terça-feira, fevereiro 21, 2006

Walk the Line

Ok. Para ser curto e grosso e poupar tempo vou directamente ao assunto. O filme é bom. É mesmo muito bom. As nomeações para Melhor Actor Principal e Melhor Actriz Principal justificam-se. Principalmente no caso do Joaquin Phoenix que parece ter nascido para desempenhar o papel de Cash. Perfeito na composição de uma personagem algo insegura e insatisfeita por vezes, mas completamente transfigurada e poderosa quando subia a um palco e cantava. E cantou mesmo sim. É um dos ‘pontos altos’ do filme. Os actores de facto cantam. E não se saem nada, mas mesmo nada mal.
Ambos tiveram que aprender a tocar e provavelmente a cantar e conseguiram excelentemente transmitir-nos as personalidades dos dois cantores, fosse quando cantassem, fosse quando estivessem na vida quotidiana. Consta que os actores foram escolhidos pessoalmente por Johnny Cash e June Carter antes de morrerem.

Há portanto música neste filme. Mas não se assuste quem não gosta de musicais ou filmes de ‘cantorias’. É que aqui a música é absolutamente essencial para a construção eficaz das personagens e para o desenrolar das histórias. É que vale a pena mesmo prestar atenção às letras das canções. Mesmo que não gostem do country/folk/rock tocado por Cash, acho que as letras têm muito interesse. Quanto mais que não seja por mostrarem como o Johnny Cash era de facto uma ‘raridade’ naquele tempo; um homem completamente honesto consigo próprio e sem medo de assumir musicalmente o que queria. Um homem que cantava sobre estar preso, sobre assassinar alguém só para o ver morrer, um homem que se vestia de preto praticamente sempre, e recusava compromissos.
Por aqui dá para ver onde reside a relevância de Johnny Cash. Uma relevância reconhecida até pelos próprios U2 que, no álbum “Zooropa” lhe reservaram a última canção “The Wanderer”, tão diferente do resto do álbum mas ao mesmo tempo tão...adequada. Um homem que teve a coragem de pôr aquela fotografia que vêem no post anterior num grande outdoor às portas de Nashville, dedicado a todos dessa cidade que o abandonaram e não ajudaram na sua fase ‘down and out’.

Enfim. O filme vale bem a pena. E saber que o próprio Cash e June estiveram envolvidos na produção do filme enquanto viveram deixa-me deveras reconfortado. Não vi o "Ray", filme do ano passado baseado na vida do Ray Charles, mas duvido muitíssimo que seja tão interessante como este. É que, à partida, é claro que a figura do Johnny Cash é mais mítica, misteriosa e intrigante.

2 comentários:

Anónimo disse...

Eu gostei do filme mas acho que o Cash era ainda mais amargurado e subversivo do que o que nos mostram. O Joaquin Phoenix... espectacular... até tem um vozeirão a lembrar o original. Gostei muito da música (que me tem acompanhado nos últimos dias nos phones).

Bola Oito disse...

Grande vozeirão sim senhor. E sim, a banda sonora do filme tb me tem acompanhado, mas é mais no carro!LOL