sexta-feira, março 09, 2007

Good

Como ser bom? Basta não ser mau para se ser bom, ou é necessário mais alguma coisa? É esta a premissa base deste livro de Hornby, um dos meus escritores preferidos.
Uma das coisas que gosto mais neste escritor é que, por baixo de um estilo aparentemente simples e acessível, residem toda uma série de questões, problemas, assuntos e obsessões que dizem respeito a qualquer um de nós. Todos os personagens dele têm sempre algumas características ou questões com que a maior parte do leitor se pode identificar e projectar, mesmo no ,não tão apelativo para mim, “Febre do Estádio” que relata a obesessão dos adeptos do futebol.

Neste “Como Ser Bom” a narradora é uma personagem feminina, atormentada com o que se passa À sua volta. Katie Carr considera-se uma pessoa boa. Recicla, é contra o racismo, é uma boa médica que sofre por não poder ajudar mais os seus doentes, tenta ser uma boa mãe e uma boa esposa, o que neste caso é complicado pois o marido, David, é um escritor/jornalista do mais cínico, egoísta, sarcástico e furioso que há, autor de uma coluna no jornal local intitulada “O Homem Mais Furibundo de Holloway”. No entanto a entrada em cena de um ‘curandeiro’ muda radicalmente a vida do marido e a sua atitude para com os outros e o Mundo.

E é esta nova atitude que vem perturbar Katie que quer ser uma pessoa boa, e é justamente por isso que escolheu a medicina como profissão, ou seja, a fim de ajudar aos outros para se sentir melhor consigo mesma. Mas, será que isso basta? O comportamento do novo David deixa-a perplexa, e põe em xeque tudo que diz respeito à benevolência que ela julgava distribuir através do trabalho que exerce. E aqui, exactamente neste ponto, é que está o grande valor deste livro. O que é ser bom? Basta estar bem consigo mesmo, ou é necessário expandir os horizontes, e ver a coisa como um todo, onde cada indivíduo é uma célula de um organismo complexo e necessitado? E, sendo assim, é dever de todos colaborar para o bem comum? Pensamentos antagónicos (de Katie e David) expõem essas dúvidas através de prismas diferentes, não-convencionais.

A atitude aparentemente louca de David faz com que Katie questione toda a sua vida e as suas opções. Cada vez mais se torna difícil para ela viver com o marido e, também, consigo própria. E se isto parece dramático, é porque o é de facto. Mas Hornby consegue contar esta história, com a dose certa de humor e simplicidade, que tornam impossível não sorrir enquanto se lê este livro. E pensar também....




quinta-feira, março 08, 2007

XXI

Somos escravos do Ter e do Dever Ser, quando deveríamos servir o Ser.

Gunther Dünn

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quarta-feira, março 07, 2007

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...mas independentemente da distância que percorresse, independentemente de se ter familiarizado com as vizinhanças e ruas, ficava sempre com a sensação de estar perdido. Perdido, não apenas na cidade, mas também dentro de si. Sempre que dava um passeio sentia-se como se se deixasse a si próprio para trás e, entregando-se ao movimento das ruas, reduzido a um olho que vê, conseguia escapar à obrigação de pensar, e isto, mais do que qualquer outra coisa, trazia-lhe uma certa paz, um salutar vazio interior. O mundo estava no exterior de si, à sua volta, perante si, e a velocidade com que o mundo mudava impossibilitava-o de se prender por muito tempo a uma única coisa. O movimento era a essência, o acto de pôr um pé diante do outro e seguir a errância do seu próprio corpo.
Todos os lugares se tornavam semelhantes caminhando assim sem destino, e deixava de ter importância o sítio onde se encontrava. Nos seus melhores passeios conseguia atingir o sentimento de que não estava em lugar algum. E isto, afinal, era tudo o que pedia às coisas: não estar em sítio algum.


Paul Auster in Trilogia de Nova Iorque

terça-feira, março 06, 2007

Angra+Firewind+Powerquest

Ora bem, já foi há uma semana e já é mais do que tempo de deixar aqui um registo para mais tarde recordar. Angra+Firewind+Powerquest em mais uma jornada de Heavy Metal melódico no nosso país. O sítio escolhido foi em Corroios, no Cine Teatro G.C. Corroios, local que, aparentemente, com o fecho do Hard Club de Gaia se tornou o melhor sítio para concertos desta envergadura. É uma sala à maneira com um bom palco, visível de onde quer que se esteja.
O início da função estava previsto para as 21h00, mas como de costume começou mais cedo. Ainda assim conseguimos ver 20 dos 30 minutos de actuação dos
Powerquest, banda britânica de origem, embora apenas 2 dos seus elementos sejam ingleses.


