"No one would have believed, in the last years of the nineteenth century, that human affairs were being watched from the timeless worlds of space. No one could have dreamed that we were being scrutinized as someone with a microscope studies creatures that swarm and multiply in a drop of water. Few men even considered the possibility of life on other planets. And yet, across the gulf of space, minds immeasurably superior to ours regarded this earth with envious eyes, and slowly and surely, they drew their plans against us."Esta é a introdução narrada que abre este disco. E basta estas frases e a forma como são lidas para sentirmos que nos preparamos para assistir a uma bela e épica história. Assim que entra a parte instrumental da primeira faixa ficamos logo ‘apanhados’ pelas várias camadas de teclados e sintetizadores, que dão o tom para tudo o que se seguirá. Um dos álbuns conceptuais de rock progressivo mais influentes de sempre.
Ouvi falar pela primeira vez deste disco apenas há alguns meses atrás, aquando da estreia do filme homónimo do Spielberg. Aproveitando o ‘embalo’, o disco do Jeff Wayne foi reeditado, remasterizado e com algumas faixas extra.
O disco chamou-me a atenção imediatamente por ser uma ópera rock com vários participantes (um conceito que me apraz muito) e pelo facto de um desses intervenientes ser o Phil Lynott vocalista e líder dos grandes Thin Lizzy.
Para além dele conhecia apenas o Sir Richard
Burton (um dos ex-maridos da Liz Taylor, embora seja, felizmente mais do que isso), um grande actor, dono duma voz extraordinária, completamente adequada ao papel que lhe coube, que é o de narrador e personagem principal da história. Não canta, apenas narra e interage com os outros ‘actores’, os quais, alguns, cantam sim senhor. De facto, a voz deste senhor é uma mais valia para o disco. Uma voz poderosa, forte mas contida que consegue eficazmente transmitir o que seria o terror duma invasão hostil.Fui ler alguma coisa sobre o disco e o que descobri deixou-me espantado com o sucesso e influência que esta obra teve ao longo dos anos.
No entanto, há 30 anos atrás, o autor e músico Jeff Wayne estava certamente longe de supôr o sucesso que este disco teve, quando decidiu fazer uma versão musical dum livro pelo qual se tinha apaixonado. “A Guerra dos Mundos” de H.G.Wells.
Final dos anos 70, o “Star Wars” já tinha levado as pessoas para o espaço, os musicais eram um
sucesso, e o prog-rock, com as suas longas composições orquestrais estavam em plena moda. Wayne pega nisto tudo e escreve um disco onde mistura ‘spoken word’ com partes cantadas, baseado directamente naquele livro. No entanto, não há nunca o perigo de se tornar num disco-livro, uma vez que, apesar de tudo, é a música que assume aqui o papel preponderante. E o que a música nos traz é que é realmente inovador.Também não se trata duma banda sonora dum filme. E muito menos uma rádio novela, apesar de, em certos aspectos, assumir essa aparência devido às partes narradas e diálogos e também alguns efeitos sonoros que ajudam a descrever a acção. Talvez esteja aqui, propositadamente ou não, uma homenagem ao feito de Orson Welles, que em 1938 conseguiu assustar a América com a sua transmissão radiofónica baseada no mesmo livro.). No entanto, esses efeitos e partes em diálogo são usadas com ponderação, intercalados por entre as magníficas e longas peças musicais que compõem os dois discos.
O álbum vendeu 13 milhões de cópias até hoje e ficou nos Tops do Reino Unido por 260 semanas.
Entrou para os tops de 22 países e chegou a ouro e platina em 17 deles. Várias bandas electrónicas e DJ’s ainda usam hoje samples deste álbum para os seus trabalhos. Há inclusivamente quem diga que as raízes da música electrónica podem ser encontradas neste disco (bem como no The Dark Side Of The Moon dos Floyd), devido à sua enorme gama de experimentações sonoras, uso generalizado de sintetizadores e feeling em geral dançante, bem típico do final dos anos 70.É uma música que comporta vários ambientes e sentimentos, dos mais tétricos e desesperados aos mais esperançosos e mesmo belos. Aliás a quantidade de instrumentos que foram utilizados é disso boa prova.
