quinta-feira, abril 06, 2006

A Mna. Alberto

VESTIR A CAMISOLA

Nunca fui clubística nem tão-pouco partidária, fico antes naquela linha ténue que separa a ética da estética. Inclino-me para a ética mais por defeito do que por feitio.

Quis a bendita que me iniciasse na dança antes sequer de aprender a dançar. Contra conversas de cha-cha-cha de um demagogo enfermo qualquer, vale a inconsciência dos heróis e a vontade das crianças.

Há que aceitar o convite para dançar, ainda que o bolero não seja o nosso forte.

Acabei de rever Cat on a Hot Tin Roof , nervos fora, não sobra nada. Visto a camisola e aceito dançar em pontas num telhado de vidro, qual Cinderela com sapatinhos de cristal. O risco, feito ruga por via do amadurecimento, tece os contornos do dever . "A sina tem que cumprir-se", ecoa Florbela, que desta me Espanca.

Dizem que a idade conquista ponderação, sensatez e sapiência… só ainda não cheguei lá. Percebi que, afinal, a televisão não é assim tão distinta do futebol. Os adeptos são aos milhares. Sempre se segue atentamente a estratégia do adversário e depois há os defesas, os avançados, os pontas-de-lança. Não faltam os que ficam fora de jogo e os goleadores natos. Há ainda os que, vaiados ou não, mudam de clube.

O objectivo é o de sempre: proporcionar o maior espectáculo do mundo. Mudam-se as camisolas, mas os adeptos são os mesmos. O importante é não defraudar o público e, com verdade e clareza, continuar a crescer e a evoluir. Claro que é sempre difícil mudar de casa, mas também é bom reencontrar velhos amigos. Afinal, somos todos uma grande "família", a trabalhar para o mesmo objectivo.

Eu, que nunca fui muito entendida no assunto, vesti a camisola de Dança Comigo para marcar golo, porque nisto do futebol ninguém joga para o empate. E num ápice, o vaivém desenfreado, o ímpeto voraz que tudo arrasta, como diria Honoré de Balzac. "…As luzes, o entusiasmo geral, a ilusão do palco." Cresce a adrenalina, como subiria o pano em noite de estreia. Acção!



Esta pérola da literatura portuguesa viu a luz do dia no Diário de Notícias da passada sexta-feira, 31 de Março. A escriba designada como “Sílvia Alberto” foi convidada para escrever uma coluna de opinião nas páginas referentes à TV. Certamente iluminada pela inspiração divina produziu o magistral texto que acima se reproduz.
Pessoalmente não tenho pretensões de crítico literário ou de especialista em português e, acima de tudo, não me reconheço grandes capacidades para julgar os textos dos outros. Mas, de quando em vez, surgem obras tão fenomenais que têm o condão de me puxar da letargia literária de modo a poder, também eu -embora sem ser convidado- a expressar a minha humilde opinião.

Este pequeno artigo é um desses casos. Ora, se eu digo que não me reconheço capacidades literárias, estou pelo menos a reconhecer as minhas limitações, sejam elas pequenas ou grandes. Mas pelos vistos esse reconhecimento não é feito por toda a gente. Mais uma vez é o caso da Mna. Alberto.

É que, por amor de Deus!! Serei só eu, ou o que a Mna. Alberto escreve é pura e simplesmente um desfilar inconsequente e desconexo de palavras e frases coladas –e mal coladas- presas à parede com cuspo? Parece que a Mna. Alberto quis dar uso ao dicionário de português lá de casa e à enciclopédia, ambos, certamente já meio empoeirados. É que a Mna. Alberto podia não falar de Balzac ou da Florbela Espanca, mas DIZER EFECTIVAMENTE alguma coisa; mas não, no meio de tanta palavra cara e tantas referências acaba por não dizer nada de nada, zero! Não saber é uma coisa, mas não saber e tentar esconder isso debaixo duma capa arrogante de pretensos conhecimentos é do mais ridículo que há.

É que é duma pobreza enorme de espírito e de inteligência, tentar afogar e distrair o leitor com esta quantidade incrível de verborreia! Principalmente quando se está a falar dum programazeco de televisão! A qualidade deste não está em discussão, claro, mas é um raio de um programa de televisão! Que relevância tem a Florbela ou o Honoré para isto? A conclusão é óbvia quanto a mim. A Mna. Alberto não tem minimamente nada no recipiente craniano e quis aproveitar a oportunidade para ‘mostrar que sabia umas coisas’. Ora, nada é mais ridículo do que isso. Mostra apenas arrogância e muita falta de tacto. “O importante ‘é não defraudar o público” diz ela. Deve ser a coisa mais acertada que escreveu. Pena é que não siga o seu próprio conselho.

Ó Mna. Alberto, tenha santa paciência e volte lá para o sítio de onde veio! Deixe-se ficar na televisão a fazer as figuras que normalmente faz. Se isso ‘cola’ na TV, lamentamos informar que na forma escrita só a faz parecer parvinha. É que para escrever é preciso ter alguma coisa para dizer. Alguma coisa! Mesmo que não se conheça o Honoré de Balzac ou a Florbela que a Espanca.


3 comentários:

Anónimo disse...

Bem, fui eu que te mostrei este artigo.
Por isso, eu sei que tu sabes o que eu penso deste artigo obscuro que não é mais que sombras quando a verdadeira luz está fora da caverna, já dizia Platão. heheh

Bola Oito disse...

Pois foste. E quando comentaste antes de eu ler nunca pensei que fosse uma coisa tão absurda! LOL

Dreamaster disse...

Tá-me cá aparecer q daki a uns tempos vamos ver um livro dessa mna alberta nas livrarias.