Tocaram bem e de forma competente. Já os conhecia e não estava à espera de muito mais do que apresentaram. O som podia estar, melhor, mas isso já é o normal nas primeiras bandas. De resto tocaram o seu heavy metal rápido e bastante épico de forma satisfatória.

Seguiram-se os
Firewind, banda grega (pelo menos só o baterista é alemão) do guitar hero Gus G, que provou ser muito mais do que um mero virtuoso da guitarra, mas um excelente compositor.


Foi uma espécie de “2in1” porque o vocalista normal não pôde vir devido a emergências familiares. Recrutaram o Henning Basse dos Metalium, o qual surpreendeu imenso. Primeiro porque da última vez que o vi era muito mais magro (lol), segundo porque deu um show do caraças o que me levou a pensar que está mal aproveitado na sua banda. Grande voz, grande à vontade no palco, o gajo vestiu mesmo a camisola dos Firewind (em ambos os sentidos!) e saiu-se muito bem. Mesmo quando o microfone dele decidiu não funcionar umas quantas vezes. Um bom frontman consegue sempre capitalizar mesmo com os erros ou azares, e foi o que ele fez. Musicalmente foi excelente. Acho mesmo que foram muito superiores ao que ouço em disco. Nota 10. Nota 10 também para o outro guitarrista, Bob Katsionis que tocava a guitarra com uma mão e as teclas com a outra (sim, eu sei que, provavelmente em termos técnicos não estava a fazer nada de especial, mas fica sempre bem!)

Finalmente, depois de meia hora de espera (demasiado tempo) lá vieram os
Angra banda totalmente brasileira. Terceira vez em Portugal, mas apenas a primeira com esta nova formação e com o vocalista Edu Falaschi. Enfim...que dizer?



São excelentes no que fazem e não houve um único defeito a apontar. É o único sítio na Europa onde podem falar a sua língua, o que deve ser agradável. A setlist percorreu todos os álbuns da carreira e se, por um lado, é patente que o Edu não consegue atingir o nível de agudeza que o André Matos conseguia, por outro, cheguei à conclusão que assim é melhor. Sempre achei que o Matos (um excelente vocalista decerto), exagerava nos agudos. A falta deles não me incomodou nada, antes pelo contrário.
Foi uma hora e vinte de puro profissionalismo e gostei de ver que a própria banda se estava a divertir a tocar uns com os outros (muitas vezes até parecia que estavam a tocar mais para eles do que para nós), o que é sempre bom.

No final, e como estão a comemorar 15 anos de banda, resolveram ‘avacalhar’. Trocaram todos de instrumentos, vocalista incluído, para tocar uma versão da “Smoke On The Water” dos Deep Purple. Rafael Bittencourt nas vozes. E ainda tiveram tempo para voltar a baralhar os instrumentos novamente para uma versão mais pesadota da “Come Together” dos The Beatles, com o Kiko Loureiro a cantar. Sim, podiam ter aproveitado o tempo para tocarem mais músicas deles, é verdade....mas às vezes um pequeno devio da normalidade acaba por tornar a noite ainda mais memorável.
Nota 10+ com louvor. :D

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Agradecimentos ao r1ck autor das fotos, originalmente publicadas no cada vez melhor www.heavymetalpt.com

segunda-feira, março 05, 2007

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Mares convulsos, ressacas estranhas
Cruzam-te a alma de verde escuro
As ondas que te empurram
As vagas que te esmagam
Contra tudo lutas
Contra tudo falhas

Todas as tuas explosões
Redundam em silencio
Nada me diz

Berras às bestas
Que te sufocam
Em abraços viscosos
Cheios de pavor
Esse frio surdo
O frio que te envolve
Nasce na fonte
Na fonte da dor

Remar remar
Forçar a corrente
Ao mar, ao mar
Que mata a gente

sexta-feira, março 02, 2007

quinta-feira, março 01, 2007

Letters From Iwo Jima

Diacho! Escrevi tanto para o outro 'filme-irmão' deste "Letter From Iwo Jima" que agora para fazer jus à superioridade deste último teria de escrever ainda mais. Infelizmente, não só não há tempo como também ninguém conseguiria ler o testamento (eu inclusivé). Como tal limitar-me-ei a dizer que este é um filme bom, MUITO bom aliás. Nota principal para Ken Watanabe que desempenha o papel do General comandante da defesa de Iwo Jima (e cujo nome agora me escapa) e para o actor que desempenha o papel de Saigo, um soldado raso, ex-padeiro e perdido no meio dquela confusão. Como quase todos os outros. Aliás é este personagem que, no meio de tanta tragédia, consegue promover algum alívio cómico, tornando mais suportável a desgraça daqueles homens. Sim, porque desta vez é mesmo de "sofrimento" que se fala.

