Um filme fascinante! Mas antes de mais há que afastar um "pré-conceito". Muito se falou deste filme por um motivo que lhe é alheio, e muita gente o irá ver por esse mesmo motivo. É o último filme em que participou Heath Ledger. Mas, em boa verdade, o filme merece ser visto para além desse motivo. Seria mesmo injusto para Gilliam e para esta obra se assim não fosse. Sim, a prestação do Ledger é, objectivamente excelente, como já o tinha sido em Dark Knight, uma pena a perda dum actor que estava agora a "fazer-se". Mas o filme merece ser visto como uma obra cinematográfiga de fôlego e fascinante, capaz de suscitar o interesse de per si, e não apenas por um mero facto colateral, ainda que trágico.
Dito isto adiante com a....com o que raio costumo fazer aqui.
É de facto um filme fascinante. Aliás, é bem capaz de ser a melhor obra cinematográfica de Gilliam desde "Brazil". Gilliam, o Monty Python americano, responsável pelas alucinantes animações do genial "Monty Python's Flying Circus", tem uma carreira de realizador com muitos altos e baixos e, definitivamente, repleta de filmes algo suis generis de, vá lá, "difícil absorção" (excepção feita ao "Brothers Grimm", uma "concessão" à indústria talvez).
Este "Dr. Parnassus", em certa medida, não é diferente. O trailer é...não direi enganador, mas passível de nos levar a uma opinião mais desconfiada. Fiquei à espera de mais um filme alucinado e alucinante, mais uma "trip de LSD". E em certa medida é-o. A diferença é que Gilliam conseguiu aqui criar um filme mais linear, mais consistente em termos narrativos. Mas ainda assim, é um filme que dependerá muito do estado de espírito do espectador. Contos de fadas requerem alguma paciência neste Mundo super sónico.
E é isso mesmo que o filme é: um verdadeiro conto de fadas, uma história complexa mas belíssima, que exige algo mais do público que o simples "recostar na cadeira com pipocas". Um filme que ganhará inclusivamente, com mais do que um visionamento, com tantos pormenores e detalhes deliciosos (sem faltar uma enorme piscadela aos fãs de Python) que nos passam à frente dos olhos.
E mesmo o recrutamento de Depp, Law e Farrell à última da hora para representarem o papel de Ledger sempre que a sua personagem entra na imaginação do Dr. Parnassus (don't ask, complicado...só vendo mesmo), parece ter sido premeditado, de tal forma funciona tão bem.
De resto, o "duelo" entre Parnassus e o Diabo (Tom Waits fantástico) é o motor narrativo do filme, cujo fim senão é brilhante, em todo o seu carácter pouco hollywoodesco, então não sei que mais possa ser. Uma fábula, alegoria, whatever. Em 2010. Quem diria? E funciona, oh se funciona. Um dos filmes do ano, de certeza. E se mais não escrevo é apenas porque não sei que mais escrever que faça jus ao filme. Só visto mesmo.
quinta-feira, abril 22, 2010
The Imaginarium of Dr. Parnassus
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