Foi um dos álbuns mais inovadores e criativos da sua época, e também dos mais ambiciosos e caros. Demorou 3 anos a ser feito e custou perto de 240.000 libras, o equivalente a um milhão de libras actuais. Foi em parte financiado por Jeff Wayne, correndo grave risco financeiro pessoal. Ele próprio disse que caso não tivesse sucesso, teria de vender a casa para pagar as dívidas. Mas teve. E continua a ter.
Um disco de rock progressivo sinfónico com ritmos de disco sound e alguma electrónica à mistura? Pois, parece que sim!
A música presente tem tem de facto um ‘dance beat’ nunca antes visto num álbum de prog rock, mas é, ao mesmo tempo diversificada com uma orquestração ‘grande’, épica e quase pomposa. É o caso da primeira faixa, "Eve Of The War", em que aquela introdução de Burton dá lugar a uma longa peça luxuriante cujo tema se repete depois em várias partes do álbum.
“The chances of anything coming from Mars are a million to one, but still they come”, canta Justin Hayward (vocalista dos Moody Blues).
As restantes faixas desenrolam o resto da história, sendo que algumas são bem longas e variadas. Mas no fundo, a divisão do álbum em faixas acaba por ser irrelevante pois o álbum flui continuamente como um todo, num crescendo de emoção e suspense.
De destacar a “Forever Autumn”, cantada por Hayward, dotada de uma beleza singular e que, mais tarde os próprios Moody Blues re-editaram e pode ser encontrada nalgumas compilações do grupo; e também a “The Spirit of Man”, onde Phil Lynott dialoga/canta em dueto com Julie Covington (uma estrela da Broadway da altura), num estilo bastante bombástico e teatral.
Em suma, um excelente e cativante disco, capaz de nos hipnotizar a ponto de não conseguirmos prestar atenção a mais nada. Para os mais receosos das influências disco, é reconfortante saberem que o trabalho das guitarras é sempre excelente, bem como as orquestrações. Não deixa de ser um álbum de rock, afinal.Sim, é possível que haja aquele feeling de que alguns dos efeitos e dos arranjos sejam hoje um tanto ou quanto pirosos....mas o trabalho em geral não deixa de ser assombroso. Pessoalmente fui muito surpreendido pela música deste álbum. É algo que realmente impressiona pela qualidade e pela melodia memorável. Bastou uma audição apenas para depois, na segunda, eu já parecer conhecedor do disco há muito tempo.
Track listing
Disc 1: “The Coming Of The Martians”
1. The Eve of the War (9:06)
2. Horsell Common and the Heat Ra (11:36)
3. The Artilleryman and the Fight (10:36)
4. Forever Autumn (7:43)
5. Thunder Child (6:10)
Disc 2: “The Earth Under The Martians”
6. The Red Weed (5:55)
7. The Spirit of Man (11:41)
8. The Red Weed (part 2) (6:51)
9. Brave New World (12:13)
10. Dead London (8:37)
11. Epilogue (Part 1) (2:42)
12. Epilogue (Part 2) (NASA) (2:02)
Total Time: 95:12
Line-up
- Jeff Wayne / synthesizer, keyboards, voices, director, conductor, executive producer, performer, orchestration
- David Essex / vocals, performer
- Justin Hayward / vocals, performer (MOODY BLUES)
- Chris Spedding / guitar
- Julie Covington / vocals, performer
- Herbie Flowers / guitar (bass)
- Billy Lawrie / vocals (background)
- Phil Lynott / vocals, performer(THIN LIZZY)
- Chris Thompson / vocals, performer (MANFRED MANN’S EARTH BAND)
- Richard Burton / vocals, performer
- Ray Cooper / percussion
- George Fenton / zither, taragat, santur
- Ken Freeman / synthesizer, keyboards
- Barry Morgan / drums
- Gary Osborne / vocals (background)
- Jo Partridge / guitar, vocals, performer
- Paul Vigrass / vocals (background)
- Roy Jones / percussion
- Barry Da Souza / percussion

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