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

Hear n' Aid


Pouca gente sabe naturalmente, mas não foram só o Bob Geldof e o Midge Ure, ou o Lionel Ritchie e o Michael Jackson os únicos músicos que nos anos 80 se reuniram para angariar fundos para combater a miséria africana. Após o sucesso do "Do They Know It's Christmas" da BandAid e do "We Are The World" do USA For Africa, Jimmy Bain(dos Rainbow e DIO) e Vivian Campbell(DIO e Def Leppard) tiveram a ideia de fazer o mesmo mas com músicos do rock e heavy metal. Partilharam a ideia com Ronnie James Dio e os três escreveram esta canção, "Stars". Em 1985 dezenas de músicos juntaram-se para gravar a canção. Membros dos Iron Maiden, Rough Cut, King Cobra, DIO, Quiet Riot, Blue Oyster Cult, Dokken, Nightranger, Giuffria, Judas Priest, WASP, Motley Crue, Y&T, Twisted Sister, Spinal Tap, Vanilla Fudge e Queensryche responderam ao chamado.


Um ano depois a iniciativa já tinha angariado 1 milhão de dólares.



Participantes:

Vocals

Ronnie James Dio (Dio)
Eric Bloom (Blue Öyster Cult)
Don Dokken (Dokken)
Kevin DuBrow (Quiet Riot)
Rob Halford (Judas Priest)
Dave Meniketti (Y&T)
Paul Shortino (Rough Cutt/Quiet Riot)
Geoff Tate (Queensrÿche)

Backing Vocals

Tommy Aldridge
David Alford
Carmine Appice
Vinny Appice
Jimmy Bain
Frankie Banali
Mick Brown
Vivian Campbell
Carlos Cavazo
Amir Derakh
Brad Gillis
Craig Goldy
Chris Hager
Chris Holmes
Blackie Lawless
George Lynch
Yngwie Malmsteen
Mick Mars
Dave Murray
Vince Neil
Ted Nugent
Eddie Ojeda
Jeff Pilson
Donald "Buck Dharma" Roeser
David St. Hubbins
Rudy Sarzo
Claude Schnell
Neal Schon
Derek Smalls
Adrian Smith
Mark Stein
Matt Thorr

Guitar

Vivian Campbell
Carlos Cavazo
Brad Gillis
Craig Goldy
George Lynch
Yngwie Malmsteen
Eddie Ojeda
Donald "Buck Dharma" Roeser
Neal Schon

Guitar Melody Lines

Dave Murray
Adrian Smith

Bass

Jimmy Bain

Drums

Vinny Appice
Frankie Banali

Keyboards

Claude Schnell

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

§§§§

"I know not what tomorrow will bring..."

Se depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,
Não há nada mais simples.
Tem só duas datas - a da minha nascença e a da minha morte.
Entre uma e outra todos os dias são meus.



Impressionou-me a biografia. Impressionou-me fundamentalmente por dar a conhecer um Homem peculiar e contraditório. Impressionou-me por me ter apercebido que Pessoa era realmente um Homem em sofrimento, em constante desajustamento com o Mundo que o rodeava, um Homem que sem sair de Lisboa viajou léguas e léguas dentro de si. Um Homem que se refugiou no seu Eu, no seu mundo interior talvez em reacção ao que o mundo exterior não possuía, talvez em reacção ao que o mundo exterior de facto possuía mas que lhe foi negado. E impressionou-me o facto de, apesar disso, ele ter sido um Homem com uma intensa vida social, com amigos e conhecidos que ele bastantes vezes encontrava nos cafés do costume. Um Homem que se preocupava imenso com o seu aspecto exterior, chegando a acumular contas em alfaiates. Morou numa vintena de casa pela Baixa, trabalhou em quase tantos empregos diferentes. Um Homem que, em suma procurava ter uma vida exterior, mas que, no fundo, sabia que precisava de regressar ao seu refúgio interior.

