Bom, graças ao Raimas e ao Fernando, lá acabei por ir ontem à borliu, a mais uma noite SBSR. O motivo: os tão propagados "salvadores da música moderna", os Arcade Fire. Mas antes disso, ontem foi outra loiça! Jantar descansadinho em casa, esperar pelo Fernando, ir para lá por volta das 22h00, estacionar pertinho, entrar sem qualquer tipo de dificuldade, chegar aos bares sem incómodos, assistir ao concerto relativamente perto e em paz. Muito bem. Longe da confusão criada pelas 40.000 pessoas do outro dia. Mas, ainda assim estava um recinto muito compostinho para receber os canadianos (eram 10 ao todo! Deve ser uma coisa canadiana. Já os Broken Social Scene que vi no ano passado em Paredes de Coura, também do Canadá, eram uma série deles. Aliás mesmo musicalmente andam pelos mesmos lados, mas realmente tenho de admitir que os Arcade Fire me pareceram melhores).
Mas antes disso ainda: quando chegámos estavam a acabar uns hippies cabeludos quaisquer...não tenho ideia de quem eram, mas o público gostou. Acabado que estava fomos dar um giro pelo recinto, cuja maior parte nem sequer tinha visto tal era a montanha humana na 5.ª Feira. Os Bloc Party começaram enquanto estávamos num barzito e por lá ficámos. Musicalmente provocaram-me o equivalente a um encolher de ombros. Não é mau, não irrita, mas também não é nada de especial. Lá tocaram o seu hit da Optimus.
Os Arcade Fire eram/são de outra cepa. Um palco gigante cheio de intrumentos, completo com um mini órgão de igreja (sim, com os tubos e tudo), uns 5 ecrãs circulares pequenos espalhados e uma cortina vermelha atrás. Começaram a tocar com atraso de 10/15 minutos infelizmente, porque depois não compensaram no final, acabando à hora marcada.
E que dizer? Devo dizer que me conquistaram. O meu conhecimento era algo superficial e limitava-se apenas ao primeiro álbum. São uma banda muito suis generis, algo similares aos Broken Social Scene, embora o concerto que vi destes tenha sido mais aborrecido e, curiosamente tinha mais expectativas em relação a estes do que aos Arcade Fire. Mal entraram em palco tinham o público nas mãos, algo notável sendo apenas o segundo concerto cá no burgo. Mas depressa justificaram a recepção. São um pouco mais pop e 'indie' (whatever) que os The Dears (outros canadianos), mas o que estes têm de dramático, os Arcade Fire têm de épico e retumbante. É uma mistura estranha. Juro que em muitos pontos ouvi 'coisas' do Bruce Springsteen, pelo menos esse lado épico e grandioso do piano que se ouve no "Born To Run" do Boss. Não é também surpreendente que os Davids, Bowie e Byrne sejam fãs da banda, pois também deu para ver 'coisas' dos Talking Heads e do Bowie bem mesclados na música.
Dois exemplos:
Não sei os nomes, mas são bastante reconhecíveis. Às vezes é bom ir para um concerto com pouco conhecimento sem esperar nada e acabar conquistado. Como disse, se houver oportunidade e t€mpo, não me importava nada de voltar a vê-los.


4 comentários:
Arcade Fire: festa a 10 no Super Bock Super Rock
Banda conquistou o público português
2007/07/04 | 04:55
João Carneiro da Silva
Se dúvidas existiam em relação a qual das bandas atraiu mais público neste segundo dia de Super Bock Super Rock, estas foram rapidamente dissipadas com a ovação das cerca de 20 mil pessoas à entrada dos Arcade Fire em palco.
Um palco que por si só já chamava a atenção, com um enorme orgão de igreja e cinco ecrãs vídeo em forma de círculo e exibindo a «bíblia de néon» alusiva ao mais recente álbum de originais da banda canadiana.
Depois de uma intro tão surreal como apropriada, em que se pôde ver e ouvir este vídeo de uma criança brasileira a pregar durante uma missa evangélica(?), os Arcade Fire decidiram mostrar ao público português como se faz uma festa com 10 elementos em palco.
A explosão sonora teve início com "Black Mirror", tema de abertura do novo disco "Neon Bible". Comandados pelo casal Win Butler e Régine Chassgne, os Arcade Fire transpõem as suas músicas do CD para o palco de forma única, dando-lhes novas dimensões. E energia também não lhes faltou; Régine, por exemplo, passou por vários instrumentos, como o piano, a bateria ou o acordeão, para além de assumir o papel de vocalista. Tudo sempre com um enorme sorriso na cara e uma atitude «marota».
"No Cars Go", "(Antichrist Television Blues)" e "Intervention" foram alguns dos novos temas apresentados, naquele que acabou por ser o concerto mais aplaudido da noite.
Para além dos «obrigado's» da praxe, Win Butler fez questão de comunicar com a assistência. Contente pelo regresso ao nosso país, o vocalista dos Arcade Fire relembrou um episódio passado na sua terra natal, Montreal, durante o Campeonato Europeu de Futebol de 2004. Residente num bairro situado entre as comunidades portuguesa e grega, Win disse, em jeito de brincadeira, que após a derrota lusa na final sentiu que vivia na Faixa de Gaza. E rematou: «prefiro Portugal, mas por outro lado os gregos têm o queijo de cabra...».
Régine também quis elogiar os dotes vocais dos fãs portugueses, que entoaram em coro, e afinadamente, muitos dos temas apresentados, como "Rebellion (Lies)". Afinal, aos 10 em palco juntaram-se outras 20 mil vozes.
E foi em festa que terminou este segundo dia de Super Bock Super Rock, ao som de "Wake Up" e em apoteose final com pandeiretas e tambores lançados ao ar, evidenciando os dotes de malabaristas (ou não) de alguns membros da banda.
O público foi para casa aliviado por ter escapado a uma grande chuvada (será que é amanhã?) e satisfeito com as actuações das principais bandas que marcaram o arranque do Act 2 do festival.
ainda bem que gostaste!
eu tb gostei.
abraço
nao sei se gostas, mas quarta-f 11Jul ha Mudhoney no paradise garage.
os avôs (.. nao o Fernando!) do grunge/rock.
Yap, já tinha visto. Nem sabia que eles ainda existiam.
Seja como for, não faz muito o meu género realmente.
:)
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