Wtf!? Foi o que me apeteceu dizer o outro dia qundo vi um petiz à porta dum qualquer estabelecimento comercial, à espera dos pais ou coisa que o valha. E isto porquê? Porque a pobre e entediada criança estava a fazer uma série de bolhas de sabão e a vê-las subir no ar até rebentarem. A estranheza da situação não está, como é natural, na existência de bolhas de sabão, nem, muito menos, no facto de as ditas subirem e rebentarem (deve haver alguma Lei que explique isso). A estranheza da situação estava sim, no facto, inaudito, de o gaiato estar a fazer as bolhas não à maneira antiga com aqueles tubos de plástico cheios de água e sabão (era o que dizia lá), com um aro pelo qual tínhamos de soprar, mas sim com uma MAQUINETA qualquer, uma geringonça de plástico e movida a pilhas, cuja única interacção que exige do seu utilizador deve ser o mero on/off num qualquer interruptor colorido. É difícil descrever o ar semi desalentado e amorfo do 'crianço' enquanto a maquineta zumbia e o anel incorporado metralhava bolhas de sabão como se não houvesse amanhã. É certo que em termos do binómio rapidez/eficácia, a maquineta era superior...mas...what's the point!? Obviamente o puto olhava com bastante desinteresse para aquilo. Provavelmente nunca pegaria no velhinho tubo de sabão e água, visto que os cérebros embotados por videojogos, desenhos animados duvidosos e afins, devem considerar tal objecto vindo da Idade da Pedra, vulgo Idade do Faz Tu Mesmo Que É Mais Divertido. Mas e daí talvez pegasse. Nunca se sabe.Isto para dizer que a mente que imaginou um tal dispositivo deve ser das mais oportunisticamente preguiçosas das últimas décadas. De alguma forma conseguiram substituir uma actividade lúdica que exigia apenas uns pulmões e alguma perícia por uma máquina. Como se o objectivo daquilo fosse fazer apenas bolhas.Como se não fosse mais interessante ser o próprio utilizador a tentar fazê-las. Para preguiça estamos bem, hem?
É isto e o raio dos telemóveis! Não que tenha alguma coisa contra o raio dos bichos, mas que
diabos! As pessoas deixaram efectivamente de combinar encontros. Torna-se desnecessário aparentemente, uma vez que todos estão, natural e obrigatoriamente, contactáveis. Irra! Que irritação que é quando a pessoa que se quer contactar está incomunicável. É o "Depois ligo", "Depois logo se vê", "Depois combinamos". Tal como o tal tubo de sabão parece ser obsoleto, também a velha arte do "Olha, espero por ti neste sítio e a estas horas" também é já coisa do passado. As SMS, por mais úteis que sejam, e são, dominam, monopolizam, o Natal, entopem as antenas de qualquer um. Como é que raio nós (sim, também me incluo) fazíamos antes de termos estas coisas? Não sei...as pessoas combinavam e tinham de manter o combinado. Enfim.PS: Por falar em Idade do Faz Tu Mesmo Os gajos da LEGO também vão pelo mesmo caminho. Como se já não bastasse o facto de as séries de LEGO da minha juventude: a Cidade, o Espaço, o Oeste terem praticamente acabado, sendo subsituídas pelas séries idiotas do Harry Potter, Homem Aranha, Robin Hood, Star Wars, etc, que já não deixavam grande espaço à imaginação (pudera, já
está tudo feito, era só construir o que eles mandavam), o outro dia encontrei um jogo de LEGO digital. É em tudo igual mas feito no computador para, segundo dizem "evitar a desarrumação das peças pela casa" (como se isso não fosse metade da piada!). Bom, saquei aquilo e instalei-o. Estive um ou dois minutos a mexer no programa (para o qual deve ser necessário alguma formação informática em programas de arquitectura), até que decidi apagá-lo. Estava a sentir-me idiota. 









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