De facto a pedra de toque do filme reside na 'magia'. Na magia das paisagens, na magia dos contrastes de cores, na magia que existe no relacionamento perfeito entre Rob e Lucinda. E magia na banda sonora fantástica que acompanha o filme e que, em certas passagens, quase dá a ideia de se tratar dum filme 'mudo', apenas acompanhado pela música (gravada de propósito em Moscovo pela Moscow Symphony Orchestra).
E como qualquer conto de fadas, essa magia traz-nos no final uma 'moral' especial, mas ao mesmo tempo tão simples.
Rob tem uma vacaria e trata das suas vacas com muito amor e carinho. Lucinda trata de Rob com muito amor e carinho também.
Mas Lucinda começa a ter algumas dúvidas sobre o seu relacionamento e sobre a 'chama' do mesmo. A influência negativa da sua melhor amiga Drasophila (que está interessada em Rob), que lhe fala em 'sinais evidentes de arrefecimento nas relações' começa a corroer Lucinda.
Quando o edredão com que eles dormem é misteriosamente roubado Rob não parece importar-
Ou seja, lá se vão as vacas para desespero total de Rob. Depois de muitas peripécies Lucinda recupera as vacas por troca do que mais amava, pondo em risco por completo a sua relação com Rob. Eventualmente Lucinda aprende que na verdade o edredão, tal como o resto, não precisava de ser salvo. Há mais coisas, muito mais, mas não me parece bem estar aqui a contá-las. O que é certo é que, como disse o realizador Harry Sinclair, se há filmes repletos de efeitos especiais que não criam magia nenhuma, outros há que sem qualquer tipo de efeito especial criam muita magia.
Mais do que tentar perceber, deve-se antes tentar sentir o filme, aceitando sem cepticismo as belíssimas imagens que o realizador e o director de fotografia nos oferecem. Só assim conseguimos ser transportados para dentro da magia que é o filme. Digo que se deve sentir mais do que perceber porque por vezes o filme não faz, ou pode não fazer muito sentido se visto duma perspectiva mais racional e terra-a-terra. Perder tempo a tentar fazer com que o filme 'bata certo' com o que quer que nós achemos que 'deve ser' apenas terá por efeito a perda daquela magia e o não apreciar do filme. Não é definitivamente um filme como os outros, o que, só por si, já é bom e refrescante. Apesar de um maior efeito se obter no écrã grande do cinema, tê-lo em casa já é muito bom.
Magia, conto de fadas, romance e singeleza. As palavras chave.
Se falo do filme agora é porque finalmente consegui obtê-lo e vê-lo como deve ser, ou melhor, com quem deve ser.;)
Curiosidade: todos os actores do elenco já participaram na série de TV Xena-A Princesa Guerreira. E o actor que representa Rob, Karl Urban tornou-se recentemente mais visível nas "Crónicas de Riddick, no Doom e no Senhor dos Anéis, onde desempenha o papel de Éomer).

4 comentários:
Disse-me a Maria que o facto de eu ter revelado parte da história do filme (and trust me, foi só parte) acaba por destruir um pouco a magia do filme.
Talvez seja verdade sim, mas foi um risco calculado e seja como for agora já está.
No entanto devo dizer que as partes mais deliciosas do filme têm de ser vistas. Mas pronto, como tb ninguém vai ler aquele testamento esverdeado não faz mal.LOL
De facto ninguém lê!
LOLOLOLOLOLOLOL
Priceless!
eu li
Obrigado. És um espectáculo.
;)
Beijos
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