segunda-feira, junho 04, 2012

Avengers


Aparentemente a Marvel continua a acertar na mouche com as suas adaptações ao cinema. Já tinha revolucionado o conceito com os filmes "a solo" anteriores, dando pistas aqui e acolá, tecendo ténues, mas existentes, fios de narrativa entre um filme e outro, até culminarem neste "Avengers" que, convenhamos, tinha a receita toda para o fracasso. É que, por norma, juntar várias destas personagens é meio caminho andado para fazer dum filme uma salganhada total, sem grande nexo. Veja-se o caso do terceiro "X-Men", em que a profusão de mutantes, heróis e vilões, tornou o filme uma obra pesada, desconexa e algo desnecessária. Uma pena tendo em conta a relativa contenção e parcimónia exercida nos anteriores volumes. Porém, alguém na Marvel e respectivos estúdios fez alguma coisa certa e, inacreditavelmente, conseguiu inovar neste campo.
A inovação residiu precisamente na preocupação da Marvel em transpor para o cinema não só UMA história e UM "palhaço fantasiado", mas sim o de criar uma dimensão humana paralela, criando um Universo próprio, que se cruza e influencia. Exactamente como acontece nos comics. Foi assim que, aos poucos, experimentando aqui e acolá, foram lançando pistas do que "poderia ser feito" caso os filmes isolados tivessem o sucesso que era esperado. "Hulk", "Thor", "Iron Man" e o "Captain America" foram filmes que tiveram esse sucesso e, ao mesmo tempo, forneciam entretenimento de boa qualidade.
Eis-nos portanto chegados ao filme que os junta, e ao culminar de uma fase que levou alguns anos a construir. E que grande diversão é o raio do filme. É, concedo, um filme com muitíssima mais acção e "porrada" que os anteriores, mas a verdade é que tem de ser assim. É essa a justificação dada para ter sido formada uma equipa como aquela: o facto de haver uma situação que exige pesos pesados capazes de "bater a sério". Afinal de contas a "caracterização" das personagens já foi feita e bem estabelecida nos respectivos filmes, pelo que aqui não há essa necessidade podendo partir-se, quase de imediato, para a acção propriamente dita. Naturalmente que isso, para o incauto espectador, poderá fazer com que o filme perca algumas das características que os outros tiveram e que, aqui, não há tempo, ou necessidade de voltar a frisar.
Seja como for, o humor não deixa de estar presente, o que é sempre uma mais valia. Um bom filme. Aguardemos pelo Iron Man 3 que, ao que se diz, inaugurará uma nova fase de filmes.

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