domingo, março 28, 2010

A Serious Man

Não percebi este filme. Aliás, não percebi a necessidade de fazer este filme, para além da provável vontade que os irmãos Coen sentiram em exorcizar um qualquer fantasma da sua juventude (ao que parece, o filme está carregado até mais não de referências a episódios, personagens e vivências experienciadas pelos próprios Coen em finais dos anos 60, numa comunidade judaica como a que mostram em "A Serious Man"). Talvez assim se explique um filme que, enquanto tal, não tem assim muito por onde se pegar.
Não que esteja a dizer que é um filme mau. Nada disso. É um filme com algumas boas ideias, bons momentos aqui e ali. Aprecio os simbolismos e alegorias (embora as alegorias bíblicas sejam algo por demais), aprecio o humor (ou tentativa, pois, na verdade, não me ri uma única vez), aprecio o cuidado e a fotografia. Mas tudo isto somado não faz um bom filme, lamento.
A Larry Gopnick, o desafortunado personagem principal do filme, tudo acontece. E por mais que se esforce ele não percebe o porquê dos seus infortúnios. Ao procurar o auxílio de um dos rabis da comunidade ouve uma história contada que, aparentemente, lhe trará a resposta iluminada para os seus problemas. Uma pista do que deve fazer na vida. Mas não, a história é inconsequente e dela ele nada retira que o ajude, para seu despero. Ora, é o que se passa precisamente com "A Serious Man": chegamos ao fim intrigados com o que vimos, mas a sensação geral é a de perda de tempo. Porque nada se retira daquele filme. A satisfação pontual de perceber aqui e ali uma ou outra 'piscadela de olhos', ou uma ou outra metáfora, não chega para suplantar aquela sensação de aborrecimento. Simplesmente o filme não cativa. A Larry tudo acontece é verdade, é uma tragédia pegada, mas o problema é que o filme não cria nenhum tipo de relação entre o personagem e o público. Sinceramente, ao ver a sucessão de episódios desgraçados a acontecerem àquele pobre homem, não achei piada, nem fiquei com pena ou preocupado...nada. Um grande "encolher de ombros" foi o que o filme provocou. E quando não queremos saber, quando o personagem principal nos é indiferente....bom, basicamente estamos só à espera que o filme acabe para ir embora.
Ok, percebi que a principal "mensagem" do filme (se é que se pode considerar como tal) é que nem tudo se explica, nem tudo se controla, nem tudo se domina. Há uma grande dose de incerteza no que nos rodeia, e a maneira como cada um intervém e actua (ou não, como é o caso de Gopnick, um ser irritantemente passivo que, em certa medida quase que merece tudo o que lhe aconteceu, mesmo sendo um homem bom) tem grande influência no nosso "destino". Mas, diabos! Não preciso de um filme para me dizer isto! Lá está, como premissa base não está mal, mas contentar-me-ia com uma curta metragem.
Sinceramente não vale a pena. E com pena digo isto, sendo eu fã dos Coen há anos. Mas em boa verdade, e conforme descobri há semanas em conversa quando este filme estreou, o último filme deles que realmente apreciei foi o "O Brother, Where Art Thou". Os restante oscilaram entre os "assim-assim" e o "chato". Pronto, se calhar sou só eu.

O poster (tal como a imagem e fotografia em geral) é excelente. Faz-me lembrar um qualquer super-herói nos telhados pronto para entrar em acção. E, em certa medida, Gopnick é um "super-herói", pois só com super poderes alguém consegue suportar o pequeno calvário que a vida entendeu dispôr à frente dele. Pormenor interessante, como muitos outros no filme. Mas, não chegam.


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