quinta-feira, janeiro 11, 2007

Irmãos Lumiére....voltem!!

Ainda me lembro quando ir ao cinema custava 500 paus. Sim, ainda sou desse tempo. Entretanto, como seria de esperar, os 500 parrecos já lá vão. Da última vez que fui ao cinema paguei a bela quantia de 1,102.65 escudos, ou 5.50 €. Ou seja mais do dobro. A barreira “psicológica” dos 5 €, ou dos 1000 paus foi quebrada finalmente. É muito dinheiro. Apesar de, mesmo assim, nada bater a experiência que é o ritual de ir ao cinema.

Porém, com estes preços, ou somos ricos, ou não temos mais interesses na vida para além do cinema, ou, por fim, começamos a ser selectivos no que vamos ver. É que dar mil e cem paus para ir ao cinema custa muito quando o filme que se vê afinal não passa duma banhada bem gelada.

O Cine Estúdio 222 fechou as portas há anos, acabando com os ciclos interessantíssimos que por lá passavam regularmente (suficientes para obrigarem um gajo a enfiar-se naquele buraco bolorento). A Cinemateca é agradável, mas nem sempre passa o que eu quero (afinal de contas não sou um cinéfilo puro e duro) e muitas vezes quando passam é a horas impraticáveis. Resta o King e o Quarteto, onde ainda se pode ir com algum prazer, se bem que se volte com alguns ossos moídos.
Bom, isto tudo para dizer que a minha frequência em salas de cinema decresceu tragicamente nestes meses. 3 –três!- foram os últimos filmes que vi.

Comecei com este:


E se há algum sinal que o Mundo está para acabar é quando decidem lançar um filme do James Bond com uma história decente, um argumento credível, com personagens a sério e não super-heróis de animação. O Daniel Craig pode muito bem ser o melhor James Bond de sempre, ou, pelo menos, o melhor desde o Sean Connery. Claro que isso depende dos gostos. Quem aprecia o estilo apalhaçado do Roger Moore, o estilo amorfo do Timothy Dalton ou o estilo pseudo-cool do Pierce Brosnan, não vai gostar de ver um James Bond bruto como uma parede de tijolos, frio, seco, quase insensível às suas actividades profissionais, mas ao mesmo tempo, uma personagem que vai para além disso (afinal ele é um homem, pasme-se). Até a Bond-Girl de serviço faz mais do que pavonear os decotes e as curvas pelo ecrã.
É um filme muito real, violento e credível do princípio ao fim. Talvez um pouco grande demais, mas vale a pena nem que seja pela atordoante perseguição inicial, a pé, que é uma das melhores que já vi.
Em suma, gostei. Gostei que tivessem cortado com a palhaçada anterior. Não é que odeie esses filmes, mas não os consigo levar muito a sério, ao contrário deste. Aliás o tom do filme é dado logo de início no habitual ‘teaser’ pré genérico (também excelente diga-se de passagem), filmado a preto e branco, sem grandes explosões e efeitos afins. Apenas a fria realidade. Uma lavagem total que só veio trazer alguma dignidade.

Uma nota final para a canção tema, "You Know My Name", cantada pelo Chris Cornell, ex Soundgarden, actual Audioslave, que é, no fundo, uma boa canção rock. Falou-se que não era adequada ao 007....pois eu não acho que seja assim tão má. Aliás, para quem ouviu a porcaria que a Madonna compôs e cantou para um dos últimos filmes da saga....enfim.

1 comentário:

Bola Oito disse...

Pois, lá está. São gostos.

É que se leres um dos livros originais do Fleming vês que o Craig é o que se aproxima mais da personagem. Um gentleman britânico sem dúvida, fleumático qb, mas bruto, duro e implacável. E não tanto dado a piadas, trocadilhos e ironias como o Connery foi um bocadinho e o Moore popularizou. Além do mais, este filme retrata, teoricamente um Bond mais novo, ainda pouco dado a 'mariquices' como os martini 'shaken not stirred', etc etc. Daí ter um ar menos polido.

Além disso acho que os filmes em si tb ajudam muito (no meu entender) o actor. O filme do George Lazemby é, para mim, um dos melhores filmes da saga, embor ele seja um dos piores James Bond. Os filmes com o Dalton tb são bons, embora ele não seja muito adequado.