
Já há uns meses que tinha este disco como o melhor deste ano. Esperava apenas o fim do ano para confirmar a posição. Apenas dois o ameaçaram: Gamma Ray e Primordial. Especialmente estes últimos. E pronto, depois de o álbum de Primordial me ter feito, como disse, hesitar, acabei por decidir pelo “Dead Reckoning”.
Foi um álbum que me acompanhou muitas vezes ao longo destes meses, ouvia-o em casa, no carro, no leitor de mp3, nunca me cansava. O álbum anterior “Subsurface” já era muito bom, mas é com este que os Threshold dão sentido à expressão música progressiva. É que são poucas as bandas de prog que realmente conferem uma progressão visível à sua música. E fizeram-no de uma maneira elegante e ao mesmo tempo enérgica. Acho que este álbum merece tb o primeiro lugar por ser muitíssimo original no âmbito onde se insere. Por juntar habilmente à receita habitual uma série de elementos e sair no final um bolo com um sabor algo diferente.
É que trata-se de uma banda de prog metal ou prog rock, ou o que quer que seja, mas apenas um tema ultrapassa os 9 minutos. Os restantes andam pela média dos 4/5 minutos. E é um feito notável como em tão poucos minutos de cada canção, eles conseguem inserir tantos elementos interessantes. Em poucos minutos temos a complexidade e destreza que caracteriza o prog metal, mas tb a preocupação em construir um riff condutor, a preocupação levada ao extremo de conferir a cada uma das canções uma personalidade muito forte e própria.
Aqui identificam-se todas as canções de memória graças aos refrões ultra melódicos e catchy, uma preocupação nada prog tb. No entanto isso não quer dizer que seja um disco básico ou simplista, antes pelo contrário, requer alguma audição para se poder absorver tudo. Mas para mim foi audição à primeira. Mal ouvi gostei. Depois quis ouvir mais e mais para descobrir mais pormenores e aspectos interessantes. Instrumentalmente é irrepreensível e intrigante, grande secção rítmica e grandes solos de guitarra e teclas.
A voz do Andrew MacDermott tem tb um carisma notável neste disco. Mal se consegue imaginar outro a cantar estas canções, embora seja isso que ande a acontecer, com a saída daquele e o regresso do Damien Wilson. Este pode ser melhor vocalista (ou não fosse um dos runner ups para substituir o Bruce Dickinson, mas o MacDermott tinha um carisma muito especial e próprio. É pena...parece que ele saiu para ter mais tempo para a sua vida. Já devia prever que com um álbum tão bom como este, os Threshold iriam ser catapultados para um lugar mais cimeiro. Por fim, tb liricamente este álbum me atraiu. Não é conceptual, mas quase todas as canções andam à volta do tema do voo, voar, etc etc, numa espécie de metáfora da vida. Altamente recomendável. Um disco muito "orgânico" diria....entranhou-se muito bem.
2. PRIMORDIAL - "To The Nameless Dead"

Eis o verdadeiro desafiador ao primeiro lugar que há meses que estava atribuído. Estive indeciso uns bons dias entre pôr este em primeiro lugar em vez dos Threshold. Mas acabei por decidir assim. Não pq seja um álbum menos bom (aliás os álbuns do Top3 podiam ter todos o direito ao primeiro lugar na boa e sem hesitações) mas pq acabei por utilizar um critério que não assenta apenas na qualidade dos discos: só ouvi este álbum a meio do mês, pelo que, por fantástico que seja, não teve tempo para me dizer tanto como o outro. Só por isso ficou em segundo lugar...só pq tinha de haver um segundo lugar.
Esta banda em poucas palavras: intensa, pesada, melódica, hipnotizante e totalmente original!
3. GAMMA RAY - "Land Of The Free II"
Esta banda em poucas palavras: intensa, pesada, melódica, hipnotizante e totalmente original!
3. GAMMA RAY - "Land Of The Free II"

Kai Hansen = Rei Midas
Tudo o que este gajo toca torna-se ouro. Mesmo o menos bom para os padrões dos Gamma Ray (como foi o caso do anterior “Majestic”) é excelente para os padrões gerais. Que dizer então de um álbum que é excelente até para os padrões dos Gamma Ray? É um gosto e um prazer ouvir este disco. Há muita reciclagem e ripanços? Pois há, mas não há ninguém que o faça melhor e mais inteligentemente que esta banda. Gamma Ray não desiludem.
4. NIGHTWISH – “Dark Passion Play”
Tudo o que este gajo toca torna-se ouro. Mesmo o menos bom para os padrões dos Gamma Ray (como foi o caso do anterior “Majestic”) é excelente para os padrões gerais. Que dizer então de um álbum que é excelente até para os padrões dos Gamma Ray? É um gosto e um prazer ouvir este disco. Há muita reciclagem e ripanços? Pois há, mas não há ninguém que o faça melhor e mais inteligentemente que esta banda. Gamma Ray não desiludem.
4. NIGHTWISH – “Dark Passion Play”

