Quer se queira quer não, a zona de chegadas dum aeroporto é um local à maneira. É uma espécie de bolha, onde as pessoas, em geral, permitem que os seus melhores sentimentos venham ao de cima. Quem está ali está, regra geral também, por vontade própria; quem está ali à espera de alguém tem realmente vontade de ver chegar essa pessoa, e sente-se, em geral, uma espécie de expectativa positiva e benevolente no ar. Há quem não consiga, sequer, deixar de sorrir que nem um parvo, apenas e só pelo factor de contágio. É um bom feeling, pronto. As pessoas, naquela pequena bolha, deixam de parte uma certa e determinada parte do Ser humano, uma parte meio negativa, meio selvagem. Em certa medida é o que a personagem do Hugh Grant diz no início do "Love Actually" (sim, um filme lamechas-comédio-romântico, mas que foi bastante do meu agrado).
Enfim, tudo isto apenas para deixar aqui um pequeno apontamento que reparei ontem, quando esperava nas Chegadas do Aeroporto de Lisboa. Pensava nestas coisas enquanto deambulava por entre as pessoas que também esperavam. Tal como elas, também eu, de vez em quando lançava o meu olhar expectante para aquela saída simples, por onde vão saindo os recém-chegados, qual caixinha de surpresas ou "jack in the box". Da primeira vez que olhei achei piada a um anúncio visível do lado de fora porque se reflectia numa parede de vidro (ou seja, está colocado ostensivamente virado de frente para quem chega). Era da Super Bock e dizia "Home Sweet Home".
Agora...ali chegam dois tipos de pessoas: ou estrangeiros e então Portugal não será o seu "home sweet home", ou portugueses e nesse caso penso que seria mais simpático substituir a frase do anúncio por um singel "Lar Doce Lar".
Não sei, parece-me ligeiramente mais adequado. E nem sequer seria preciso substituir a cerveja por um, digamos, Licor Beirão....não...a Super Bock também é portuguesa. pelo menos da última vez que eu vi.
Enfim, ironias.
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