Gostei. Surpreendentemente gostei. É um filme simples, muito 'moody'. E calculo que esteja no 'mood' adequado para o apreciar. Não sei. Seja como for não direi que é um grande filme, mas é bem bom sim. Há determinadas coisas que sinceramente não apreciei, especialmente coisas relacionadas com a cinematografia: não gostei nem percebi qual a necessidade de tanta 'câmara lenta', e cansou-me um pouco a imagem granulada e pouco definida de algumas cenas, especialmente as do café do Jeremy. Mas são pormenores no fundo. A história é que interessa.
E quanto à história, acho que mais uma vez se deve aceitar sem reservas para se poder apreciar. Penso que se deve levar a coisa um pouco para o lado metafórico e alegórico. A história das chaves perdidas pelos clientes, que dá um pouco o mote ao filme, não é exactamente realista, mas é aí que se deve aceitar o lado alegórico da coisa. As chaves, mesmo perdidas, continuam a abrir portas, e, como tal devem ser guardadas para que essas portas não se fechem de vez. As chaves existem, penso eu, quase como que uma justificação para esta frase. E o destino final dado a todas aquelas chaves é mais uma alegoria significativa. É a ex-namorada de Jeremy (desempenhada pela Cat Power) que traz um closure ao assunto. Life moves on.
A Norah Jones até nem vai mal. Consigo ver que as críticas à moça devem ter sido mais que muitas. Mas eu gostei da prestação dela. Ficou muito bem no papel duma rapariga normal. E era isso que aquele papel precisava: uma pessoa normal. E sim, para personagem principal, ela passa muito tempo como mera observadora do que a rodeia. Mas no fundo, é o que acontece a toda a gente normal naquela situação. Uma pessoa normal recolhe-se e observa. Portanto acho que foi bem escolhida.
Mas sim, o 'par romântico' principal é pouco crível, e em termos de actores o filme é completa e totalmente roubado pela Rachel Weisz e pelo David Strathairn. Mesmo a Natalie Portman, no pouco que aparece, e no pouco que conhecemos da sua personagem, tem uma prestação melhor.
Mas, seja como for, um filme que gostei de ver. Agre e doce nas doses certas. Como uma tarte de mirtilos no fundo.
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