Mais dos que múltiplas personalidades divididas numa miríade de heterónimos (são dezenas...), o Fernando Pessoa surgiu-me nesta dicotomia inconciliável(?): a do Homem que reside no seu interior relacionando-se com os seus "Eus" e a do Homem que tem de agir no exterior e relacionar-se com os outros.

No entanto, mantenho o meu voto. :D

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Carnavaladas

O Carnaval já passou. Mais uma marca no calendário. Next! Nunca me entusiasmei muito com este evento. Lamento. Mais uma razão para dizerem "Buh. Que infância infeliz!!". Mas não, não foi infeliz. Simplesmente não era muito dado a carnavais. Lembro-me de gostar e muito, das pistolas bisnaga e dos 'estalinhos' (aqueles que rebentam quando se atiram ao chão. Lembro-me especialmente do que acontecia quando se pressionava fortemente um estalinho contra o outro nas mãos. Era algo doloroso).

Cheguei inclusivamente a mascarar-me de cowboy ou sheriff, completo com botas, colete, chapéu e coldre. Não me diverti por aí além! LOL Lembro-me ainda de ter ido, miúdo, com os meus pais ver o desfile em Loures e em Sesimbra. Já na altura achei um pouco aborrecido e lembro-me particularmente de, em Sesimbra ter feito a proverbial e queixosa pergunta que todos os pais devem adorar: "Quando é que vamos embora!?". A aculturação brasileira no Carnaval sempre me fez confusão. Parecia que estávamos a tentar copiar para ver se nos conseguíamos divertir tanto como eles aparentemente se divertem (só isto já dava pano para mangas. Um povo que consegue organizar um evento daquela magnitude, não consegue depois organizar a vida....). A música brasileira, os actores de telenovela todos os anos cá pespegados...nunca consegui 'engolir' isso.

Enfim, É difícil de explicar...são gostos no fundo. Provavelmente deveria ter nascido mesmo nalgum país nórdico, branco e pálido já sou. Nos últimos anos tenho-me envolvido mais e reconheço que pode ser divertido. Pelo menos há sempre alguém cuja imaginação mais acelerada me consegue sempre arrancar um sorriso. O que é bom, no fundo. Mas seja como for, porém, todavia e no entanto....hmmmmm....é uma data estranha.

Será que o Fernando Pessoa gostava do Carnaval? Impressionou-me, eu que, admito, pouco sabia da biografia do poeta.

terça-feira, fevereiro 20, 2007

...

Return to Serenity

I'm gonna take you
To a place far from here
No one will see us
Watch the pain as it disappears

No time for anger
No time for despair
Won't you come with me
There's room for us there

This innocent beauty
My words can't describe
This rebirth to purity
Brings a sullen tear right to your eyes
No time for anger
No time for despair
Please let me take you
'cause I'm already there

I'm so alone
My heads my home
I'll return to serenity

Rhyme without reason
Is why children cry
They see through the system
That's breeding them just so they die

So please let me take you
And I'll show you the truth
Inside my reality
We shared in my youth

I'm so alone
My heads my home
And I feel
So alone
You know
At last
I return to serenity

Now that I've taken you
To a place far from here
I really must go back
Close your eyes and we'll disappear

Won't you come with me
Salvation we'll share
Inside of my head now
Theres room for us there
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sexta-feira, fevereiro 16, 2007

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

Há-os cá!

Um pequeno tributo às simples e pequenas almas com as quais tenho de lidar no dia a dia, sejam elas conhecidas ou anónimas. Uma dedicatória especial às pessoas que detêm algum poder, por mais pequeno que seja e que, por isso, se acham arrogantemente, semi-deuses, senão deuses mesmo. Todas elas deviam entoar alegremente o coro desta singela cançoneta!


I'm An Asshole
Dennis Leary

Folks
I'd like to sing a song about the American Dream
About me
About you
About the way our American hearts beat way down in the bottoms of our chests
About that special feeling we get in the cockles of our hearts
Or maybe below the cockles
Maybe in the sub-cockle area
Maybe in the liver
Maybe in the kidneys
Maybe even in the colon
We don't know

I'm just a regular Joe
With a regular job
I'm your average white
Suburbanite slob
I like football, and porno, and books about war
I've got an average house
With a nice hardwood floor
My wife, and my job
My kids, and my car
My feet on my table
And a Cuban cigar
But sometimes that just ain't enough
To keep a man like me interested
Oh no, no way, uh uhh
No, I gotta go out and have fun
At someone else's expense
Oh yeah, yeah yeah, yeah yeah yeah

I drive really slow
In the ultra-fast lane
While people behind me are going insane

I'm an asshole
(he's an asshole, what an asshole)
I'm an asshole
(he's an asshole, such an asshole)

I use public toilets
And I piss on the seat
I walk around in the summer time sayin', "How about this heat?"

