Grande filme. A par com o "Eastern Promises", um dos melhores de 2007 sem dúvida. Filme comprido, com duas horas e meia. Mas essas horas passam tão depressa como o desenrolar da história da ascensão e queda do maior e mais ousado barão da droga do Harlem de finais dos anos 60 até aos anos 90. O Denzel Washington está igual a si mesmo: irrepreensível. Finalmente vejo-o num papel de vilão e o homem está à altura. Ele é implacável, duro, insensível, determinado e dono de uma frieza terrível. Um traficante de droga e um assassino a sangue frio impressionante. Mas é também o homem de família, o homem preocupado com os menos favorecidos, um homem apaixonado.Talvez seja por isso que no decorrer do filme seja impossível ao espectador não simpatizar com este "mau da fita". Não se trata tanto de revisionismo ou lavagem da personalidade. A vida de Frank Lucas sofreu ao longo dos tempos uma mitificação extraordinária, conforme pude ler há tempos numa extensíssima entrevista que o homem deu a uma revista americana (cujo nome agora me escapa). Não deixa de ser estranho ver o homem, juntamente com o jornalista, fazer uma 'nostalgia trip' pelo Harlem actual e dizer que "ali foi onde despachei o x", "aqui era onde tinha a maior instalação de corte e embalagem de droga", etc etc. Portanto, acho que afinal, neste caso, o tempo tudo curou e tudo perdoou.
O Denzel Washington consegue fazer passar bem esta dualidade semi-paradoxal desta curiosa personagem, pelo que não me espantará se se começar a falar do Óscar.
Esperemos que tudo isto não faça esquecer a prestação igualmente admirável do Russel Crow, um actor quasi canastrão (sorry, não aprecio muito o estilo), que aqui consegue igualar a presença que teve no "Gladiador", também de Ridley Scott, agora reparo. Ele é o 'bom', o polícia honestíssimo rodeado por um exército de dirty cops, mas não deixa de ser inseguro e algo nervoso. Um herói realista que tem medo de fazer o que está certo, mas fá-lo ainda assim. Também não podemos deixar de simpatizar com a personagem dele, um homem normal a remar contra a maré e em condições adversas.
Não vale a pena contar aqui mais do que se passou no filme, mas segundo me constou, ainda hoje o Detective Richey Roberts e o gangster Frank Lucas são amigos. Porreiro pá.
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