Gostava dos Nightwish com a Tarja. Achava que a fórmula deles, não sei bem pq, se estava a esgotar (apesar de gostar do “Once”), mas havia ali qq coisa.......enfim. Qdo mandaram a Tarja embora pensei que estavam acabados. Ou se desfaziam ou se tornavam “em mais uma banda com uma esganiçada a guinchar e ganir” que por aí tanto há. Mas não. Substituíram-na por uma vocalista inegavelmente inferior em termos de técnica, mas acho que no fim acabaram por ganhar, pq, no fundo, nos Nightwish o que importa é a música e esta estava cada vez menos adequada para a Tarja, ie, menos operática e tal. Com a Anette Olzon acabam por ficar melhor. Grande surpresa tb.
5. W.A.S.P. – “Dominator”

Os WASP não fazem um álbum tão bom assim desde o “The Crimson Idol”, ou, vá lá, o “Still Not Black Enough”. Aqui acertaram na mouche outra vez! São estes os WASP que nós gostamos, rápidos e melódicos e acutilantes até ao fim. O álbum ao princípio parece pequeno, e ainda por cima tem uma reprise de uma das canções. Antes de o ouvir achei que era uma má jogada. Depois de o ouvir acho que funciona perfeitamente como está. Tem a quantidade certa de músicas e de duração. Sinceramente às vezes sabe bem ouvir um álbum onde a banda não se preocupa em encher os 74 minutos, mas sim em dar o melhor. Sometimes, less is more.
6. REDEMPTION – “Origins Of Ruin”

Mais um album de prog metal, seja lá o que isso for. Estive indeciso entre estes e o dos Dream Theater. Acabei por optar pelos Redemption porque o “Systematic Chaos” dos DT por muito bom que seja (e é, excelente mesmo), não me surpreendeu tanto como seria de esperar. Achei que era mais do mesmo. Um ‘mesmo’ muito bom, mas ainda assim o ‘mesmo’. Já os Redemption vão no terceiro álbum, tendo eu acompanhado a progressão desde o primeiro, e que progressão sim senhor. A banda é composta por desconhecidos (para mim) excepto o vocalista que é o Ray Alder dos Fates Warning. Os álbuns anteriores tiveram outros participantes (dos Agent Steel, Steel Prophet...), mas agora parecem ter cristalizado nesta formação. É um álbum de prog metal em toda a acepção da expressão. Temas longos, grandes mudanças de tempo e ritmo, etc etc...mas conseguiram ainda assim produzir alguns refrões memoráveis no meio daquela complexidade. Muitos riffs e solos, mas sem masturbação musical. É um álbum com um ambiente intrigante. Very sharp production.
7. AMORPHIS – “Silent Waters”

Estive a consultar a discografia destes finlandeses e cheguei à conclusão que sempre que eles lançaram um álbum, o mesmo figurou no meu top 10. Excepto talvez o menos conseguido “Far From The Sun”. Agora, com este “Silent Waters” voltaram a fazê-lo, na sequência lógica do anterior, e tb brilhante, “Eclipse”. O novo vocalista continua a mostrar-se uma mais valia e este álbum volta a refinar todos os elementos que fazem parte da história dos Amorphis, desde o death metal bem pesado (mas não tanto quanto isso) até ao rock psicadélico dos anos 70 (tb já não tanto como antes), bem misturado com a folk própria e tradicional da Finlândia. Ouvir um álbum deles é sermos imediatamente transportados para a Terra dos 1000 Lagos e absorver a melancolia e ambientes mais escuros característicos. Muito bom, como sempre.
8. KING DIAMOND – “Give Me Your Soul…Please”

Outra surpresa. Para mim pelo menos. É que, apesar de ouvir alguns álbuns deste senhor, tenho de confessar que não sou grande fã. Ouve-se muito bem e tal, a “vozinha irritante” não me irrita assim tanto, mas nunca me tornei grande fã. Mais uma vez fui ouvir este disco dps de tantas coisas positivas que li e devo dizer que fiquei conquistado. É excelente a todos os níveis. Mesmo a voz do King Diamond está a soar de maneira diferente. Continua a ter o seu trademark, mas parece-me mais melódica e harmónica, conseguindo alguns efeitos surpreendentes. A dupla de guitarristas então.....
9. GOTTHARD – “Domino Effect”

Bom, este foi a surpresa do ano. Depois de ter ouvido o “Human Zoo” há uns tempos, cortesia do Pedro, nunca me passou pela cabeça voltar sequer a ouvir um álbum destes gajos. É que não suportei aquele álbum. Mas tantas críticas boas aguçaram-me a curiosidade para este "Domino Effect". Acabei por o ouvir no carro do Pedro a caminho do concerto de Paradise Lost. E adorei. Excelente disco de ROCK puro e duro, como já pouco se vai fazendo. Grandes guitarradas e coros altamente catchy. Às vezes é bom não ser fundamentalista e dar uma segunda oportunidade.
10. SERENITY – “Words Untold & Dreams Unlived”

Estes gajos surpreenderam-me devo dizer. São austríacos, é o álbum de estreia e os membros da banda são totais desconhecidos. Já existem há uns anos e até já abriram para o DIO, mas este é o primeiro álbum, financiado pelos próprios e que lhes deu um contrato. Ouvi falar deles no forum dos Threshold. E já li algumas comparações entre as bandas. Pessoalmente acho que não têm nada a ver. Os Serenity são uma mistura inteligente de power metal, prog metal e algum hard rock. Mas a enfâse está posta no aspecto progressivo. Hábil mistura de partes rápidas e pesadas com momentos mais melancólicos e calmos. Melodia, muita melodia é o prato forte. É impossível não abanar a cabeça e bater o pé.

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