I'm an asshole
(he's an asshole, what an asshole)
I'm an asshole
(he's the worlds biggest asshole)

Sometimes I park in the handicapped spaces
While handicapped people
Make handicapped faces

I'm an asshole
(he's an asshole, what an asshole)
I'm an asshole
(he's a real fucking asshole)

Maybe I shouldn't be singin' this song
Ranting and raving and carrying on
Maybe they're right when they tell me I'm wrong...
...
NAAAHHHHH!

I'm an asshole
(he's an asshole, what an asshole)
I'm an asshole
(he's the world's biggest asshole)

You know what I'm gonna do?
I'm gonna get myself a 1967 Cadilac El Dorado Convertable
Hot pink!
With whale skin hub caps
An all leather cow interior
And big brown baby seal eyes for headlights
YEAH!
And I'm gonna drive around in that baby
At 115 miles per hour
Getting one mile per gallon
Sucking down Quarter Pounder cheeseburgers from McDonalds in the old-fashioned non-biodegradable Styrofoam containers
And when I'm done sucking down those grease-ball burgers
I'm gonna wipe my mouth with the American flag
And then I'm gonna toss the Styrofoam containers right out the side
And there ain't a Goddamn thing anybody can do about it
You know why?
'Cause we got the bombs, that's why!
Two words: Nuclear Fuckin' Weapons
Okay!?
Russia, Germany, Romania
They can have all the Democracy they want
They can have a big Democracy cake walk
Right through the middle of Tienemen Square
And it won't make a lick of difference
Because we got the bombs
Okay!?
John Wayne's not dead
He's frozen!
And as soon as we find a cure for cancer We're gonna thaw out "The Duke"
And he's gonna be pretty pissed off
You know why?
Have you ever taken a cold shower?
Well, multiply that by 15 million times
That's how pissed off "The Duke"'s gonna be
I'm gonna get "The Duke"
And John Cassavetes
And Lee Marvin
And Sam Peckinpah
And a case of whiskey
And drive down to Texas
And-

(Hey, Hey! You know you really are an asshole)

Why don't you just shut-up and sing the song, pal?
You know, the whole time I thought I was that asshole
And it turns out it was him
What an asshole!

I'm an asshole
(he's an asshole, what an asshole)
I'm an asshole
(he's the worlds biggest asshole)

A - SS - HO - LE!
Everybody!!
A - SS - HO - LE!

*dog barking noises*

I'm an asshole and proud of it!

terça-feira, fevereiro 13, 2007

Das Leben der Anderen



Ou "A Vida dos Outros".

Domingo, "noite eleitoral".; paciência já inteiramente consumida ao longo das semanas anteriores; nada melhor que uma sala de cinema para um abençoado isolamento. A ideia era ver o "Babel", mas na verdade, às vezes apetece arriscar ou apetece ver algo que nos surpreenda (mesmo correndo o risco da surpresa ser negativa), portanto o "Babel" foi adiado em detrimento deste filme alemão, presente na corrida ao Óscar de melhor filme estrangeiro, blá, blá, blá.

Devo confessar que se tivéssemos visto o poster primeiro (é o da esquerda) talvez tivéssemos desistido de o ver. Aquilo parece mais um filme sobre um cusco depravado do que outra coisa qualquer. E as cenas de 'pele à mostra' são menos no próprio filme do que no poster, mas pronto. O poster original parece-me muito mais de acordo com o filme.

O filme passa-se na Alemanha de Leste entre 1984 e 1991, abarcando portanto, O principal evento histórico daquela altura: a queda do muro. E mostra a forma de actuação da Stasi, a polícia secreta do regime. Um dos seus mais inflexíveis agentes é posto a vigiar a vida de um escritor e dramaturgo que aparenta ser um socialista convicto. No decorrer dessa operação o Hauptmann Wiesler HGW XX/7 vai descobrir coisas extraordinariamente inesperadas.

