A segunda longa-metragem do cineasta alemão Florian Henckel von Donnersmarck, cuja aclamada estreia "A Vida dos Outros" venceu em 2007 o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, está um tanto ou quanto afastada da estreia. Digamos que o target é outro. Mais abrangente talvez. Onde antes estava um filme dramático e sério, pesado mesmo, agora encontramos uma comédia. Sim, uma comédia, que ninguém se deixe enganar e vá à espera de outra coisa, embora me pareça que seja exactamente esse o erro em que as pessoas incorram. Mas adiante.
Frank Tupelo, um professor de matemática americano em viagem pela Europa, é abordado por uma belíssima mulher no comboio que liga Paris a Veneza. Elise Clifton-Ward sedu-lo sem apelo nem agravo. Mas o que parece o florescer de um romance rapidamente se transforma numa perseguição que escapa ao seu entendimento e que envolve simultaneamente a Interpol e um perigoso gangue russo. Tudo isto completo com acção, perseguições, tiroteio e belíssimas imagens de Veneza.
Obviamente que comparar este filme com "As Vidas dos Outros" é tarefa algo injusta para "The Tourist". Aquele filme foi brilhante, desconcertante e muitíssimo interessante. Uma obra de valor. Não quer dizer que "The Tourist" seja um produto menor, mas é, sem dúvida, mais mainstream e "hollywoodesco", sem que a isto esteja a atribuir qualquer sentido pejorativo, pois o cinema também é entretenimento.
Quem vai ver este filme à espera dum intenso thriller psicológico, pode ir tirando o cavalinho da chuva. Há, de facto, elementos de um thriller, o argumento é suficientemente intrincado para isso...há, ouso até dizer, alguns pozinhos de Hitchcock, pelo facto de todo o motor do filme partir do envolvimento pseudo-acidental dum innocent bystander, alguém que não tem nada a ver com a história e se vê arrastado para uma espiral de mistério e intriga.
Aliás, todo o factor comédia é potenciado precisamente pelo facto de um tipo normal, inocente, desajeitado e ingénuo, e sem qualquer habilidade aparente, ser arrastado para uma história digna de um 007, smoking incluído. A reacção de um tipo normal aos acontecimentos desse calibre são, volta-se a frisar, cómicas. Comédia pura, embora não alarve ou in your face. É para rir. Portanto, o factor thriller é aqui completamenbte secundarizado. E é assim que deve ser entendido. E nesse sentido é um filme que cumpre integralmente. Entretenimento puro e inteligente (ainda que, a dado passo, tenha adivinhado qual seria a major plot twist do final). Ainda assim, é sempre agradável ver o filme, e ver como a Jolie e o Depp nitidamente se divertiram enquanto se passeavam por Veneza.
quinta-feira, fevereiro 03, 2011
The Tourist
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