desamparadas pelas ruas, a refugiarem-se nas lojas, etc. Mas não me parece que tal possa ser considerado desrespeitoso ou de mau gosto. Antes pelo contrário. É apenas, acho eu, uma forma de lidar com o horror que foi real, uma forma de confrontar as pessoas com esse horror, de forma a que a pressão possa ser, de algum modo, aliviada.
Para além disso, é ainda interessante constatar que uma das coisas mais conseguidas no filme não tenha a ver apenas com um monstro gigante a destruir NY. É claro que esta parte do filme, a do monstro gigante a destruir NY, é brilhante, extraordinariamente bem feita, e com efeitos especiais q.b., não em demasia (constou-me que o custo deste filme foi irrisório quando comparado com outros filmes apocalípticos). Não, para além da óbvia satisfação que temos em ver as cenas monumentais de destruição, não pude deixar de reparar que os primeiros 15 minutos (e são mesmo 15 minutos, pois o filme acontece em tempo real) quase que fazem esquecer o real assunto do filme. Durante esses minutos encontramos as personagens, as suas motivações, problemas e, principalmente, dramas românticos que os acompanham. Nada disto seria digno de nota se não fosse o caso de realmente eu me ter começado a interessar bastante pelo desenrolar das histórias "normais" daqueles personagens. A tal ponto que, sim, por momentos esqueci-me de facto que aquelas personagens iriam estar no centro de um cenário de destruição infernal. Achei isso um ponto forte do filme.
O passado do principal par romântico do filme é-nos inclusivamente mostrado, em flashbacks sim, mas de uma forma inovadora: os acontecimentos estão agora a ser gravados por cima de uma cassete onde estava um filme dumas pequenas férias do casal. Importante estabelecer a sua relação anterior, uma vez que a mesma vai determinar muita da acção que se seguirá.
Para além disso, outro aspecto interessante (e interessantemente bem conseguido) é que o filme não nos dá explicação nenhuma. Tal como vemos o filme na perspectiva de uma pessoa normal apanhada numa situação trágica de surpresa e sem saber bem o que se está a passar, também partilhamos a ignorância com as personagens do filme. Tal como eles não sabem, nós não saberemos. Eis um filme americano que não dá tudo 'mastigadinho' e cozinhado conforme mandam os trâmites.
Surpreendentemente bom.
Surpreendentemente bom.
In other movie related news, é de assinalar o regresso de Sylvester Stallone às comédias [ler em tom irónico aqui] com "Rambo IV", ou, simplesmente "John Rambo". Continuo a preferir o Oscar como a melhor comédia do Stallone (agora a sério), mas este novo episódio do ex-combatente do Vietname fez-me rir a bom rir. Gargalhadas foram mais que muitas. Teve de ser, para não chorar. Um filme vazio, onde nada acontece a não ser mutilações, decapitações e afins, qual verdadeiro talho. O II e o III eram maus (o primeiro filme continua intocavelmente bom a meu ver), mas este novo fá-los parecer bem melhores. Não tenho nada contra filmes de acção, de tiroteio, de porrada e de sangria generalizada, antes pelo contrário....mas este em concreto não tinha nada a oferecer a não ser grandes meios, mas pouca substância.
O Stallone podia ter aproveitado a oportunidade para dar um novo aspecto, um novo alento ao guerreiro, da mesma forma que fez com o boxeur no recente "Rocky Balboa". Podia ter feito um filme de acção actual, dos nossos dias, um Rambo revisto à luz de tantos outros filmes que por aí há agora. O franchise Bond fez isto com uma extrema eficácia, produzindo um excelente filme. O Bruce Willis e o seu "Die Hard" também. Mas o Stallone optou por uma abordagem de acção violenta e sangrenta CONSTANTE. De tal forma que se torna aborrecido. Quase que se podia inventar uma nova designação para estes filmes: algo como "Actionporn movies". É que este tipo de filmes de acção é com os filmes porno: o argumento não interessa...não é preciso história ou jutificações de qualquer ordem.
Por mim não resultou. O filme nem sequer aproveita o facto de se passar num local geográfico que actualmente está a passar por bastantes dificuldades. Não. É na Birmânia, mas podia ser noutro sítio qualquer. Desde que houvesse soldados a correr que nem formigas era o suficiente.
Pobre, muito pobre.
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2 comentários:
Pareçe-me interessante esse do cloverfield. Qual é o nome em portugal ?
Em português é "Nome de Código: Cloverfield".
:)
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