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

Flags Of Our Fathers

A guerra sempre foi o que é, presumo eu. Felizmente nunca tive de constatar a veracidade desta afirmação pessoalmente. Agora ou há 50 ou 100 anos atrás guerra é guerra, com tudo o que isso traz em termos de drama, tragédia e horror.
No entanto, a maneira como o Homem se foi apercebendo da guerra e do que ela é foi mudando ao longo dos tempos. Vejamos o exemplo sintomático de Hollywood, ou, mais genericamente, do cinema.
Há 50 e tal anos atrás os filmes bélicos surgem dando uma imagem épica e gloriosa da guerra. Todo e qualquer soldado era um exemplo de coragem e de super-heroísmo. Os filmes do John Wayne eram disso exemplo. Aliás, deve-se a ele mesmo a realização do filme "Boinas Verdes", um filme que mostrava a intervenção americana no Vietname à luz desta primeira visão épica, quando já ninguém partilhava dela uma vez que tinha havido uma evolução para a fase seguinte.
Esta foi a fase em que os filmes bélicos mostravam a tragédia total e inexorável que cada conflito representava para o indivíduo-soldado, o qual se via colocado em tal situação dramática devido às inépcias dos governantes, políticos, chefes militares, etc. Foi a época dos filmes sobre o Vietname, fortemente políticos e de 'dedo em riste', apontando culpados em todo o lado. Tanto os filmes de uma fase como da outra são filmes sobre a guerra, sobre massas humanas quase impessoais que se entrechocaram, gloriosamente num caso, tragicamente no outro.
Entretanto, uma nova abordagem foi inaugurada nos últimos anos, talvez com o "Resgate do Soldado Ryan", mas já presente no "Sargento da Força 1" de Sam Peckimpah. A guerra passou a ser vista de uma perspectiva pessoal e humanizante ou individualizante. Sim, o factor épico e trágico continuam presentes, mas o que importa agora é esta ou aquela história determinada, deste ou daquele indivíduo ou grupo de indivíduos. O Soldado já não luta pela glória ou pela pátria, luta sim pelo amigo, pelo colega e pelo companheiro. É uma perspectiva diferente sobre o que leva cada um deles a lutar e a recusar a categoria de "herói".
É esta perspectiva que surge clara e definida neste primeiro filme sobre a Batalha de Iwo Jima realizado por Clint Eastwood.
Durante duas horas e tal Eastwood pinta um quadro colorido (ou talvez não) sobre a guerra e a propaganda que lhe é inerente. O filme conta 3 histórias em camadas que se sucedem em vários flashbacks. Primeiro é a história da tomada da ilha de Iwo Jima onde milhares de soldados americanos e japoneses pereceram (estes últimos na sua totalidade). Ao estilo do já referido "Resgate do Soldado Ryan" (ou não fosse Spielberg o produtor e o que teve primeiro a ideia de realizar este filme) o espectador tem uma amostra cruel das realidades sangrentas e atrozes da guerra. Outra história é a de um dos filhos de um dos sobreviventes que após a morte do pai vem a saber da sua história e procura reconstitui-la, entrevistando mais sobrviventes (trabalho esse que originou o livro no qual o filme se baseia).
Por fim, e aqui temos acho eu, o cerne do filme, a história do grupo de soldados que ergueu a segunda (sim, a segunda) bandeira no monte não conquistado e a sua promoção a heróis por acaso graças a uma fotografia que correu mundo e que foi aproveitada pela máquina propagandística da guerra. É nesta meditação sobre o que é o verdadeiro heroísmo que reside o ponto fulcral do filme. Não é um filme anti-guerra ou sequer anti-americano. Mas também não é o oposto. É um filme essencialmente crítico sobre a forma como a guerra é vendida ao povo não combatente. Para os que combatem, tudo se torna irrelevante a não ser fazer os possíveis por sobreviver, proteger os camaradas e ainda por cima realizar o seu 'dever'. Não há glória em matar ou morrer no campo de batalha. "Herói? Eu? A única coisa que eu fiz foi evitar levar um tiro", diz a certa altura uma das personagens. E é com esta visão objectiva e crua que o filme brilha. Não há glorificações nem acusações, apenas 'storytelling'.
O filme pecará apenas por, ao contar estas três histórias, não adoptar uma abordagem linear e cronológica; haverá talvez um abuso de flashbacks o que torna a tarefa de seguir a história algo mais complicada, mas sem ser isso, é um excelente filme, brilhante mesmo, na forma honesta como nos mostra a realidade em causa.