Eis um bom filme da Roménia. Podia ser ainda melhor caso o o realizador, Cristian Nemescu, não tivesse falecido antes de o acabar num acidente de viação. Nem 30 anos tinha ainda. Pena, porque, conforme é dito logo de início, o filme é apresentado exactamente como se encontrava aquando da morte de Nemescu. E é notória a natureza de esboço ou "work in progress" da obra. A culpa pelos cortes na imagem, ecrãs negros, os aparentes "saltos" na narrativa e a falta de som aqui e ali não devem ser atribuídos à sala de cinema, mas sim ao carácter realmente incompleto do filme (coisa que ontem nem todos se aperceberam, apesar do aviso).
Mas então, para quê lançar o filme assim? Simplesmente porque é bom, e daí poder ter sido ainda melhor se tivesse sido acabado.
Em traços largos, um comboio de material de comunicações da NATO com destino ao Kosovo em 1999, acaba retido numa estaçãozeca de uma aldeola romena devido à insistência mesquinha e irritante do chefe da estação nos mais variados pormenores burocráticos. Chefe de estação esse que é também uma espécie de mafioso de meia-tigela local, conhecido por desviar parte das mercadorias que por ali passam e por exercer uma autoridade exagerada sobre a dita aldeia e seus habitantes. Paralisar um comboio cheio de americanos é apenas mais uma forma de exercer o seu poder e autoridade. Apesar de tudo, é uma personagem simpática.
Os americanos nada podem fazer a não ser esperar e desesperar pela chegada dos papéis necessários. Nestes entretantos o presidente da câmara e restante população recebem com curiosidade os soldados tentando descortinar uma maneira de capitalizar com a sua presença.
As coisas rapidamente ficam um tanto ou quanto fora de controlo,com os americanos a misturarem-se com os romenos, para grande desespero e irritação do comandante do comboio, extraordinariamente desempenhado por Armand Assante.
Sim, os romenos são mostrados como o cliché dos balcãs do costume (não tão caricatos como com o Kusturica, mas quase), mas não me parece que esse 'cliché' seja prejudicial.
O simbolismo mais interessante do filme, só depois de ver o filme se tornou evidente. O comandante americano no fim acaba por perder a diplomacia e não hesita em colocar as duas facções da aldeia uma contra a outra para conseguir sair dali. Em vão pois na mesma hora a burocracia é desbloqueada. E no fim temos o comboio de americanos a abandonarem a aldeia, mas uma aldeia em pé de guerra, em violência total. Simbólico da actuação dos americanos por esse mundo? Talvez. Mas achei mais subtil a ideia de mostrar o americano do povo (os soldados) como pessoas normais, afinal tão parecidos com aqueles romenos campónios. Apenas o americano com poder (o comandante) se veio a revelar a verdadeira fonte de problemas. Portanto, não é tão 'anti-americano' como por aí se propaga...é apenas...mais realista. Uma maneira de ver apenas.
LeTsLuKaTdAtReIlAr:
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