Finalmente meti as mãos ávidas nestes dois belos álbuns. Os mp3 já cá moravam confesso, mas ainda tenho a mania de comprar Cds, álbuns inteiros, completos com tudo o que faz parte da obra. E quis comprar estes definitivamente.
Tenho pena de só os ter descoberto praticamente ao mesmo tempo em que cessaram as actividades. Mas mais vale tarde que nunca suponho.
Segui as 'migalhas' e pistas lançadas pelos Artworx para descobrir a banda anterior do vocalista, Hugo Soares. O que descobri, gostei imenso, como se pode calcular.
Por sua vez o Hugo seguiu as 'migalhas cibernéticas' da Internet (e quem diria que a world wide web pudesse ser, afinal, tão pequenina?) e deu com este singelo post, onde, palavra puxa palavra, e to cut a long story short, me conseguiu arranjar os dois álbuns a um belíssimo preço. Entregues simpaticamente em mão pela Cristina Lopes, a outra voz dos Ethereal. Obrigado a ambos pelo trabalho que tiveram.
Agora...fazer uma review e ser imparcial...é complicado, principalmente depois de conhecer e falar com as pessoas. Ninguém gosta de parecer um fanboy, eheheh.
Bom, o facto de eu querer ter o "produto completo" e não meros mp3 é mais do que suficiente para atestar a minha opinião sobre estes álbuns.
É uma pena que tenham encontrado aparentemente os obstáculos que encontraram e que os levaram a acabar. O salto evolutivo do Dreams of Yearning para o quase perfeito Towers of Isolation é enorme. Só podemos (por enquanto...?) imaginar o que se seguiria a seguir a este álbum.
O que encontrei de interessante nesta banda e em ambos os discos, especialmente no segundo, foi a dificuldade de a "categorizar" categoricamente, passe o pleonasmo. Sim, ouço toda uma série de influências, mas nenhuma delas suficientemente forte para dizer que se parecem definitivamente com esta ou aquela banda. É algo que gosto também nos Moonspell, por exemplo. O todo é algo mais que a mera soma das partes. Tem isto, aquilo e aqueloutro, mas o resultado final é algo de bastante próprio, característico e com uma identidade própria.
Metal progressivo? Seja. O primeiro álbum é talvez o mais melancólico, melódico e atmosférico. Daí compreender que a etiqueta "metal gótico" surja mais frequentemente. Mas ainda assim acho-a extremamente redutora. É um álbum que começa de forma suave e que progressivamente (pun intended...) se vai insinuando no ouvido. Uma ligeira predominância de teclas fazem com que, aparentemente, se encontrem mais pontos de contacto com outras bandas, ou determinado estilo. Não significa isto que faltem guitarras e momentos mais agressivos. Não, nada disso, mas o feeling genérico com que se fica é de um álbum muito introspectivo, não só liricamente como musicalmente. É um álbum que exige uma maior atenção do ouvinte.
Já o mesmo não acontece com o "Towers..." e não, isso não é mau, antes pelo contrário. Tudo neste álbum é um upgrade, um aperfeiçoamento do que ficou para trás. As canções não deixam de ser complexas e exigir atenção, mas são ao mesmo tempo mais directas e memoráveis. O velho cliché do segundo álbum ser tramado foi mais que superado. E, felizmente, são ainda mais difíceis de categorizar. Heavy metal melódico (com um dos poucos usos de voz masculina vs voz feminina que realmente apreciei), com elementos sinfónicos e progressivos, melancólico e atmosférico aqui e ali, mas em geral cheio de dinamismo, energia e poder. Podia enumerar aqui uma ou outra banda que me fizeram lembrar em certos momentos, mas é desnecessário: claramente os Ethereal estão a fazer a sua própria música. E, para álbum com canções tão grandes e, consequentemente, tão longo, possui uma qualidade apreciável: no fim da hora e tal de música, continuo a ter vontade de o voltar a pôr a rodar. Isto é do melhor.
Few moments passed and I heard the approaching steps
A gentle breeze whispered in my ear
"You're safe now...
You're safe now..."
...Am I?
.



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