Não é muito meu costume escrever sobre algo após ler ou ver que alguém já o fez, especialmente quando vejo isso num dos blogs que sigo mais ou menos regularmente. Assim, e apesar da
Shandaya já o ter feito e dado um ar da sua graça ali, tenho também de exorcizar alguns fantasmas que por aqui vão pululando.
Sim, crescer é amadurecer, é a chegada da sabedoria, a idade é realmente um posto, na medida em que nos confere paulatina e cerimoniosamente um manto de alguma sabedoria, calma e habilidade. Já sabemos com o que podemos contar no que nos diz respeito internamente, e já aprendemos umas quantas lições na vida que nos permitem extrapolar para outras situações similares e assim evitar alguns dissabores maiores. Já nos sabemos "mexer" e mesmo que haja menos força, há sem dúvida maior habilidade e know how. Portanto, a idade é um posto sim, porque nos traz algo de novo intelectualmente. É a evolução.
E isto é assim na grande maioria dos casos e situações. Mas o que me chateia é que há uma pequena percentagem de situações, que até revestem alguma importância para o comum dos mortais, em que nós, aparentemente NÃO APRENDEMOS! Chega a ser tristonho reparar que qualquer animal, por mais selvagem e básico que seja, tem um instinto suficientemente apurado que lhe diz "Não, não vás por aí ó palerma"" ou "Atão pá? Já te esqueceste que isso queima, hum?És estúpido ou quê?", "Sim sim, é brilhante e colorido e tem um ar apetitoso, mas come antes aquela raiz ó idiota!" (é muito mal educado e pouco paciente o instinto dos animais, aparentemente...) etc e tal.
Mas nós, ou alguns de nós, parece que não aprendemos. E então lá vamos em frente, como se nada fosse, até levarmos com a proverbial muralha da China na chamada "cornadura". E pior ainda! Muitas vezes lá vamos nós em frente, sussurrando repetidas vezes que nunca aprendemos, que por ali não vamos a lado nenhum, que isto e que aquilo. Todavia, CONTINUAMOS! Mesmo sabendo! É algo caricato! No fim recriminamo-nos com as eternas e estúpidas questões: "mas porque é que eu me meti nisto? Já devia saber!"
Deve ser algo imutável em nós. Algo que está marcado a ferro e fogo no nosso código genético. Algo que nos voltará a fazer percorrer o mesmo caminho outra vez mais. Mais tarde ou mais cedo. Ah pois é. Mais certo que isso só a Morte mesmo. Talvez seja a esperança decorrente duma espécie de factor aleatório. Tal qual continuamos a jogar no Euromilhões semana após semana, sempre na esperança de ser esta semana A semana. No fundo deve ser isso que nos separa dos outros animais. Eles não têm nada que impeça o funcionamento puro do instinto. Aliás, vendo bem as coisas, os animais chamados irracionais, são, na verdade mais racionais e lógicos que nós. Ahahaha. A ironia! Enquanto que eles seguem os sentidos e os instintos ditados por um cérebro rudimentar, nós, que temos um cérebro topo de gama, nem sequer o consultamos quando devemos. Há muita coisa a sobrepôr-se. As emoções, a emotividade, mariquices e palhaçadas variadas que impedem, de alguma forma, um processo de aprendizagem básico e elementar. Está aí a explicação do porquê andarmos sempre a meter "as mãos no fogo". O cérebro diz-nos que não, mas o coração diz o contrário...ou embota as sinapses e os neurónios de tal maneira que acabamos por ficar impotentes perante tudo. É o povo que diz "O coração tem razões que a cabeça desconhece"? Enfim. É irritante.
Pronto. Era só isto. Obrigado.