Ali para os lados da Avenida Miguel Bombarda há um pequeno jardim (diria antes um singelo triângulo com algumas árvores e relva), onde às tantas da noite ocorre um fenómeno estranhíssimo, que pude presenciar, pelo menos duas ou três vezes. Lá pelas 10 e tal da noite, surge, vinda não sei bem de onde, uma velhinha, mas uma velhinha mesmo, carregada com alguns sacos, dirigindo-se vagarosa e quase dolorosamente para o dito triângulo.
Pelo que pude ver, pareceu-me ser um ritual diário (ou noctívago neste caso). A referida velhinha então, assim que chega ao local definido - o centro do triângulo - começa por esvaziar o conteúdo de um dos sacos na relva, de forma ordenada e equilibrada. O conteúdo? Montes e montes de migalhadas de pão. É notória a preocupação em ver se o "produto" fica bem espalhado. De seguida ocupa-se do outro saco, esvaziando-o na parte calcetada. Desta vez não são migalhas, mas sim, grandes bocados de pão, que ela se atarefa a desfazer em bocados mais pequenos ainda e a espalhar metodicamente pelas pedras de calçada portuguesa.
O porquê de tudo isto escapa à observação de um espectador normal. É óbvio que tudo aquilo se destina à alimentação da passarada que provavelmente habita nas grandes árvores que por ali pululam pachorrentamente. Mas, se se percebe o "para quê", o "porquê" é um mistério. O que levará uma senhora de provecta idade a deslocar-se todas as noites àquele local, a uma hora em que a maioria dos seus colegas geriátricos já se refastelam na cama ou no calor de suas casas, apenas para alimentar os pássaros? Promessa talvez? Enfim, a chatice é que quem beneficia disso são os pombos, essa nauseabunda raça alada que abunda (olha, uma aliteração!) em Lisboa. Devia ter em atenção que os pombos nem sempre são animais agradecidos.
O porquê de tudo isto escapa à observação de um espectador normal. É óbvio que tudo aquilo se destina à alimentação da passarada que provavelmente habita nas grandes árvores que por ali pululam pachorrentamente. Mas, se se percebe o "para quê", o "porquê" é um mistério. O que levará uma senhora de provecta idade a deslocar-se todas as noites àquele local, a uma hora em que a maioria dos seus colegas geriátricos já se refastelam na cama ou no calor de suas casas, apenas para alimentar os pássaros? Promessa talvez? Enfim, a chatice é que quem beneficia disso são os pombos, essa nauseabunda raça alada que abunda (olha, uma aliteração!) em Lisboa. Devia ter em atenção que os pombos nem sempre são animais agradecidos.
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