quinta-feira, fevereiro 09, 2006

PC

Começei a trabalhar aqui há mais ou menos 5 anos. Na altura ainda não era uma câmara municipal, mas uma mera comissão instaladora. Seja como for os pelouros estavam distribuídos e este era, e foi durante muito tempo, comunista. Portanto, durante estes cinco anos convivi diariamente com comunistas, convictos uns, menos praticantes outros, meros simpatizantes e outros que nem por isso.
No entanto isso não era problemático uma vez que desde cedo simpatizei com algumas ideologias comunistas, ou melhor dizendo, de esquerda. As preocupações e reivindicações deste campo sempre me pareceram, de alguma forma as mais correctas. O que não quer dizer que tenha sentido qualquer impulso de me perfilar oficialmente nas suas fileiras (nem com estes nem com nenhuns para dizer a verdade).

Portanto a actuação deste departamento reflectia em grande parte as orientações comunistas, como seria natural. No entanto tenho de confessar que, infelizmente, o meu contacto diário com estas actuações teve um resultado de todo inesperado para mim e sobre o qual já muito pensei. Pensar e sentir é mais fácil do que expressar, seja sob a forma verbal ou escrita, por isso, para ser curto e grosso e directo, devo dizer que não gostei. Não gostei da forma como os comunistas convictos que me rodeavam actuavam. Não falo obviamente de atitudes menos correctas ou condenáveis. E também não quero aqui generalizar. Apenas sofri uma grande mudança de opinião com base no que me era apresentado.

Não gostei principalmente da forma de abordagem das pessoas que, como eu, não eram comunistas, nem de perto nem de longe. Não gostei da atitude de darem essas pessoas como certas e garantidas apenas e só pela contingência circunstancial de estarem a desempnhar as suas funções no local onde estavam. Não gostei principalmente da quase 'falta de liberdade' que fizeram sentir a alguns, levando-nos a sentir 'obrigados' a comprar 'coisas' do Partido, a comprar o jornal oficial, a estar presentes em almoços e jantares, etc etc. Não estou a falar de uma perseguição, atenção. Estou apenas a querer referir-me a uma certa 'imposição' de um estado de coisas que forçava as pessoas ou a aceitarem passivamente ou a tomarem inicialmente uma posição frontal de recusa. Obviamente para quem não tinha os empregos seguros, tomar uma tal atitude frontal comportava um 'rumor' de risco; tomou-se a opção do 'vamos lá dançar de acordo com a música deles até onde der sem estarmos a ser falsos'.

Pessoalmente tentei (eu e todos) tomar uma atitude de compromisso, aceitando algumas coisas, e recusando outras. Mas nunca apreciei a forma como as coisas eram apresentadas e a 'opção' que tínhamos que tomar. Que diabos! Nós estamos aqui para trabalhar para o município e mais nada!
Isto, aliado a muitas outras atitudes, louváveis na teoria, mas manifestamente exageradas na teoria e também a certos comportamentos reveladores de falta de horizontes mais largos e capacidade de aceitarem uma opinião diferente, levou à minha total desilusão com o partido comunista. O que me levou então a ter de demonstrar uma atitude mais franca e directa de recusa de participação em certas actividades.

Tive de dizer isto porque hoje fui, mais uma vez abordado (não terei demonstrado já suficientemente que não estou interessado???) de uma forma que, sinceramente não apreciei para fazer parte dumas listas dum grupo de trabalho para constituição de um Centro ou Órgão ou o raio que o parta. Não fui convidado propriamente, mas quase confrontado com o dado adquirido que, sim senhor, eu iria fazer parte. Até me disseram onde é que eu tinha que assinar. Tive que referir várias vezes que assinaria sim, caso o entendesse depois de pensar. Mas não seria mais interessante escolherem uma pessoa que esteja realmente interessada?

Se e quando eu decidir meter-me numa coisa destas, será porque me sinto pertença desse objectivo de 'cabeça e coração' e não apenas...porque sim. Será porque acho que me posso comprometer e empenhar e porque me identifico e tenho disponibilidade física e mental para me meter nisso. E não por qualquer outra razão.

O que me chateia é ser colocado numa situação em que tenho de explicar isso pormenorizadamente. Não é óbvio já que não estou interessado?

Mas que coisa.

6 comentários:

Bola Oito disse...

Mas o que realmente me IRRITA é como algumas pessoas mudam o seu comportamento para conosco quando querem alguma coisa de nós.

Bola Oito disse...

Bem. Tive de esclarecer as coisas e pôr os pontos nos iis. Assinar 'abaixo-assinados' qdo concordo é uma coisa, assinar para fazer parte de núcleos duros do que quer que seja...alto lá!

Depois de esclarecer a minha posição, assinei sob nenhum compromisso.

Mas continuo a achar que é uma péssima maneira de actuar e de abordar as pessoas.

Devo ter um 'O' na testa. Felizmente às vezes é só aparente.

Anónimo disse...

Post muito, muito certeiro! Acho que a tua visão é muito lúcida e concordo compraticamente tudo o que escreveste (e lembro-me dessa insistência que eu contornei com um ar um pouco distraído, como se não estivesse a perceber que era suposto ser assim - isto resultou porque só uma vez me pediram dinheiro e só uma vez fui ao usual almoço do partido).

Mas porque é que assinaste? Não percebi.

Bola Oito disse...

Não forneci pormenores suficientes. O que se pretende constituir é um Centro de Cultura e Desporto para os trabalhadores do Município. Ora, isto, como proposta é suficientemente interessante e boa para que eu concorde com ela.

Portanto, foi isso que eu tive de esclarecer: das duas uma: ou estavam a pedir que eu assinasse o abaixo assinado apenas para demonstrar o meu apoio à ideia, ou estavam a pedir que eu assinasse comprometendo-me depois a fazer parte da organização ou do 'núcleo duro'. Era óbvio que me estavam a pedir a segunda coisa, ao que eu disse logo que não podiam contar comigo. Se era só assinar para levar a proposta à Câmara então não me importei.

O que me irritou não foi o pedirem para assinar, foi sim o darem quase como q adquirido que eu 'obviamente' iria querer fazer parte do núcleo organizativo. Obviamente também o que lhes interessava era terem uma pessoa com a minha formação académica no tal núcleo duro.

Para o raio q os parta.

Anónimo disse...

Cá para mim com 1m87cm e a calçar 43 estavas muito bom para ir para as obras do centro cultural e desportivo! :D

Bola Oito disse...

LOL

De construção civil não percebo nada.

Bricolage ainda vá que não vá. mas duvido que queiram uma sede feita de papel recortado e colado com UHU.

:)